quarta-feira, março 19, 2014

Reflexões para o dia. Valores e necessidades





1 Tm 6:8 “Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.”

Agora que passamos a festa de Purim, significa que estamos a menos de um mês da celebração de Pessach. Essa celebração tem muitos significados, mas um deles nos remete à humildade, ao comermos o “pão da miséria” que, por mais que tentemos, não há como negar que comer matzah por sete dias não é das experiências mais gostosas.

É engraçado como não damos valor ao paozinho de cada dia, mas em Pessach, sete dias parecem a muitos como uma tortura, de tanto que faz falta o bendito pão.
Por apenas uma semana mudamos nossa rotina e somos tentados a ficar falando das dificuldades, mas mudemos um pouco o foco. Que tal agradecermos ao Eterno pelos outros quase trezentos e sessenta dias do ano em que temos a oportunidade de comer o pão nosso de cada dia?

Ontem falei sobre a diferença de honra e honraria. Hoje é dia de entender entre ser rico e almejar riquezas.
Pirkê avot diz: “A quem se deve considerar rico? Aquele que se alegra com o que possui” (Avot 4:1)
É por causa desse texto que muitas vezes vemos pessoas sem muitos recursos financeiros, mas com a riqueza da satisfação na vida. Nem todos possuem o dom de se sentirem satisfeitos, quer seja com mil reais, três mil, cinco mil, dez ou vinte mil por mês.

Não sou daqueles que costumam riscar a bíblia toda, marcando muitos versos e anotando coisas, mas minha bíblia  tinha um único versiculo marcado, que é o de 1 Tm 6:8 “Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.”

Não me importo com um guarda-roupas abarrotado, mas apenas em ter o que vestir decentemente. Quando costumava viajar, pessoas faziam verdadeiros banquetes para nos agradar, e eu simplesmente dizia: “voce pode fritar um ovo pra mim?”
O que signfica ter o sustento? É você poder trabalhar, receber uma remuneração que, com ela, possa comprar o alimento cotidiano para sua familia. A “parnassah” não envolve uma mesa farta, onde depois, muitos alimentos são jogados fora, mas apenas uma mesa onde você e seus familiares possam saciar a fome. Quem sabe, de vez em quando uma boa sobremesa, um doce, sorvete, talvez... mas todos os dias, isso passa a ser chato.

Moramos em Curitiba, uma cidade fria, de inverno rigoroso às vezes, e nunca passamos frio. Graças à generosidade do Eterno, nos aquecemos sob um teto, temos uma boa cama para os filhos e nos dias muito frios, de vez em quando nossos pequenos dormem conosco na mesma cama e compartilhamos as mesmas cobertas, em noites que nos alegramos, vemos filmes, comemos pipoca, rimos e dormimos pelo cansaço, mas nunca passamos frio. Temos com que nos cobrir.

De vez em quando, como ontem, um amigo me telefona e pergunta: “e aí Moshê, como você está, como está tua familia?” Ao que respondo: “estamos todos vivos hoje” e quase sempre a pessoa do outro lado da linha ri.
Não falo assim pra criticar, responder, magoar ninguém. Respondo assim, porque agradeço ao Eterno por nos dar a vida. Se temos problemas, claro! quem não os tem? Mas estou feliz por o Eterno nos permitir vida e viver, ainda é de graça!
Ontem por exemplo, ficamos um longo tempo assistindo videos de musicas, admirando o talento dos cantores; rimos, nos emocionamos, cantamos um pouco juntos e depois, eu e meus filhos ainda assistimos um filme infantil (Bons de bico) e por fim, encerramos nossa noite já no início da madrugada assistindo mais musicas no programa americano “The Voice”.  E aí eu me pergunto: Pra que mais?


Dinheiro não é tudo na vida. Carros novos, luxos, festas, podem parecer legais e são, mas definitivamente, nossa felicidade não deve estar nestas coisas. Deve sim, estar no fato de que “estamos todos vivos hoje”  e o Eterno nos permite de termos o sustento e com o o que nos cobrirmos. Por isso, estejamos contentes, porque o resto é só o resto.

2 comentários:

Lucas Rios disse...

Eu o conheço de longa data,mas nunca fomos próximos como eu sou do Gerson,talvez porque vc seja mais fechado e isso passa um ar de não se aproxime,mas de uma coisa eu sei,que com um papel uma caneta vc expõe todo o seu sentimento,e vc e muito bom nisso e eu o admiro por isso. Shalom!!

Moshê ben Yishai disse...

obrigado Lucas. Acredite, nao é "ar de nao se aproxime" é timidez mesmo. Uso meu blog pra me expressar naquilo que penso e sinto. Abraço!