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quinta-feira, abril 28, 2016

Sefirat HaOmer e a Bondade Humilde



A contagem do Omer para essa primeira semana aborda o chessed, a bondade. A bondade também pode ser humilde. Essa é a meditação de hoje “Hod Shebe Chessed”

Nosso mestre Yeshua disse: 
Mt 6:1-4 - Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste. Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”

Podemos ser bons, ajudando pessoas, e isso traz sempre consigo o mérito, mas o melhor é fazer “caridade” sem a necessidade de expor nossos atos, seja em redes sociais ou de outra maneira. 

A fé judaica relata oito diferentes niveis de caridade, começando por aquele que dá de má vontade. Isso também é caridade? Sim, mas não tem grande valor perante o Eterno.
A partir daí, tem aquele que dá com um sorriso no rosto, mas de forma errada; depois aquele que dá ao pobre, mas só quando lhe é pedido. 
O quarto nível é aquele que dá ao pobre, diretamente em sua mão, antes que lhe seja pedido qualquer coisa. Acima deste há aquele que não sabe sequer para quem está dando, mas permite que os pobres saibam quem é o benfeitor.
Já o sexto nível, é aquele que doa ao pobre sabendo quem é a pessoa, mas não permite que o pobre saiba quem está doando. Um nível acima desse está a caridade daquele que não sabe para quem está doando (isso o impede depois de querer cobrar qualquer recompensa) e o receptor também não sabe quem o ajudou. Isso é chamado de cumprir uma mitsva apenas em prol do céu, que agrada ao Criador.
E o nivel mais elevado da caridade é ajudar alguém de forma que essa pessoa possa trabalhar e não mais depender da caridade alheia. 

A bondade com humildade é praticada sabendo que se hoje estamos em condições de ajudar a alguém, isso não faz de nós pessoas melhores que os demais, apenas faz de nós alguém que usa corretamente dos recursos que o Eterno lhe proporciona para beneficiar a humanidade. Nunca sabemos quando vamos necessitar de ajuda humanitária (D-us permita que não necessitemos de fato) mas enquanto pudermos ajudar, ajudemos pelo prazer de ser bom, humildemente. 

Isso ocorre também no perdoar. Perdoar alguém não faz de você melhor que os outros; o perdão não deve ser usado como uma forma de se exaltar, jamais. O perdão humilde é aquele em que a pessoa perdoa porque reconhece que ele próprio também e carece do perdão alheio. Por isso mesmo Yeshua fala do famoso “setenta vezes sete (no dia)” e ele conclui que nós devemos rezar dizendo: “perdoa-nos assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” 

Isso é muito relevante: dizermos ao Criador a frase “perdoa como eu perdôo” é um risco enorme, especialmente para pessoas cheias de atos de caridade, mas com um coração endurecido. 

Pensemos nisso, nesse quinto dia da contagem do Omer, e coloquemos em prática a caridade com humildade.

quarta-feira, abril 27, 2016

Sefirat HaOmer e Bondade sincera



A contagem do Omer é algo interessante. A Torah nos ordena: 
Lv 23:15-16 Depois, para vós contareis desde o dia seguinte ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão. Até ao dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinqüenta dias; 

Quando celebramos  o Pessach, começamos a contar a partir do sábado os dias, até chegarmos no dia cinquenta, e celebramos aí a festa de Shavuot. É uma mitsva contar os dias e o fazemos sempre ao anoitecer: hoje é dia 1, hoje é dia 2 da contagem, dia 3 da contagem,... até o dia 50. 
Parece algo simples e meio que sem propósito, mas aí que está, tudo na vida tem um propósito; é a gente que não sabe encontrar a razão. 

Nas várias linhas do judaísmo, a cada semana se atribui algo a ser aperfeiçoado em nosso caráter. Já falei a respeito antes, mas vale sempre lembrar:
• Semana 1 - Chessed - bondade, benevolência
• Semana 2 - Guevurá - justiça, disciplina, moderação, reverência
• Semana 3 - Tiferet - beleza e harmonia; compaixão
• Semana 4 - Netzach - resistência; firmeza; ambição
• Semana 5 - Hod - humildade, esplendor
• Semana 6 - Yesod - vínculo, princípio
• Semana 7 - Malchut - nobreza, soberania, liderança.

Como estamos no dia 4 da contagem, é preciso buscar aperfeiçoar nossos atos de bondade. Mas o que é ser bom?
Pergunta simples, mas difícil, cada um tem sua própria resposta. Como somos discípulos de Yeshua, é sempre prudente analisar aquilo que Ele, nosso Mashiach, nos ensinou, então vejamos:
O texto de Lucas 18:18-23 traz o relato do jovem rico que queria herdar a vida eterna. E ele chama a Yeshua de bom mestre. E a resposta que ouviu: “Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus. Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe.”
Aí  o jovem rico diz, de certo orgulhoso e feliz: “eu já faço isso faz tempo.”  E, de novo Yeshua lhe fala: “Ainda te falta uma coisa: vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.” 
Então o jovem ficou triste, porque ele era rico.

O que tudo isso tem a ver com ser bom, com a contagem do omer, com chessed, com herdar o reino? 
Tem a ver amigos, que não basta a gente falar que cumpre os mandamentos, tem que ter algo a mais, se realmente queremos herdar o reino. Alguns dizem que com dinheiro tudo fica fácil... e vemos nesse texto que não é tão simples assim. A vida não gira em torno do dinheiro, mas de nossas atitudes e de nosso coração. 

O conselho para o Chessed de hoje está relacionado com tolerância no amar, na bondade. 
É fácil ser bom, ajudar, estender a mão e amar as pessoas que nos amam, que se dedicam a nós. Difícil é ser bom, amar, quando essas pessoas já não nos podem trazer grandes benefícios. De novo, nosso Mashiach diz: 
Mt 5:46-48 Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?  E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.
Devemos nos perguntar se nosso amor, nossa bondade é verdadeira. Sou bom mesmo com aqueles que não me são úteis? Sou generoso mesmo com aqueles que me querem mal? 

O profeta Miquéias, falando em nome do Eterno nos diz: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6:8)

É ótimo ajudarmos as pessoas que amamos, mas ajudar quem não pode trazer benefícios é excelente. 

Agora deixa eu dar um testemunho simples: 
Semana passada, a gente estava aqui na maior correria na sinagoga, preparando para o Seder de Pessach, e aí alguém me manda uma mensagem de celular mais ou menos assim: “Rosh, estou chegando na rodoviária de Curitiba, com duas crianças, e algumas malas e me perdi do chaver que viria conosco, pois ele se atrasou e acabou perdendo o ônibus. Alguém pode me buscar na rodoviária?” 
Alguém pode pensar: “Puxa, a pessoa viaja com duas crianças, bolsas, e não sabe pegar um taxi?” Ou “sempre tem os folgados que avisam só quando estão chegando na rodoviária e aí a gente que se vire pra ajudar.” Enfim, cada um pode pensar como quiser... mas o que profeta Miquéias disse é que devemos amar ser bons; portanto, não podemos perder a oportunidade de ajudar alguém, porque amamos fazer isso. Quanto mais difícil a situação, melhor!
Lá fui eu, peguei a kombi e fui buscar a chaverah com seus filhos. Viemos para a CINA conversando bastante e eles participaram do Pessach conosco. (Ah, o chaver que perdeu o ônibus também veio, chegou atrasado, mas conseguiu vir) Aí, passaram o shabat conosco, e foram embora na manhã do domingo. 


Quando chego para trabalhar na manhã da segunda, tinha um recadinho num guardanapo. Recadinho de agradecimento (não a mim, mas a toda a nossa kehilah)... e é por coisas assim que devemos amar ser bons. Pequenos gestos de bondade diários fazem nossos dias melhores. 
E se a pessoa não agradecer? Bom, não fazemos em busca de agradecimentos, fazemos porque o que o Eterno quer de nós? Que pratiquemos a justiça, amemos a beneficência e sejamos humildes...
Boa contagem do omer a todos...
(*** hoje de noite, iniciaremos o dia 5 da contagem do omer)

terça-feira, junho 24, 2014

Reflexões para o dia. Contra ou a favor?




1 Rs 18:21 “Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu.” 

É natural que na vida tenhamos alguns momentos de incertezas diante de determinadas situações, mas isso nunca em referência a nossas convicções, sejam elas pessoais, profissionais ou religiosas. 
Em certa ocasião foi dito: “sejam vossas palavras sim, sim e não, não, porque o que passa disso vem do maligno.”

Quando o profeta Elias perguntou ao povo sobre esses dois pensamentos e qual eles iriam seguir, se o Deus de Israel ou Baal, a resposta do povo foi o silêncio, proveniente da falta de convicção.  
Hoje isso se revela em muitas maneiras, mas e quando as pessoas não concordam com nosso ponto de vista? Mudamos? Aceitamos a maioria? Afrontamos todo mundo só pelo fato de que não vamos voltar atrás? 
Existe uma diferença entre convicção e teimosia, entre diferentes pensamentos, preferências e imposições. E é necessário apenas de nossa parte que sejamos constantes... aceitemos que outras pessoas tenham pensamentos diferentes e que podemos conviver tranquilamente se todos nos respeitarmos. 

Hoje estamos no auge da Copa do Mundo, um grande evento esportivo e que reflete bem isso. Há milhares de pessoas que gostam, que apreciam os jogos, a festa, acompanham, uns mais aficcionados, preenchendo album de figurinhas, fazendo a tabela, etc... outros gostam menos. E há também os que não gostam, simplesmente não assistem e a copa não interfere em nada na vida deles. Há ainda aqueles que não queriam a copa no Brasil, e dentre esses, há os que “protestam” destruindo patrimônio público, saqueando lojas, enfim, verdadeiros idiotas. 

Eu, como homem, aprecio esportes, me divirto com futebol, torço para o Santos, e claro, na Copa, acompanho alguns jogos, vejo os resultados, os gols, e torço pelo Brasil. Sou a favor da Copa no Brasil (embora seja contra a roubalheira que foi feita)   e acredito que os milhares de turistas que vieram ao Brasil poderão levar boas recordações de nosso país, e o turismo ajuda a economia brasileira. Mas também sou a favor do direito de protestar, mas acho que uns 30 anos de presidio fariam bem aos black-blocks, mascarados que destroem tudo e roubam. Por outro lado, como religioso, não permito que o futebol ou qualquer outro esporte interfira em minha vida religiosa, e com o maior respeito, entendo que shabat não é dia de ficar falando de futebol, de time, de copa. 

Ontem foi uma (meia) polêmica em meu perfil do facebook, só pelo fato de eu ter publicado umas fotos de meus filhos com a camisa da seleção, ao lado do avô. Foi um momento de alegria familiar, e daí já aparece alguém pra criticar, estragar. Quando vi, já tinha lá uma série de comentários atacando esporte, futebol, dizendo ser pecado, paganismo e julgando que isso fosse algo gravíssimo. 
Com todo respeito do mundo, já fui alvo antes, anos atrás de pessoas que abandonaram a congregação porque “me viram com uma camisa de futebol (da seleção de Israel) e julgaram isso como fanatismo.” Ontem, de igual forma, a pessoa me excluiu do rol de amigos porque eu publiquei uma foto? Nossa! Quanta santidade?! 
Quer dizer, a pessoa publica NO MEU PERFIL uma série de coisas, e quando eu argumento no particular, preservando a pessoa, ela ainda reclama e me exclui? Falta noção de maturidade. 

Já publiquei comentários anteriores no MEU perfil, em que me posiciono contra a bebedeira, contra determinadas músicas, contra algumas práticas, mas sempre respeito o direito dos outros de pensar diferente. Acho que há coisas grandes, como a Torah, em que devemos pensar igual, seguir juntos, e há outras que podemos pensar diferente, e ainda assim sermos bons amigos... eu sou santista, gosto de cores sóbrias, não gosto de verde, não gosto de roupa listrada, nem xadrez, nem musicas da Anitta. Outro gosta do SPFC, gosta de cores chamativas, tem gosto musical diferente, etc... e daí? podemos ser companheiros assim mesmo. Respeitar a opinião alheia sobre coisas importantes e aceitar que eles sejam diferentes em coisas de menor valor é princípio da fé judaica também. Como dizem: “dois judeus, três opiniões.”

Ontem o Brasil ganhou de Camarões. Gosto tanto de futebol que estava trabalhando durante o primeiro tempo, não vi os gols, depois, saí na hora do intervalo e perdi vinte minutos do segundo tempo. O que isso mudou na minha vida? Nada! Porque futebol é só diversão e estou ciente de que há coisas mais importantes. 
Por coisas “do destino” o Brasil jogará no próximo sábado. E aí? vai assistir? Eu não, e não vou ficar desesperado querendo saber o resultado... depois, de noite verei no Jornal Nacional. 

Só não posso mudar minha convicção de que o Shabat é sagrado. Espero que não fiquemos a coxear entre dois pensamentos... Se Deus é Deus, fiquemos com Ele... se o futebol é mais importante do que Deus, fique com ele.

*** Ps. Toda questão polêmica criada em meu perfil é deletada. Agora, se você quiser me mandar mensagem particular, podemos bater-papo, discutir o assunto com o maior prazer, e o devido respeito.

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Surpresa agradável...




Estava eu hoje aqui no escritorio fazendo o trabalho de transcrever algumas aulas da Yeshivah, quando resolvi checar meu e-mail e pra minha surpresa tinha um comentário feito em meu blog.
Quanto a comentários, tudo bem, sei que bastante gente acessa, mas poucos comentam. O que esse tem de especial? Conto!

Dias atrás publiquei um post falando do livro "Meu Israel" de Sabrina Abreu. Gostei muito do livro e indiquei aqui, e sei que alguns amigos já o compraram. E de repente hoje eu recebo o contato da própria autora do livro, ma agradecendo por divulgar. 

A Sabrina então aproveitou pra me pedir que eu falasse que agora está disponivel o ebook (como mostra a foto acima, dela mesma) então quem tiver disponibilidade, agora no dia 25, terça-feira, será o lançamento no "Café com Letras" em BH. 
Se, como eu, você não mora em BH, acredito que o ebook já estará disponivel também em sites da internet.

Eu prefiro a versão publicada em papel, ainda acho melhor e "mais charmoso", mas se você quiser, tem agora essa opção, e repito: Vale muito a pena! 

Para quem já foi a Israel, vai sentir saudade! Para quem nunca foi, vai ficar com vontade!

terça-feira, janeiro 28, 2014

Ler é um bom remedio. Unir Israel e livros é melhor ainda


Na última sexta-feira cheguei bem adiantado para o cabalat shabat e, para passar o tempo, peguei um livro pra ler. Dentre os muitos livros da biblioteca, queria um de leitura fácil, e agradável, afinal, era só pra passar o tempo mesmo. 

Tenho nesse ano retomado o hábito de ler, e esse já foi meu terceiro livro. Espero chegar aos 15, 20 pelo menos em 2014.

Peguei esse, chamado "Meu Israel" de Sabrina Abreu. 
O livro traz a visão dessa jornalista que foi fazer um trabalho lá em Israel para a gravação de um dvd, que nunca saiu, e o ponto de vista de alguém que lá viveu por onze meses, e depois retornou pra passar mais uns dias, quando escreveu o livro.

Ao ler, fui me deparando com uma série de coisas que eu mesmo já havia vivido lá em Israel, e lugares que eu havia visitado. A Sabrina traz nesse livro a visão que ela teve de muitos lugares e de pessoas que conheceu, trazendo uma visão ao mesmo tempo comum (para mim) e diferente, diferente daquilo que grupos de turistas possuem ao visitar Israel. 

A certo ponto do livro ela fala da experiência de estar num lugar e ver os vários grupos de turistas que passam, ouvem explicações do guia e seguem, visitando o máximo de lugares possível, porém, sem desfrutar de nenhum deles. E ela diz que é impossivel conhecer um país em um ano, que dirá 30 dias (ou 10, 12 que a maioria dos turistas fazem) e é verdade. Ja estive lá por várias vezes e a cada ano, experimento situações novas, lugares e histórias novas. 

No livro, ela fala de vários lugares; desde Tel Aviv (que ela chama de bolha) até Safed (a cidade da cabala, dos mistérios, sem deixar de lado Massada, o lugar que nos lembra de que Israel não voltará a cair e claro, Jerusalém. 

Interessante a comparação das quatro principais cidades religiosas e os elementos da natureza: Safed, Tiberiades, Hebron e Jerusalem... com Safed, relacionada ao ar das montanhas, Hebron, a cidade da terra, onde estão sepultados os patriarcas de Israel, Tiberiades, as águas do Mar da Galiléia (Lago Kineret) e Jerusalem, claro, o fogo. Explicações mais claras, leia o livro.

Foi muito bom ler esse livro, tanto que li suas 174 páginas em dois ou três dias (nas horas vagas) e reviver a história sob o ponto de vista dela e de algumas outras pessoas que ela apresenta no fim do livro, no chamado "Ein Sof" (não há fim, em hebraico) mostrando que ir a Israel é uma viagem que nunca terá fim, seja no desejo de morar lá, ou nas lembranças lá vividas. 

Como disse, já estive várias vezes em Israel, e mesmo para quem não viaja com interesses de fazer aliah (descendentes de judeus podem "subir" a Israel, para morar lá, com ajuda do governo) vale a pena. Nenhuma das minhas viagens teve tal intenção, AINDA, apesar de ja ter sido convidado por um amigo meu de Jerusalém. 

Vale a pena, mesmo que você nunca vá a Israel, ler esse livro é viajar com alguém que lá esteve e se apaixonou pelas cidades, pelo país e pelo povo. E se você desejar ir, já sabe: 
A CINA eventualmente organiza caravanas para lá, onde voce poderá experimentar um pouco disso tudo. Mesmo que você não vá conosco, nunca deixe de alimentar o sonho de um dia esdtar na Terra Santa, pois sonhar é bom pra todo mundo... e que seu sonho se realize plenamente.

Livro: Meu Israel; Viagem ao país onde o céu e a terra se encontram
Autora: Sabrina Abreu
Editora Leitura
páginas 174

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Os bons morrem cedo? Mandela e eu...


Em meu blog já escrevi sobre outras personalidades que já morreram, e sempre achei que não servia de bom exemplo ficar exaltando pessoas cuja principal característica era seu mal comportamento, quase sempre atrelado a uso de drogas e escândalos... e os tais são exaltados com frases como: "os bons morrem cedo"  ou parte de uma canção (bem idiota) que dizia: "meus heróis morreram de overdose".
 
Cada um tem os heróis que merece, mas não, meus heróis não morrem cedo, muito menos de overdose, e ontem, infelizmente, faleceu um dos grandes homens do mundo moderno: Nelson Mandela.
 
Não estou aqui para fazer uma biografia dele, isso quem quiser pode comprar um livro, ou ler no google, mas quero deixar aqui parte de meus pensamentos a respeito desse homem e porque o considero um grande exemplo para nossos jovens, crianças e adultos, e porque não, nossos idosos também.
 
Primeiro: Ele era filho de analfabetos e conseguiu se formar advogado. Lição para quem se acha incapacitado, filho de "gente humilde", quando na verdade humildade não tem nada a ver com ser pobre, ou analfabeto. As oportunidades surgem para todos, mas se não nos esforçarmos, nada alcançaremos e viveremos a dar as mesmas desculpas sempre.
 
Segundo: Como se vê, Mandela era negro e não precisou de cotas para ser alguém. Não somos definidos pela nossa cor, mas por aquilo que fazemos. Quem passou 27 anos preso não tinha tempo a perder choramingando por ser negro, branco, japonês ou seja o que te considerarem pela sua cor de pele ou características físicas. Sim, ele lutou por toda a vida contra a segregação racial na Africa do Apartheid, onde a minoria branca dominava e abusava de todas as formas sobre a maioria negra.
Uma de suas grandes frases de efeito diz: "Ninguém nasce odiando outra pessoa por conta de sua cor de pele, origem ou religião. As pessoas aprendem a odiar, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais fácil ao coração do que o ódio."
* A isso quero somar um sentimento meu, de aversão ao racismo. Tenho nojo disso, e percebo o racismo nas pessoas (que dizem não ser preconceituosas) nos pequenos gestos, palavras, piadas; para nós, que dizemos ser parte de um povo israelita, nada é mais idiota do que ser preconceituoso, porque negros e judeus sempre sofreram perseguições por parte de pessoas de mente fraca, como os da "supremacia branca".
 
Terceiro: Nunca desistiu de sua luta, nem de suas convicções, e já na sua velhice veio a se tornar o presidente da Africa do Sul, e fez o que seria inimaginável: unir brancos e negros. (assista ao filme Invictus para aprender um pouco) Como ele mesmo disse, numa de suas célebres frases: "Tudo é considerado impossivel até acontecer". Se você quer algo, faça acontecer, mesmo que os outros digam que é impossivel... mesmo que tenha que lutar até a velhice para atingir seus objetivos. 
Acredito que Mandela, ao chegar aos 95 anos de vida, olhava para trás e via que atingiu mais do que sempre sonhou, mas como sonhador, esperava poder alcançar ainda mais por seu povo.
 
Ainda há uma infinidade de razões pelas quais podemos exaltar pessoas como Nelson Mandela, e por si só, um homem que chega aos 95 anos e tem o mundo todo lamentando sua morte (até mesmo os inimigos o admiravam) deve ter muitas lições de vida.
Sim, Mandela não era um homem perfeito, ele teve três casamentos, deve ter tido lá seus deslizes, mas sempre será lembrado por todas as coisas boas que ele fez; seu legado para a humanidade. 
 
Encerro com a imagem que ficará sempre na mente das pessoas que o admiravam, a de um homem que, apesar de ter a face sofrida, carregava sempre um belo sorriso no rosto. Talvez porque ele era uma pessoa humilde. E é fácil agradar pessoas humildes.
Por isso mesmo, sempre que vou à nossa kehilah, aprecio gastar o meu tempo com pessoas menos  "requisitadas". A elas, um simples sorriso, um cumprimento, talvez um abraço, já lhes faça sorrir, como Mandela.
 
Aproveitando que nosso congresso está chegando, experimente gastar seu tempo com pessoas "menos importantes". Dois minutos de conversa com pessoas simples de nosso povo e elas já levarão no rosto o mesmo sorriso desse homem, que hoje o mundo exalta, e que sim, sempre será lembrado, porque homens bons não morrem de overdose, mas em boa velhice.  Valeu Mandela! O mundo precisa de mais pessoas como você! Seja nossa inspiração!

sexta-feira, novembro 22, 2013

Chanukah: milagres e azeite


 

2 Rs 4:1-7 Certa mulher, das mulheres dos discípulos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que ele temia ao SENHOR. É chegado o credor para levar os meus dois filhos para lhe serem escravos. Eliseu lhe perguntou: Que te hei de fazer? Dize-me que é o que tens em casa. Ela respondeu: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.  Então, disse ele: Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos; vasilhas vazias, não poucas. Então, entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos, e deita o teu azeite em todas aquelas vasilhas; põe à parte a que estiver cheia. Partiu, pois, dele e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia. Cheias as vasilhas, disse ela a um dos filhos: Chega-me, aqui, mais uma vasilha. Mas ele respondeu: Não há mais vasilha nenhuma. E o azeite parou.  Então, foi ela e fez saber ao homem de Deus; ele disse: Vai, vende o azeite e paga a tua dívida; e, tu e teus filhos, vivei do resto.
 
Para falar de chanukah, uma festa que envolve duas coisas vitais na nossa fé, óleo e milagre, nada melhor do que meditarmos um pouco num texto que apresenta ambos os elementos. O profeta Eliseu encontra-se com uma viúva e bem, esse relato nos dá muitas lições boas. Então vamos a elas:
 
- Primeiro: é importante saber que a quantidade de azeite que teremos dependerá da quantidade de vasilhas que conseguirmos dispor. Não podemos ser cheios do Espírito Santo, cheios da unção divina, se não abrirmos espaço para que o azeite de D-us possa fluir através de nós e nos encher completamente. Por isso, Eliseu pediu vasilhas.
 
- Segundo: Ninguém é completo sozinho. A viúva foi orientada pelo profeta a pedir emprestado vasilhas a seus vizinhos. Uma pessoa que se julga a única importante, ou a mais importante, nunca terá humildade suficiente para pedir ajuda aos outros. E para ter uma porção maior do azeite divino, é preciso humildade para buscar ajuda nos “vizinhos”. Precisamos do nosso próximo, todos nós. Quem se julgar auto-suficiente, não terá botijas para enchê-las. Acredite, todos nós precisamos uns dos outros.
 
- Terceiro: D-us supre as nossas necessidades. Ele nos dá o azeite suficiente para pagar nossas contas e vivermos do “resto”.  
 
E talvez o mais importante nisso tudo: a viúva tinha um pouco de azeite. Não adianta esperarmos de nosso irmão, de D-us, do rosh, ou de quem quer que seja se não tivermos ao menos um pouco de azeite em nossas vidas. 
 
A festa de chanukah só é celebrada porque estava presente todos estes elementos.
 
Havia ali pessoas sedentas querendo restaurar o serviço do Templo. (como a viúva que precisava restaurar sua vida)
 
Ali também um buscou forças no outro, coragem para enfrentar a força de Antioco. (como a viúva precisou das botijas dos vizinhos)
 
Como no caso da viúva, eles foram dignos de receber de D-us tudo o que necessitavam, a força e a coragem.
 
Por fim, havia um restinho de óleo sagrado. Como a viúva tinha uma única botija de azeite, o Eterno preservou uma única botija de azeite, suficiente para um dia apenas acender as uzes da menorah. Aí veio o milagre da multiplicação do azeite... em chanukah, durou oito dias, até que fosse providenciado o novo azeite sagrado da menorah. No caso da viúva, o azeite foi o suficiente para ela e seus filhos.

Se você quer ver milagres acontecendo em sua vida, trate de ter ao menos um pouco de azeite dentro de si, conte com a ajuda dos vizinhos, abra espaço (dentro de si) para que o azeite possa fluir e a bênção do Eterno possa estar sobre ti. Chag Sameach Chanukah!

domingo, setembro 22, 2013

Estátuas de sal


Ontem durante o arvit na nossa kehilah em Ponta Grossa fizemos uma breve meditação sobre Gn 19 e a triste história de Ló.
A história começa repetindo basicamente o que ocorrera no capítulo anterior com Avraham. Ló recebeu anjos e assim como nosso Patriarca, ele correu para os hospedar e ofereceu o melor que podia a eles. A diferença está na atitude seguinte, pois Avraham queria que os seus ushpizin ficassem por mais tempo e Ló, queria logo os dispensar. Ora, dispensar anjos? Aí sou obrigado a me lembrar do texto de Hebreus 13:2 que diz que alguns, sem o saber, hospedaram anjos.
 
Aí os anjos falam a Ló para ele fugir da cidade, sair imediatamente de Sodoma e Gomorra, e a quem Ló se dirige primeiro? Aos pretendentes de suas duas filhas. Juro que não consigo entender, o anjo de Deus lhe dá um aviso importante e quem são as primeiras pessoas que você vai falar? Os genros acharam que Ló brincava com eles e não quiseram ir. Tem gente que é exatamente assim... Dá mais valor a terceiros do que às próprias filhas? Ainda não tenho uma filha, mas imagino que as pessoas mais importantes da minha vida são a minha esposa e meus filhos. Imagino não, tenho certeza.
 
Aí o anjo os apressa, pega pela mão e força-os a sair e diz: "corram, sigam para o monte, e não olhem para trás." Recomendações simples demais, é fácil de se cumprir. E porque não fazemos? Primeiro eles enrolam, como alguém que fica em casa, se atrasando, arrumando a mala, pois não pode esquecer o casaquinho das crianças, o chinelo, o lanchinho durante a viagem, etc... se enrolam. Tem coisas que são urgentes, e por isso eu digo... faça o que é urgente, o resto é só o resto.
 
A mulher de Ló olha pra trás, e novamente desobedece, e transforma-se numa estátua de sal. Na vida, as vezes temos que fazer assim. Seguir em frente, não olhar para trás. Existem coisas que são destinadas a ficar para trás, no passado. Caso contrário seremos tão somente pessoas presas em estátuas de sal. Estamos iniciando o ano de 5774 de nosso calendário, é possivel deixar pra trás o passado e olhar pra frente? Acho que sim! A gente precisa na vida olhar pra frente, se fosse para olharmos para trás, D-us não colocaria olhos na frente de nosso rosto, mas nas costas.
 
Aí o anjo fala pra Ló fugir e o rapaz ainda tem a petulância de falar para o anjo que não queria de tal forma, se for pra fugir tinha que ser do jeito dele, para a cidadezinha que ele quisesse, e foi para Zohar (o anjo consentiu, mas não porque Ló estivesse certo, e sim pra não prejudicar a pequena cidade). Fico abismado como as pessoas não admitem estar errados, e mesmo que admitam, tudo tem que ser do jeito delas. Ah! Ló, seja um pouco menos prepotente, humildade não faz mal a ninguém. Ele ainda se achava no direito de escolher... a gente não precisa disso! Reconhecer-se errado (e Ló errou, indo pra Sodoma) pode ser bom de vez em quando.
 
No fim de todo o texto, em Gn 19:29, está escrito que D-us teve misericórdia de Avraham, lembrando-se dele, e livrou a Ló daquele lugar. Ló não foi liberto porque era justo, mas sim pela misericórdia que D-us tinha para com Avraham.
 
Nesse ano de 5774, tenhamos a capacidade de olhar para frente, seguir em frente, e aceitar que não somos tão bons quanto parecemos, e que carecemos da misericórdia de D-us. Devemos nos apegar a Ele, porque como eu digo, há coisas importantes na vida, D-us, familia, kehilah, mas o resto é só o resto. E quando digo resto é só o resto mesmo, trabalho, dinheiro, carros, inveja, sentimentos ruins, brigas, ciumes, holofotes, ....  tudo é vaidade. Que tenhamos um ano voltados para a frente, rumo ao que é bom, com olhos voltados para o futuro, para fazermos do Olam HaZeh uma antesala, um preparatório para o Olam Habah. Um abraço!

segunda-feira, agosto 12, 2013

Elul, Selichot, Tachanun e Teshuvah


Sempre fui muito a favor de respeitar o tempo necessário nas mais diversas situações, por exemplo, no processo de conversão, nunca apressei ninguém a que passasse pela tevilah, nem tampouco a tomar decisões precipitadas para depois me culpar, ou culpar a outros por estarem se apressando. Sempre apreciei as palavras de Eclesiastes, que dizem: Há tempo para todas as coisas, tempo para todo propósito debaixo dos céus (Ec 3)

Na Teshuvah não é diferente. Aprendemos devagar e sem atropelos, pois acredito que isso vai firmando nossos passos, e quem acelera demais nesses passos acaba perdendo lições importantes e que lá no futuro irão fazer falta.

Estamos no mês de Elul, mês de reflexão, de arrependimento, de teshuvah, de toque de shofar diário, etc...e no último shabat falei brevemente sobre as rezas, sobre as selichot, o tachanun, vidui, que são orações que tomam significado grande durante esses dias, onde confessamos nossos pecados e buscamos uma comunhão maior com o Eterno.

Não posso exigir que todos saibam e rezem "como perfeitos judeus" mas posso dizer: "abra seu sidur na página 78 e 79 e medite nessas preces" Em Elul é costume que diariamente as recitemos e mencionemos os Treze Atributos Divinos. Então, depois tocamos o shofar.
Aí alguém pode dizer: "mas no sidur está escrito que quem reza sozinho não deve declamar os Treze Atributos." E agora?

Bom, mas também o Tachanun não se resume ao escrito na página 78, e aí? A verdade é para quem não conhece muita coisa, as primeiras preces do Tachanun já são súplicas suficientes na busca pelo arrependimento e reflexão nesse período pré-Yom Kipur.

Não se preocupe como fato de não fazer todas as rezas por completo. O que vale agora não é a quantidade de orações, mas sim, a qualidade delas, a devocão e o impacto que isso causa em nosso interior.

A seguir, quero apenas colocar algumas das belas frases do Tachanun, mas que só possuem valor se vierem carregadas de cavanah, de devoção e de arrependimento:

"Sabemos, ó Eterno que pecamos e que nada mais existe que nos defenda senão o Teu Grande Nome, que nos protege na hora da angústia. Sabemos que carecemos de boas ações; faze conosco justiça por amor do Teu Nome! Assim como um pai tem compaixão de seus filhos, tenha compaixão de nós, ó Eterno!"

"Protege, Eterno, o Teu povo, e salva-nos da Tua cólera; afasta de nós a ferida da epidemia e dos duros decretos, pois Tu és o Guardião de Israel. De Ti, Eterno, provém a justiça; de nós, o rubor da vergonha. Do que podemos queixar-nos? O que temos a falar? O que temos a dizer? Como nos justificarmos? Procuraremos nossos caminhos e averiguaremos, e voltaremos a Ti, pois Tua mão direita está sempre estendida para receber os que retornam."

"Não existe como Tu, Eterno, nosso Deus, cheio de graça e misericórdia. Não existe como Tu, Deus tolerante e abundante em benignidade e verdade. Salva-nos e tem piedade de nós! Salva-nos dos percalços e da raiva! Lembra-Te de Teus servos Abraão, Isaac e Jacob; não olhes para a nossa teimosia, nossa maldade e nossos pecados..."

Se o escrito acima se tornarem para nós mais do que belas palavras, mas um sincero arrependimento, então esse Elul já terá valido a pena, esse shofar será para nós um despertar para uma vida nova, e que 5774 seja um ano cheio de graça, misericórdia e paz para nós e nossos filhos.

Faça soar o seu shofar, pois o Rei está no Campo!!

quinta-feira, agosto 08, 2013

Elul - O Rei está no Campo, aproveite!


Como já sabemos, Elul, o último mês do calendário judaico nos evoca a um período de reflexão sobre nossos erros, arrependimento e a busca pelo perdão. Esse período é ilustrado com uma conhecida parábola judaica:
 
“Uma vez por ano, um rei muito poderoso deixa seu palácio, seus guardas, seu luxo e vai até o campo para encontrar seus súditos. Enquanto o Rei estiver no campo, as pessoas podem perguntar o que quiserem a ele. Elas não necessitam esperar em longas filas, passar por seguranças, ou agendar uma entrevista. Podem falar com ele sem hesitação. No entanto, uma vez que o rei tenha retornado a seu palácio, os súditos terão de passar por todos os tipos de protocolos para, quem sabe, encontrá-lo. Obviamente, os moradores do reino, que forem espertos, devem aproveitar a oportunidade ao máximo quando o rei está no campo.”
 
Essa era oportunidade de buscar a misericórdia do Rei, receber seu perdão, enfim, estar diante dEle. Infelizmente nem todos sabem aproveitar essa chance. Procurei uma situação semelhante nos escritos bíblicos e adivinha: encontrei algo perfeito e que se encaixa com nossa vida atual.
 
Nossos sábios dizem que Elul é o período em que o REI (Eterno) está no campo. Esse período, o último mês do calendário, vem na sequência de dois outros meses, chamados de Tammuz e Av, período onde ocorreram dois grandes pecados na história de nosso povo: “o bezerro de ouro” e o “episódio dos espias”. Em ambos, o povo, mesmo aparentemente sem querer, estaria “se afastando” do Eterno, do Rei.
 
Lendo na Torah, temos: Gn 3:8 - E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.
 
Se observarmos atentamente a situação perceberemos que Adam e sua esposa haviam pecado, comendo do fruto que não lhes era permitido, e ao perceberem que O REI PASSEAVA PELO CAMPO, se esconderam.
Ao se esconderem, procuraram ocultar seu erro diante do Rei, e isso lhes trouxe o castigo. Corrobora negativamente o fato de ninguém assumir seus próprios erros, mas Adam culpou a Eva, que culpou a serpente, que já não tinha a quem culpar.
 
Se queremos o perdão, devemos aproveitar a oportunidade que o Rei nos dá, e buscar por isso. Não culpar nada nem ninguém ajuda a percebermos a dimensão de nossos pecados. Quando colocamos a culpa nos outros, isso “ameniza” o sentimento de culpa.
 
Não por acaso, nestes mesmos meses, em 17 de Tammuz e 9 de Av, temos o período em que os Romanos invadiram Jerusalém até a destruição do Templo. Consequências do distanciamento do povo israelita de Seu D-us.
 
Já que temos esse período, vamos aproveitar, porque o Rei está no campo. Apresente-mos diante dEle, e estejamos dispostos a pedir perdão.
Nesse período especificamente, recitamos todos os dias as Selichot, o Vidui e o tachanun, que basicamente, são preces de arrependimento e confissão de pecados.
 
Como já disse no post anterior, também é de praxe que toquemos o shofar diariamente, para nos despertar ao arrependimento. Há no pecado uma grande dificuldade; como reconhecer que erramos? se observarmos os exemplos bíblicos, de homens muito mais sábios que nós, perceberemos que não é tarefa das mais fáceis. Vejamos por exemplo:
 
JÓ - Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado. (Jó 13:23)
 
DAVID - Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas. Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão. (Sl 19:12,13)
 
A soberba a que David se refere vem do fato do homem não reconhecer-se como pecador. Na maioria das vezes, quando acusamos o pecado de alguém, não somos capazes de observar em nós também. David, rei de Israel, precisou que o profeta Natã lhe contasse uma parábola, para que ele fosse capaz de reconhecer o grave pecado que cometera. (2 Sm 11:1-7) Da mesma forma, o rei Saul precisou que o profeta Samuel lhe mostrasse seu erro.
 
SAUL - Então, disse Saul a Samuel: Pequei, pois transgredi o mandamento do SENHOR e as tuas palavras; (1 Sm 15:24) Eles e muitos outros cometeram seus erros, e quem somos nós para julgarmos quem pecou mais gravemente?
 
A diferença está na atitude, que fez de David um homem segundo o coração do Eterno (At 13:22)
 
Sl 32:5 - Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri; dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado. Vejamos e aprendamos com a oração do rei David:
 
Sl 51:1-13 - Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado.Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos é mal, para que sejas justificado quando falares e puro quando julgares. Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe. Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria.Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste. Esconde a tua face dos meus pecados e apaga todas as minhas iniqüidades.Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença e não retires de mim o teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da tua salvação e sustém-me com um espírito voluntário. Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores a ti se converterão.
 
Quem sabe se tivermos o espírito de David, rei, homem, pecador, de coração sincero, e formos capazes de aproveitar que O REI ESTÁ NO CAMPO, o Eterno faça de nós como fez de David; um homem capaz de ensinar aos transgressores os Teus caminhos, e fazer com que os Pecadores a Ti se convertam.

quarta-feira, agosto 07, 2013

Elul: Reflexão, Arrependimento e Perdão

 
 
Como já sabemos, Elul, o último mês do calendário judaico nos evoca a um período de reflexão sobre nossos erros, arrependimento e a busca pelo perdão. Nos 40 dias que há entre o início de Elul e o dia de Yom Kipur devemos nos aplicar à essa reflexão. Mas quem nos absolve? quem nos condena? Que tipo de sentimentos devem estar dentro de cada um de nós?
 
Ec 7:20 - Na verdade, não há homem justo sobre a terra, que faça bem e nunca peque.
 
Na Brit Chadashah lemos: Rm 3:23,24 - Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há no Mashiach Yeshua.
 
É evidente que todos somos pecadores, que sempre vemos o pecado alheio como mais grave que o nosso próprio, e juntos, todos carecemos do perdão Divino. Perdão este que só vem através do derramamento de sangue, conforme Lv 17:11 (porque é o sangue que fará expiação pela alma) e Hb 9:22 (sem derramamento de sangue não há remissão de pecados).
 
Por isso Shaul HaShaliach, em sua carta aos Romanos, nos diz que somos justificados pela redenção que há no Mashiach. Uma vez entendendo este aspecto do perdão, vamos analisar dois personagens: Kefah e Yehudah (Pedro e Judas).
 
Pedro, bom discípulo, meio impetuoso, mas sempre firme e fiel, num momento de dificuldade do Mashiach, lhe disse: “Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.” Yeshua o alertou e disse: “Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negará.” E Pedro ainda respondeu: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, não te negarei.” (Mt 26:33-35)
 
Sim, ele estava convicto, era um bom servo, exemplo, mas tinha um defeito: Pedro era “confiante demais de que nunca erraria” e esse é o defeito de muitos de nós: excesso de auto-confiança.
Basta observarmos quantas vezes dizemos (ou ouvimos alguém dizer): “Eu posso ter todos os defeitos, mas tal coisa eu NUNCA FARIA” normalmente no momento em que alguém comete o tal erro.
A verdade é que não sabemos, não somos infalíveis, e que, como seres humanos, pecamos. Shaul HaShaliach disse: Rm 7:14,15 - “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto.
 
A verdade é que, mesmo tendo sido avisado, Pedro NEGOU a Yeshua, por três vezes seguidas, e na terceira vez, o galo imediatamente cantou. (Mt 26:69-74) Foi como um toque do shofar em Elul, o despertou do erro, do seu pecado. C
omo pode ser? Eu neguei Yeshua três vezes, não acredito! Como vou conviver com essa culpa? De certo dezenas de coisas passaram pela cabeça de um agora atormentado Pedro. E o que ele fez?
Mt 26:75 - E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente.
 
Num outro texto, em João, já após a ressurreição de Yeshua, os dois se reencontram, e o Mestre faz então, por três vezes a mesma pergunta: “Tu me amas?” E Pedro respondeu: “Tu sabes que eu te amo” E Yeshua conclui: “Então apascenta minhas ovelhas”
Isso representa que pelas mesmas três vezes que Pedro houvera negado o Mestre, veio-lhe o arrependimento sincero, e Yeshua fez com que vissem que sim, apesar de tê-lo negado, Pedro O amava, e foi digno de ser escolhido para “apascentar as ovelhas”
Mais do que meramente uma estorinha, isso mostra que um pecador, arrependido de seus erros, pode ser útil a tal ponto de cuidar do rebanho do Mestre.
 
Agora vamos entender Judas, o que ele fez? Ele havia vendido o Mestre, o traído com um beijo, (Mt 26:14,15,48,49,50) e viu Yeshua ser levado pelos guardas para a prisão. Mesmo antes da morte de Yeshua, Judas se deu conta do tamanho do erro que cometera, e o texto diz:
Mt 27: 3,4 - Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo.
 
Os ancião falaram certo a Judas: “Isso é contigo. O que você vai fazer com seu erro, agora não é problema nosso, é teu.”
Aquilo que fazemos com nossos erros é problema nosso. E nisso há dois caminhos: buscar o perdão Divino, através do arrependimento sincero, da confissão e de abandonar o erro, ou fugir, mas para onde?
 
O único lugar encontrado por Judas para fugir de seus erros foi a forca, onde encontrou a morte.
Mt 27: 5 - E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar.
Infelizmente, ele não encontrou lugar (em si mesmo) para arrependimento e essa é a diferença básica entre as atitudes de Pedro e Judas. Pois qual o pecado foi maior? Ambos traíram o Mestre, Pedro ainda foi avisado antes, quer dizer, poderia se previnir, se cuidar, evitar o pecado, mas não conseguiu.
 
Elul é nossa oportunidade de buscar o sincero arrependimento, o perdão dos pecados, e saber que sim, ele é possível:
1 Jo 2:1,2 - Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Yeshua HaMashiach, haTsadik; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.
 
Que esse período de reflexão possa conduzir a todos nós na direção de um sincero arrependimento, e como Pedro, possamos ouvir o galo cantar (ou o som do shofar a ecoar) e encontrarmos espaço para um perdão de nossos pecados. Quem sabe, mesmo que sejamos todos injustos, o Eterno em Sua infinita misericórdia nos conceda o perdão, através do derramamento do sangue do Cordeiro perfeito. Que assim seja!

segunda-feira, abril 15, 2013

Nem tudo são flores! Às vezes, lágrimas insistem em descer pelos olhos...




Nessa segunda-feira, nosso último dia em Jerusalém amanheceu com muito sol e calor. Não dormi direito, atormentado por um sonho, ou melhor, pesadelo bem desagradável. Despertei com as risadas de meus companheiros de quarto, que acordaram com disposição. 
Hoje levante disposto a ir logo cedo ao Kotel, sozinho, pra um reencontro com o Eterno. Pra tentar ouvir Sua voz, aquietar meu coração, pois uma série de coisas me atormentam. Apesar da felicidade por estar em Jerusalém, e de saber que muitas das preces que coloquei no muro, diante dEle, já foram ou serão atendidas, eu precisava de um tempo sozinho.
Não é fácil a saudade da família, da esposa, dos filhos, de quem eu sei que realmente me ama, e de alguns amigos que são como irmãos. Por outro lado, não é fácil sentir-se abandonado, sem apoio e ser ignorado, apesar de todo o esforço.
Pouco antes de chegar no Muro, dou de cara com um rosto conhecido, um senhor que já fora membro da CINA, Mordechai, que vivia no Rio de Janeiro. Não falei com ele, estava ocupado acompanhando o grupo.



Cheguei ao Kotel, disposto mais a ouvir do que a falar. Logo de cara, presenciei um bar mitsva e mulheres que se aglomeravam do lado feminino para acompanhar a cerimônia do filho, sobrinho, irmão, amigo e logo elas jogavam suas balinhas na direção do jovem que acabara de ler a Torah pela primeira vez no Kotel. 
Depois, fui na parte interna, pois o calor do sol me castigava lá fora. Lá, poucas pessoas rezavam e eu pude escolher um bom lugar junto ao muro. Rezei, pranteei, e é engraçado como em certos momentos faltam as palavras, e tudo que se pode dizer é: “Senhor, Tu sabes o que se passa no meu coração, me ajuda!”
Ao sair, sou abordado por um senhor, magro, simples, peots grandes, Moshe Cohen, que me chama e diz:
- Ei, Tsadik, sinto que precisa de uma brachá, está com semblante triste. Ani Cohen, (eu sou um cohen) posso fazer uma brachá sobre voce? 
Sei como é no Kotel, muitos fazem a brachá e depois pedem tsedakah, e entao respondi: “Não posso, não tenho dinheiro para tsedakah”. E logo veio a resposta:
- Eu não quero sua tsedakah, quero te abençoar tsadik!
Então deixei, ele fez a brachá, perguntou o nome de meus filhos, e pronunciou as palavras sobre minha cabeça. Ao me despedir dele, agradeci e já caminhava quando ele grita:
- Ei, Moshe, ergue a cabeça e sorria, não fique triste!
Minha vontade era de dizer: “lamento, mas hoje não consigo sorrir” mas, meio sem graça, sorri, e logo em seguida, soou a sirene para um minuto de silêncio e, parado, lamentei a morte dos valorosos soldados anônimos israelitas que lutaram por um povo livre.

Voltei para o hotel, e procurei algum salmo que expressasse o que sinto em meu coração hoje; Tomo as palavras do poeta e salmista e quero compartilhar aqui com amigos:
“Ao SENHOR ergo a minha voz e clamo, com a minha voz suplico ao SENHOR.  Derramo perante ele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação. Quando dentro de mim me esmorece o espírito, conheces a minha vereda. No caminho em que ando, me ocultam armadilha.
Olha à minha direita e vê, pois não há quem me reconheça, nenhum lugar de refúgio, ninguém que por mim se interesse.
A ti clamo, SENHOR, e digo: tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes. Atende o meu clamor, pois me vejo muito fraco. Livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu. Tira a minha alma do cárcere, para que eu dê graças ao teu nome; os justos me rodearão, quando me fizeres esse bem...
...dentro de mim esmorece o meu espírito, e o coração se vê turbado. Lembro-me dos dias de outrora, penso em todos os teus feitos e considero nas obras das tuas mãos. A ti levanto as mãos; a minha alma anseia por ti, como terra sedenta.
Dá-te pressa, SENHOR, em responder-me; o espírito me desfalece; não me escondas a tua face, para que eu não me torne como os que baixam à cova. Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma.” (Sl 142 e 143)

Concluo com as palavras de uma canção que amo e sempre dedico à minha amada esposa: “depois de tanto caminhar, depois de quase desistir, os mesmos pés cansados voltam pra você...”