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terça-feira, novembro 24, 2015

Israel - Mr Bombastic! O Homem que parou o Kotel!



Não costumo fazer postagens sobre tudo o que acontece em nossas viagens a Israel, primeiro porque não dá tempo e segundo, gosto que as pessoas possam imaginar através das fotos, tudo de bom que é esse lugar santo. Mas hoje não dá! Tenho que compartilhar algo inédito que vivi  aqui.

Bem, eu e meus amigos, Hillel, Nilder e Dilma, hoje visitamos vários lugares, como sempre, e na parte da tarde, fomos ao Kotel rezar e fazer fotos. Até aí, tudo normal.
Eis que logo na entrada, como todo turista, meus amigos querem fotos com soldados do exército de Israel. Então, lá foram eles. Os incentivei a irem sozinho e tentarem a sorte. Chegaram a um grupo e pediram, e logo foram atendidos. Fotos feitas, vamos rezar, certo? Errado! Errado! Errado!

Bem, de fato fomos rezar, mas eis que meu amigo Nilder esqueceu sua bolsa ao lado de onde estava a jovem militar que saiu gentilmente nas fotos com eles. Saímos, rezamos, dançaram com os breslov, e fomos embora do Kotel... passamos pelo Cardo, fizemos e aí, a dona Dilma pergunta ao marido: Cadê sua bolsa? 
Em desespero voltamos correndo, eu, o Nilder e o Hillel. Mais de uma hora depois será que acharíamos a bolsa? Tinha que achar, pois dentro dela estavam os passaportes do casal, e mais um monte de coisas, HD externo, cabos, carregadores, etc... era urgente recuperá-la. 
Meio ofegantes chegamos, mas a novidade surgiu. O Kotel, plena cinco da tarde, estava fechado! Todo mundo do lado de fora, lá dentro ninguém, só policiais! Eu achei que era alguma atividade, um evento militar. Ou quem sabe algum presidente! Mas o fato é que estava totalmente fechado, todos os acessos. 

Pedi a policiais para me deixarem entrar, que meu amigo tinha esquecido a bolsa dele, com os documentos lá dentro. Até que um policial me mostra uma foto no celular. A bolsa é essa? Respondo que não sei, é meio parecida. 
Outra policial fala comigo: “Senhor, como é a bolsa?” Eu digo, preta, meio social, tamanho assim e etc... e aí escutamos uma explosão forte! Buuuummmmm! Todos trememos, escuta-se o silêncio entre a multidão que queria entrar no Kotel. E aí a policial olha pra mim e diz: “Sinto muito mas acho que sua bolsa explodiu!”

Em minutos, já me pedem pra acompanhar outro militar, e o Kotel ainda fechado, somos o centro das atenções. Ao entrar, eis que encontro a tal bolsa do Nilder, literalmente despedaçada! Um cheiro forte de explosivo, pólvora pura! Coração a mil! 
Ansioso já começo a pensar em procurar o consulado brasileiro, pedir novos passaportes de emergência, pedir desculpas aos militares (sim, mobilizamos um aparato enorme do exército de Israel) 
O policial fala comigo, e pede que eu abra a bolsa e tente confirmar se era mesmo do meu companheiro de viagem. Em meio à fumaça, achamos o passaporte da Dilma (esposa do Nilder) e confirmo. Depois, pedaços do HD, cabos arrebentados... enfim, tudo arrebentado. Achamos o passaporte dele também, graças ao Eterno. 
Passado o susto, peço desculpas ao policial por ter causado tamanho transtorno (você imagina o que é fechar o Kotel em plena tarde?) e espero a bronca dele e ele me dizer qual seria o prejuizo, quanto teríamos que pagar. 

Nisso, o Kotel ainda fechado, e uma multidão nos olhando pelas portas de acesso. Nilder feliz pelo passaporte, mas já preocupado. E o policial vem com um papel conversar comigo.  Incrivelmente calmo, ele me explica os procedimentos:
- Senhor, pedimos desculpas por ter explodido a bolsa, sei que tiveram um prejuizo financeiro; essa folha aqui, anotamos  as perdas de voces. Agora vocês levam isso em tal endereço aqui em Jerusalém e o governo de Israel vai ressarcir voces pelo prejuízo. 
Absolutamente estupefato, olho e digo ao policial: “vocês é que devem nos perdoar, lamentamos profundamente o prejuizo de Israel, e foi uma falha completamente involuntária, quando apenas queríamos fazer fotos ao lado dos militares.” Ouço como resposta: “tudo bem, o senhor entendeu o procedimento pra receber de volta o ressarcimento?” Sim! Então ele me diz: “mais uma vez, nos desculpe!” 

Outro policial diz: “De onde vocês são?” Do Brasil! E ele: “No Brasil qualquer criança poderia ter pego a bolsa de voces com tranquilidade, mas aqui, temos que explodir” 

Saimos, ainda enquanto nosso coração disparado tentava voltar ao ritmo normal, ao mesmo tempo em que os portões eram reabertos e o Kotel voltava ao seu ritmo de orações, pulsando o coração do Eterno e de um povo que busca Sua Santidade. 

Foi uma experiência única! Certamente somos os primeiros a dizer: “Paramos o Kotel” mas, graças à misericórdia do Eterno, era apenas uma bolsa! E Ele protegeu os passaportes!

Aproveito para dizer a todos que, apesar dos ataques terroristas AM ISRAEL CHAI! O Povo de Israel vive! E vive feliz!
Sigamos rezando para que o Eterno, Bendito Seja Ele, possa trazer a paz sobre nós e sobre todo o povo de Israel!

sexta-feira, junho 19, 2015

Reflexão: Israel só para mulheres!


Pv 31:30- “Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada.”

Depois de onze dias em viagem só com um pequeno grupo de mulheres pela Terra Santa de Israel, ao retornar, sempre é tempo de reflexão sobre o que deu certo e o que deu errado.

Em primeiro lugar devo dizer que ir a Israel é uma mitsva, um mandamento, e cumprir a peregrinação é também realizar um sonho para muita gente. Sonho que sempre valerá a pena!

O que deu errado? Nada, absolutamente nada. A viagem foi perfeita, os dias de calor, com as noites com o frio tradicional noturno de Jerusalém, a ida ao festival de luzes, os passeios, etc... enfim, tudo deu certo. 

De todas as viagens, posso constatar algo importante: não há empecilhos para quem realmente quer ir. Nesse grupo tive a oportunidade de trabalhar com os dois extremos. Levei a senhora Denis Carraro, de 76 anos, e a pequena Aidel Angélica, de um ano e meio. Ambas suportaram todos os passeios, as caminhadas, o calor, o frio, e sempre tinham um sorriso no rosto. Cansaço? Claro, todos sentimos, mas elas mostraram que é possivel.

Ter trabalhado só com mulheres nesse grupo foi um privilégio, pois atender às necessidades de cada uma não é tarefa das mais fáceis. 
Lá tivemos a Manoela, psicóloga, fazendo doutorado e morando em Cambrigde, na Inglaterra. Sedenta por conhecimento, queria muitas informações, mas sempre absorvendo o máximo de cada passeio, pôde experimentar desde andar sobre o camelo até assentar-se na cadeira de um deputado no parlamento de Israel, o Knesset.
A Mirian, que quase não foi, devido a alguns problemas, foi uma senhora companheira e falante, também professora sempre fala né? Outra que suportou bem os passeios e compartilhou seu conhecimento com as demais, durante a visita ao templo bahai, em Haifa. 
A Claudete, também de Joinville, super companhia e ajudante nas horas de carregar a pequena Aidel no colo; se dizia toda atrapalhada, mas foi bem a viagem toda, apesar de termos que lidar com papelada, carrega passaporte pra lá e pra cá, papel de permissão de entrada em Israel, passagens... até eu me confundo tem hora. Só não quis subir no camelo, mas de resto, fez tudo.
Claro, ainda tivemos a Eliana, minha esposa, que ajudava a todas com as fotos, ajudava a compartilhar com os parentes que ficaram no Brasil, falava com todo mundo, e claro, se emocionava e chorava junto com elas nos momentos da peregrinação. 

Jerusalém é sempre mágica, especial, e pudemos desfrutar de vários lugares, como os Túneis do Muro, o Monte das Oliveiras, o Knesset, o Museu do holocausto, que foi um lugar especialíssimo, onde passamos nossa manhã e metade da tarde da sexta-feira. 
Tivemos ainda a palestra com o Ariel Klimer, em Tiberiades, no Hotel Museu Dona Gracia. Foram duas horas de conversa e emoção, sempre com lágrimas nos olhos, como é próprio das mulheres. O ensino foi muito produtivo em todos lugares, mas ali, as lágrimas rolaram soltas para todas elas. 

O texto de provérbios 31:30 fala da mulher que será louvada: aquela que teme ao Senhor... Isso não deve ser apenas de palavras, mas de coração, de devoção, de entendimento. Foi isso que essas valorosas mulheres buscaram nessa peregrinação especial pela Terra Santa, e acredito que pudemos proporcionar a elas momentos inesquecíveis. 

Vem aí, no ano que vem, a segunda caravana só para mulheres, e esperamos que possa ser também recheada de momentos especiais vividos por aquelas que tem o coração tocado pelo amor e temor ao Eterno. 

Valeu muito a pena, sempre valerá a pena ir a Israel. E como diz o salmista: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do SENHOR. Pararam os nossos pés junto às tuas portas, ó Jerusalém!...Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam. Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios. Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: haja paz em ti! Por amor da Casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei o teu bem.”(Sl 122)

*** Se você quiser participar da proxima viagem exclusiva só para mulheres, entre em contato e comece desde já a vivenciar esses momentos de santidade, desde a preparação até o encontro pessoal com Deus, lá, em Jerusalém.

Leshana Rabá beYerushalayim! No Ano que vem em Jerusalém!

quarta-feira, julho 09, 2014

Reflexões para o dia. Teu povo, meu povo (Parte 3)? "Leman achai Vereai..."



“Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gn 12:3)

Seria impossível não falar da Copa do Mundo hoje não é mesmo? Pois é, Brasil finalmente eliminado, e que bom, mas falarei sobre isso amanhã, porque hoje temos coisas mais importantes acontecendo...

A situação em Israel tem se agravado a cada dia e infelizmente não vejo que as pessoas se preocupam com isso, tanto quanto sete gols causam tristeza e revolta. 
A Torah diz: “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”. Palavras do Eterno falando a Avraham, mas vejamos, quem são os descendentes de Avraham? Ishmael e Itschak. 
Em Gn 16 temos a situação “profetizada”, quando Agar, serva de Sarai, foi dada por mulher ao patriarca, para que se cumprisse a promessa de que ele seria pai de uma grande nação. Agar, ficando grávida, menosprezou sua senhora Sarai. Acabou  fugindo, e o Anjo do Senhor disse a ela: “Torma-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos”E disse mais: “Seu filho será chamado Ishmael (Deus ouve) e ele será homem bravo; sua mão será contra todos e a mão de todos contra ele...”
Depois, Itschak, o filho da promessa (Gn 17:19; Rm 9:7) também foi pai de Esaú e Jacob, pelo qual nasceu o povo de Israel. 

Em primeiro lugar, cabe salientar que não existe um “povo palestino”, e são árabes, expulsos da Jordânia, mas árabes, e há mais de uma dezena de países árabes em torno de Israel, países estes que poderiam acolher tranquilamente “seus irmãos” se o quisessem; mas não, expressam a necessidade de aniquilar a Israel. A felicidade deles depende da aniquilação de Israel, e não de um espaço de terra que possa ser chamado de sua pátria. 

Já estivemos muitas vezes em Israel e sabemos que sempre houveram ataques de Gaza na direção de Israel. De vez em quando, do nada, vinha uma pedrada, um míssel, e uma cutucada imbecil. (Claro que a mídia não mostra) Mas e quando essa situação começou a se agravar?

Em abril desse ano, o presidente Palestino (que nem sequer é um país, e como podem ter presidente se não existe país?) Mahmoud  Abbas, que pertence a uma facção chamada Fattah fez um acordo de paz com a outra facção, chamada Hamas, só que o Hamas é visto por Israel e pelo mundo não como um partido político, mas uma organização terrorista. 
Mesmo alertado por Israel, o acordo foi feito, e então as negociações por um processo de paz, que já eram frágeis, ruiram de vez, pois como Israel iria negociar paz com um partido que se associa com um grupo terrorista cujo único objetivo é destruir Israel? 

Nessa pausa do processo de paz, o Hamas ganhou força, obviamente, e como já dominava a faixa de Gaza, tenta estender seus tentáculos na direção da Cisjordânia, e até que chegamos ao dia 12 de junho de 2014. 

12 de junho não foi importante por ser o dia dos namorados, mas porque nessa data foram sequestrados os três jovens judeus, estudantes de uma Yeshiva em Hebrom. A partir daí Eyal, Gilat e Naftali se tornaram um símbolo para o povo judeu, e toda a nação se mobilizou na busca pelos três, com a campanha #Bring Back Our Boys. A esperança uniu ainda mais os judeus do mundo todo, na ansiedade de reencontrá-los com vida. 
Israel acusou o Hamas de serem os culpados... e mesmo dizendo-se inocentes, o Hamas e a faixa de Gaza toda, festejavam o sequestro, com fogos de artifício, bolos e alegria total (quem festeja um sequestro de jovens inocentes???) 
Para a tristeza de todos os judeus, os jovens foram encontrados mortos, queimados, na mesma região de Hebrom, justamente num terreno que pertencia à família de um dos palestinos acusados por Israel. Isso ocorreu no fim de junho. O sepultamento dos três causou uma comoção nacional, com milhares de judeus presentes. 

Claro, com tamanha dor, isso causa-nos uma revolta. O revide veio com o assassinato de um jovem palestino em Jerusalém... e isso bastou para que o Hamas quisesse “vingança”, mas como assim, vingança, se quem matou TRÊS jovens inocentes foram eles? 

Aí chegamos ao que estamos vivenciando hoje... mísseis foram lançados, Israel intercepta, mas revida, e isso causa no noticiário internacional mais notícias anti-semitas, dizendo que Israel foi desproporcional, etc... e dá força ao Hamas, que lança mísseis maiores e mais potentes. (Até dias atrás os mísseis do Hamas tinham alcance de cerca de 40 km, hoje atingem faixas de até 100 km de distância) 
Israel convocou mais de 40 mil reservistas, e planeja invasão terrestre. O Hamas diz que a partir de agora qualquer alvo em Israel se torna legítimo para eles... e milhões de israelenses inocentes são obrigados a se refugiarem em abrigos anti-misseis. 

Amigos, não se iludam, a coisa está séria, grave! Sirenes são soadas em Jerusalém e Tel Aviv, anunciando que mísseis estão vindo nessa direção e o povo é orientado a se esconder em abrigos. 

Até onde vai? Não sei, mas é bom ficarmos atentos, afinal Israel é nosso povo, e “teu povo é meu povo”. 
Nada vai melhorar se “Agar não se humilhar diante de Sara” se Ishmael não reconhecer que Itschak é o filho da promessa e Deus está com Israel. 

“Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos aqueles que te amam. Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios. Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: haja paz em ti! Por amor da Casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei o teu bem.” (Sl 122:6-9)


*** A imagem que usei é de um link de um canal pelo qual tenho acompanhado as noticias 24 horas de Israel. O canal é de lá, então não tem distorção de noticias...  o link é:
 http://www.i24news.tv/en/tv/live

quinta-feira, junho 05, 2014

Reflexões para o dia. Sinagogar




Lc 4:16 “Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.” 

Desde tempos remotos para todo judeu, shabat é dia de frequentar a sinagoga. Não consigo entender alguém que se diz israelita não frequentar a sinagoga (exceto os isolados, que não tem sinagoga por perto). Você pode não gostar do rabino, das explanações de parashah, dessa ou daquela pessoa, mas isso não tira de você a obrigação de cumprir a mitsva da “santa convocação semanal”

Todo dia, quando rezo pela manhã, há uma das preces do shacharit que diz algo que aprendi a valorizar, e diz: "Que felizes somos; quão boa é a nossa parte e quão agradável é o que nos coube em sorte! Quão bela é a nossa herança; bem-aventurados somos nós que, tanto pela manhã cedo, como à tarde, frequentamos as sinagogas e as casas de estudo, proclamando a unidade do Teu Nome, repetindo diariamente, duas vezes, com fervoroso amor: "Shemah Yisrael, Adonai Elohenu, Adonai Echad..." (Sidur, pagina 31)

Como tenho falado nos ultimos dias recordando a nossa recente viagem a Israel, na sexta-feira tudo fecha mais cedo em Jerusalém e duas, três da tarde já a cidade fica deserta em seus bairros judaicos, e todos se preparam para receber o shabat.  Como estávamos num hotel “ortodoxo” no fim da tarde, ao regressar para o quarto, no lobby e na saída do elevador havia muitos kits, com caixas de fósforos e um par de velas para quem quisesse acender as luzes do shabat no quarto. (Imagino agora, que os hóspedes que não eram judeus não deviam entender nada daquilo).

Depois de acendermos as velas do shabat, era hora de rumarmos para a Grande Sinagoga de Jerusalém. Durante o trajeto, ruas vazias, já não havia trem, ônibus e barulhos, só a quietude anunciando que era chegado o shabat. 

Ao chegarmos, logo pegamos os sidurim e nos assentamos. Aí lembre-me da primeira vez que lá estive há vários anos atrás. Estava tão deslumbrado que mal prestava atenção à liturgia, e também, não conseguia acompanhar no sidur em que página estava. (Obviamente, sidur lá, só no hebraico) 
Hoje, ao chegar, já sinto-me parte do serviço, posso chegar atrasado ou adiantado, já consigo acompanhar o serviço tranquilamente, e rezar junto.
Aí me lembro que essa é uma reclamação de muita gente, que não consegue acompanhar a liturgia... e eu fico me questionando: será que essa pessoa quer mesmo acompanhar? Será que ela está se esforçando? Em nossos serviços é muito fácil acompanhar, uma vez que o chazan informa sempre qual página está e qual reza, e ainda tem a transliteração do texto e a tradução, o que facilita muito, mas, voltando ao assunto...

Shabat, cabalat shabat na Grande Sinagoga de Jerusalém, só vai fazer sentido se você reza o cabalat, o shacharit, na sua sinagoga aqui no Brasil. A devoção no serviço lá, só se mostrará verdadeira se você se deixa levar pela devoção no shabat aqui. 
Sim, lá provavelmente é mais bonito. Não apenas porque o chazan é mais afinado, tem um coral cantando junto, a sinagoga é espaçosa, confortável... mas porque lá é Jerusalém né gente, e tudo contribui para a santidade desse dia sagrado. 

Esse ano foi interessante, porque quando o serviço acabou, fomos ficando por lá, ficando, ficando e quando vimos, as luzes já estavam se apagando e a porta principal fora fechada. Tivemos que sair pela porta lateral e fomos dos últimos a deixar a Sinagoga. 

No shabat seguinte, fizemos nosso breve shacharit nas ruínas da sinagoga de Cafarnaum, às margens do Mar da Galileia,  e foi-me inevitável refletir acerca de Yeshua, nosso rabino, mestre que há dois mil anos, naquela região, também costumava rezar no shabat nas sinagogas que ali havia. 
Ora, se somos hoje seus discípulos e somos recomendados a imitá-lo, então é nosso dever, a cada shabat, procurarmos estar na sinagoga, rezando, estudando a Torah e nos saciando do espírito do shabat. 

Não importa pessoas, não importa se gosto ou não de tal chazan, se o líder é meu amigo, enfim, shabat é shabat, seja aqui ou em Jerusalém. E atender à santa convocação é cumprir uma mitsvah, portanto, sem arrumar desculpas, deixe-se contagiar pelo espírito do shabat. Acenda suas velas ao fim da sexta-feira e que essa luz de ilumine.

*** A propósito, a Grande Sinagoga de Jerusalém foi fundada em 1982, no dia 15 de Av, e tem capacidade para acomodar 850 homens no pavimento inferior e mais 550 mulheres no pavimento superior a cada serviço. Seu chazan, Chaim Adler é um grande cantor lírico e um dos mais famosos chazanim do mundo. 

segunda-feira, junho 02, 2014

Reflexões para o dia. O velho muro



2 Cr 7:15:16 “Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar. Porque escolhi e santifiquei esta casa, para que nela esteja o meu nome perpetuamente; nela, estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias.” 

Cada pessoa tem seu lugar preferido no mundo. Uns preferem Paris, outros Nova York, outros Rio de Janeiro, Curitiba, uns preferem praias, outros fazenda, outros shopping centers, mas há um lugar especial na Terra, que vai muito além de todos estes citados. É o lugar onde D-us habita. Mas que lugar é esse?
Você pode chamá-lo de “Muro das Lamentações”, Muro Ocidental, Wailing Wall, Western Wall, ou simplesmente, Kotel,  como os judeus o chamam, mas independente do nome que as pessoas dão, podemos chamá-lo de “Casa de Deus”.

Numa peregrinação a Israel é possível aprender muitos sobre dados históricos, quando foi construído isso ou aquilo, e muitas dessas coisas você pode aprender com o Google, mas não há nada mais fantástico de que a sensação de tocar nesse muro. Aí, nesse momento, todas as aulas de história ficam pra trás, e somos tomados pelo sentimento único de que estamos diante da Casa de D-us. 
A cada nova caravana que organizo, que levo para Israel, tenho a oportunidade de me reencontrar com os lugares sagrados, e estar no Kotel nunca foi motivo para “lamentações”, mas sempre de gratidão ao Eterno por me conceder a oportunidade de lá estar novamente. Lá, tenho meu “cantinho”, meu “ritual”, quando na parte interna posso pegar uma cadeira, um livro de tehilim (salmos) e me assento, calmamente leio, depois me levanto e vou ao muro fazer uma prece. Faço isso por diversas vezes, a cada uma delas lendo um salmo e rezando por diferentes razões, e sim, sinto que minhas preces são sempre ouvidas e atendidas. Não raras vezes vi eu pedir por alguém, e ao chegar de volta ao hotel, a pessoa me dizer que já tinha recebido a sua bênção. 

Mas por quê disso tudo? Porque foi Ele próprio quem disse a Salomão,  “Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar. Porque escolhi e santifiquei esta casa, para que nela esteja o meu nome perpetuamente; nela, estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias.” Não importa o fato de o Templo ter sido derrubado por duas vezes, o muro ainda está lá, ainda resiste, como um sinal de que D-us está naquele lugar. 

Muitos dizem: “ah, é meu sonho ir pra Israel” mas não se mexem para transformar o sonho em realidade. As coisas são muito relativas nessa vida. Por que “não podem” ir a Israel? Ah é caro! Será? Hoje todo mundo anda de carro novo, financiado em 60 meses, pagando ao final o dobro do valor, com parcelas de no mínimo 700 reais e não tem dinheiro pra ir a Israel... basta ver quais são nossas prioridades. 

É a necessidade de Deus que nos faz ir a Israel. É a necessidade de tocar a Casa de Deus, de sentir que Ele está ali, ouvindo nossas orações, que nos faz viajar por mais de doze horas de avião (mesmo tendo medo). 

O salmista diz: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do SENHOR. Pararam os nossos pés junto às tuas portas, ó Jerusalém! Jerusalém, que estás construída como cidade compacta, para onde sobem as tribos, as tribos do SENHOR, como convém a Israel, para renderem graças ao nome do SENHOR. Lá estão os tronos de justiça, os tronos da casa de Davi. Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam.” (Sl 122)


Não, a Casa do Senhor não é a igreja ou a sinagoga, mas Jerusalém. Quando Davi escreveu este salmo, não existia o Templo (construído posteriormente por Salomão, seu filho) mas Jerusalém já era o lugar da habitação do Eterno. E ele diz: “sejam prósperos aqueles que te amam.” Como podemos dizer que amamos um lugar que sequer conhecemos? Como amaremos Jerusalém se não vemos importância em um dia, pelo menos uma vez na vida, irmos até lá? 
Uma comparação simples: Você ama sua esposa? Filhos? Claro que sim! Se um deles ficar doente, você é capaz de vender seu carro, casa, e pagar o melhor médico para o tratamento. Agora reflita: “Você ama Jerusalém?” 

Não importa onde estejamos, se de fato amamos Jerusalém, trabalharemos incansavelmente para um dia estarmos lá, para dizermos: “Senhor, estou aqui na Tua Casa, no lugar onde Tu disseste que seus olhos estariam atentos e seu coração voltado para cá todos os dias... ouve minha prece.”

O Muro de Jerusalém certamente não é o mais belo dos lugares, não tem a beleza de Paris, nem o brilho e as luzes de Nova York, mas certamente é o lugar onde teremos nosso mais precioso encontro com alguém: o Criador do Universo. Porque como diz um quadro fixado na entrada da área do Kotel: “A presença divina nunca se move deste lugar.”

sexta-feira, maio 30, 2014

Reflexões para o dia. Quem governa?




Pv 8:16 “Por meu intermédio, governam os príncipes, os nobres e todos os juízes da terra.” 

Em algumas de nossas viagens a Israel, conseguimos ir além de uma simples vista do Knesset, o parlamento de Israel. Conseguimos entrar, e nesse caso, temos ali uma aula de como funciona o Estado, os políticos, o sistema que, apesar de ser um governo democrático, ainda mantém certos sinais religiosos e símbolos, que misturam a bíblia com o modernismo; enfim, coisas de um povo milenar. 

Dentre as muitas coisas que vemos no Knesset, estão as obras do artista Marc Chagal, um judeu que viveu na diáspora, entre julho de 1887 e março de 1985, mas que estava ciente de sua responsabilidade para com o seu povo. Chamado a criar obras para embelezar o Knesset, não apenas as fez, mas doou sua arte que fica gravada no local onde discursam muitos líderes internacionais. Seus três enormes tapetes, expostos numa grande parede retratam o passado, presente e futuro de Israel, mostrando aspectos bíblicos, como o Rei Davi e claro, Moshê, e modernos como o exército que lutava por Israel. No tapete do futuro, lá está a profecia de Isaías, com vaca e ursa pastando juntas, o menino pequeno guiando os animais ferozes...

A visita ao Knesset também nos mostra o sistema de governo (única democracia na região) com seus 120 deputados (como na Grande Assembléia) se reunindo na grande sala, com suas cadeiras dispostas em formato de menorah. Só para que se tenha uma idéia, a democracia de Israel inclui desde partidos religiosos ultra-ortodoxos, até partidos liberais e árabes. Uma das últimas leis aprovadas foi a liberação da união civil dos gays. Agora imagine a discussão entre deputados liberais e os ultra-ortodoxos acerca do assunto. Lá também há infelizmente casos de maus políticos, corruptos e recentemente foi condenado a oito anos de prisão o ex-primeiro ministro Ehud Olmert (diferente daqui, lá ele cumprirá a pena em regime fechado). 

Isso nos leva a refletir sobre algo comum, especialmente em nosso país, que é maldizer aos políticos, à classe governante e trabalharmos contra o governo. O sábio Rabi Haniná, 'segan' (assistente) dos sacerdotes dizia: reza pela prosperidade daqueles que estão à frente do Estado, pois sem o seu temor os homens devorar-se-iam.” (Pirkê Avot 3:1)
Muito embora não seja prática da Congregação Israelita tomar partido em nome deste ou daquele político, devemos seguir a recomendação do sábio e rezar para que o governo de nosso país, estado e cidade sejam sempre bons e prósperos. 
O sábio rei Shlomo disse (em referência ao Eterno): “Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria, eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza. Por meu intermédio, reinam os reis, e os príncipes decretam justiça. Por meu intermédio, governam os príncipes, os nobres e todos os juízes da terra.” (Pv 8:14-16)

É nosso dever respeitar o governo, trabalhar pelo bem de nosso país e até mesmo rezarmos para que o governo seja justo. Isso independe do fato de eu defender essa ou aquela ideologia partidária. Se estão lá, não é porque o povo brasileiro é ignorante ou não sabe votar, é porque o Eterno permitiu. Se não respeitarmos as autoridades de nosso país, como iremos ensinar nossos filhos a respeitar nossa própria autoridade? Ou como um líder religioso pode exigir respeito de seus membros se ele mesmo não respeitar as autoridades?

Quando for a Israel, visite o Knesset e tenha uma aula de democracia. 

quinta-feira, maio 29, 2014

Reflexões para o dia:Yad VaShem e a desesperança


2 Rs 17:39 “Mas ao SENHOR, vosso Deus, temereis, e ele vos livrará das mãos de todos os vossos inimigos.”

A cada nova viagem que faço a Israel percebo que cada grupo tem suas particularidades, seus pontos de maior ou menor interesse. Uns gostam mais de rezar, então preferem ir mais vezes ao Kotel; outros, preferem visitar museus, outros preferem compras, etc... eu aprecio ver, conhecer e aprender coisas novas, lugares novos de Israel, que sempre me surpreende. Mas há lugares que sempre me levam a meditar profundamente sobre a humanidade.

Infelizmente o nosso mundo se divide em três partes: 
a) nossos amigos
b) nossos inimigos
c) pessoas indiferentes

Mesmo dentro da Congregação do Eterno é assim que funciona, na maioria das vezes. Amamos estar perto de algumas pessoas, de outras queremos a distância e outras, tanto faz. Raramente alguém se preocupa em nos conhecer, mas é comum julgar fulano por antipático, simpático, chato, legal, etc... sem nem ao menos conhecermos a origem, onde mora, os familiares da pessoa. Infelizmente.

E isso ocorreu entre as décadas de 30 e 40 do século passado. Nem faz tanto tempo assim, menos de 70 anos atrás, mas nosso povo foi vítima do horrendo holocausto. Dos cerca de 9 milhões de judeus que viviam na região da Europa, dois terços foram mortos, sendo três milhões de homens, dois milhões de mulheres e cerca de um milhão e meio de crianças. E por quê foram mortos? Pelo simples fato de serem judeus. 

A visita ao Museu do Holocausto é obrigatória (apesar de muitos grupos que saem do Brasil para Israel não o visitarem) e não por acaso muitos líderes mundiais visitam o Yad VaShem e lá fazem discursos contra o anti-semitismo ou lembram do sofrimento judeu.   Pode-se dizer que o “Shoah” foi um ato de Hitler, outros dizem que “os alemães” fizeram isso, etc... mas a verdade é que falta interesse em conhecer. Conhecer o povo judeu, as pessoas, e não fazer julgamentos precipitados. 



Dias atrás vimos uma mulher ser espancada até a morte no Guarujá/SP, por “populares” sendo acusada de praticar rituais de magia negra com crianças. Depois, descobriu-se que não era verdadeiro, mas na hora, quem se importa? 
Tempos atrás jovens foram presos amarrados a postes, por serem criminosos, etc... e aí vai nossa capacidade de julgamentos. 
Muito mal comparando é isso que ocorreu com Israel, ao longo dos tempos, e assim o é até os dias de hoje. Basta ver os noticiários com frases como “o exército de Israel atacou... Israel fez isso... aquilo.” Puro desconhecimento e julgamentos falhos de pessoas que influenciam a sociedade. Hitler foi apenas mais um, com alto poder de persuasão, a fazer com que a sociedade alemã visse Israel como um “verme que tinha de ser eliminado”.  

Dentre outras coisas, a visita ao Yad VaShem e ao Memorial do Holocausto em Jerusalém nos fazem perceber que Israel, naquele momento se viu desamparado de amigos, cheio de inimigos, e de nações indiferentes ao sofrimento judeu. No Yad VaShem há um quadro com a frase de um líder de determinado país, que dizia algo assim: “Nós não temos problemas raciais, não temas problemas com ninguém, então não vemos porque nos envolver nesse problema de vocês.” Pura indiferença!

Museu do Holocausto não é um lugar onde “Israel adora expor suas eternas feridas” como disse um lider árabe tempos atrás. Mas um lugar para aprendermos que a humanidade caminha por caminhos tortuosos, julga o próximo e o condena sem sequer o conhecer, e ainda convive de consciência tranquila diante de atrocidades. 

Ainda bem que há um Deus que julga na Terra. Que possamos continuar a temer ao D-us de Israel, e que em Sua infinita misericórdia, Ele nos livre das mãos dos nossos inimigos. E que dê a cada um de nós um espírito manso e humilde, que nos afasta de julgarmos injustamente ao próximo. Essa é a esperança, o resto é desesperança!

quarta-feira, maio 28, 2014

Reflexões para o dia: A esperança



Lm 3:21 “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.”

Em minha última reflexão, postada dias antes de eu ir viajar para Israel, comentei sobre acreditar em milagres, e eu creio piamente que eles acontecem. Pois bem, a viagem (sobre a qual discorrerei nos próximos dias) foi ótima, mas quero primeiramente agradecer ao Eterno por mais uma vez Ele nos ter guiado em segurança e paz, e ter atendido minhas preces. Algumas das orações colocadas nos pequenos papéis que levei (ou escrevi por lá mesmo) já foram atendidas e então isso reforça a minha visão de que Ele ouve nossas preces.

Ir a Israel é cumprir a mitsvah da peregrinação, mas é também dar uma escapada de nossa vida cotidiana cheia de compromissos e coisas que vivemos no Brasil. A ansiedade desde a compra das passagens, a contagem dos dias até o embarque, a escala na Europa (dessa vez, fomos por Roma e voltamos por Paris) a chegada a Tel Aviv, os primeiros passos rumo à Jerusalém... tudo é especial. Só quem vai pode compartilhar esse sentimento. 

Nessa viagem em especial, os companheiros estavam dispostos a caminhar bastante, e queriam conhecer mais e mais lugares, o que foi muito bom e agradável. Um deles, o Adam Klein, falou por diversas vezes aquilo que sempre digo: “as pessoas querem te perguntar como é ir a Israel, mas não dá pra dizer, elas tem que vir aqui e sentir isso.” 
Estar em Jerusalém e depois expressar com palavras tudo o que viveu e sentiu por lá, é como alguém que define sentimentos como o AMOR. Por mais que você fale bem, o amor não se expressa em meras palavras, sempre incompletas. E Jerusalém é igual, ou melhor, inigualável. 

A cada nova viagem, novos companheiros, novos sentimentos, reencontro uma antiga, porém nova Jerusalém... sempre com seus lugares históricos, mas a cada dia com novas descobertas arqueológicas, que contrastam com modernidades constantes como o trem urbano que cruza toda a cidade. 

Antes de falar da viagem propriamente, quero deixar como meditação a necessidade de você acreditar nos seus sonhos, mas acreditar e correr atrás de realizá-los. Amo viajar e sempre sonhei em ir a Israel, e agora que já fui por várias vezes, sei que é possível, quando permitimos que nossos sonhos extrapolem o limite do intransponível e se tornem realidade. Quero voltar? Claro! Tenho planos (nao apenas sonhos) para uma viagem só com mulheres. 
Quando retornei essa semana, após a primeira noite em casa, relatei à minha esposa, um sonho que tinha até nome: “Cem luzes de shabat em Israel.” De certo fui inspirado pelo trabalho dela e que já alcançou mais de 80 mulheres valiosas que acendem as velas do shabat semanalmente em casa. Cem velas seriam 50 mulheres em Israel, e tendo a Eliana como guia, para todas elas.  Quem sabe não seja essa a sua viagem?

O fato é que já tenho algumas pessoas que querem ir a Israel na próxima, e se o Eterno nos permitir, teremos muitas outras. Meu pai, Rosh Yishai ben Yehudah, que esteve conosco essa vez, falou por várias oportunidades lá que temos que organizar pelo menos duas viagens por ano. Não por lucro, por viajar, mas porque é bom para nossa vida espiritual, e para a vida espiritual de quem viaja conosco.

Se você deseja manter em sua mente aquilo que te dá esperança, mantenha Jerusalém em sua mente, e trabalhe com o objetivo de um dia colocar seus pés dentro das portas de Jerusalém, o lugar mágico onde você toca a santidade de Deus, e acredite, milagres acontecem quando você permite que desperte em você a certeza de que eles são reais e você precisa mover as águas para que ele ocorra.

terça-feira, janeiro 28, 2014

Ler é um bom remedio. Unir Israel e livros é melhor ainda


Na última sexta-feira cheguei bem adiantado para o cabalat shabat e, para passar o tempo, peguei um livro pra ler. Dentre os muitos livros da biblioteca, queria um de leitura fácil, e agradável, afinal, era só pra passar o tempo mesmo. 

Tenho nesse ano retomado o hábito de ler, e esse já foi meu terceiro livro. Espero chegar aos 15, 20 pelo menos em 2014.

Peguei esse, chamado "Meu Israel" de Sabrina Abreu. 
O livro traz a visão dessa jornalista que foi fazer um trabalho lá em Israel para a gravação de um dvd, que nunca saiu, e o ponto de vista de alguém que lá viveu por onze meses, e depois retornou pra passar mais uns dias, quando escreveu o livro.

Ao ler, fui me deparando com uma série de coisas que eu mesmo já havia vivido lá em Israel, e lugares que eu havia visitado. A Sabrina traz nesse livro a visão que ela teve de muitos lugares e de pessoas que conheceu, trazendo uma visão ao mesmo tempo comum (para mim) e diferente, diferente daquilo que grupos de turistas possuem ao visitar Israel. 

A certo ponto do livro ela fala da experiência de estar num lugar e ver os vários grupos de turistas que passam, ouvem explicações do guia e seguem, visitando o máximo de lugares possível, porém, sem desfrutar de nenhum deles. E ela diz que é impossivel conhecer um país em um ano, que dirá 30 dias (ou 10, 12 que a maioria dos turistas fazem) e é verdade. Ja estive lá por várias vezes e a cada ano, experimento situações novas, lugares e histórias novas. 

No livro, ela fala de vários lugares; desde Tel Aviv (que ela chama de bolha) até Safed (a cidade da cabala, dos mistérios, sem deixar de lado Massada, o lugar que nos lembra de que Israel não voltará a cair e claro, Jerusalém. 

Interessante a comparação das quatro principais cidades religiosas e os elementos da natureza: Safed, Tiberiades, Hebron e Jerusalem... com Safed, relacionada ao ar das montanhas, Hebron, a cidade da terra, onde estão sepultados os patriarcas de Israel, Tiberiades, as águas do Mar da Galiléia (Lago Kineret) e Jerusalem, claro, o fogo. Explicações mais claras, leia o livro.

Foi muito bom ler esse livro, tanto que li suas 174 páginas em dois ou três dias (nas horas vagas) e reviver a história sob o ponto de vista dela e de algumas outras pessoas que ela apresenta no fim do livro, no chamado "Ein Sof" (não há fim, em hebraico) mostrando que ir a Israel é uma viagem que nunca terá fim, seja no desejo de morar lá, ou nas lembranças lá vividas. 

Como disse, já estive várias vezes em Israel, e mesmo para quem não viaja com interesses de fazer aliah (descendentes de judeus podem "subir" a Israel, para morar lá, com ajuda do governo) vale a pena. Nenhuma das minhas viagens teve tal intenção, AINDA, apesar de ja ter sido convidado por um amigo meu de Jerusalém. 

Vale a pena, mesmo que você nunca vá a Israel, ler esse livro é viajar com alguém que lá esteve e se apaixonou pelas cidades, pelo país e pelo povo. E se você desejar ir, já sabe: 
A CINA eventualmente organiza caravanas para lá, onde voce poderá experimentar um pouco disso tudo. Mesmo que você não vá conosco, nunca deixe de alimentar o sonho de um dia esdtar na Terra Santa, pois sonhar é bom pra todo mundo... e que seu sonho se realize plenamente.

Livro: Meu Israel; Viagem ao país onde o céu e a terra se encontram
Autora: Sabrina Abreu
Editora Leitura
páginas 174

segunda-feira, abril 15, 2013

Nem tudo são flores! Às vezes, lágrimas insistem em descer pelos olhos...




Nessa segunda-feira, nosso último dia em Jerusalém amanheceu com muito sol e calor. Não dormi direito, atormentado por um sonho, ou melhor, pesadelo bem desagradável. Despertei com as risadas de meus companheiros de quarto, que acordaram com disposição. 
Hoje levante disposto a ir logo cedo ao Kotel, sozinho, pra um reencontro com o Eterno. Pra tentar ouvir Sua voz, aquietar meu coração, pois uma série de coisas me atormentam. Apesar da felicidade por estar em Jerusalém, e de saber que muitas das preces que coloquei no muro, diante dEle, já foram ou serão atendidas, eu precisava de um tempo sozinho.
Não é fácil a saudade da família, da esposa, dos filhos, de quem eu sei que realmente me ama, e de alguns amigos que são como irmãos. Por outro lado, não é fácil sentir-se abandonado, sem apoio e ser ignorado, apesar de todo o esforço.
Pouco antes de chegar no Muro, dou de cara com um rosto conhecido, um senhor que já fora membro da CINA, Mordechai, que vivia no Rio de Janeiro. Não falei com ele, estava ocupado acompanhando o grupo.



Cheguei ao Kotel, disposto mais a ouvir do que a falar. Logo de cara, presenciei um bar mitsva e mulheres que se aglomeravam do lado feminino para acompanhar a cerimônia do filho, sobrinho, irmão, amigo e logo elas jogavam suas balinhas na direção do jovem que acabara de ler a Torah pela primeira vez no Kotel. 
Depois, fui na parte interna, pois o calor do sol me castigava lá fora. Lá, poucas pessoas rezavam e eu pude escolher um bom lugar junto ao muro. Rezei, pranteei, e é engraçado como em certos momentos faltam as palavras, e tudo que se pode dizer é: “Senhor, Tu sabes o que se passa no meu coração, me ajuda!”
Ao sair, sou abordado por um senhor, magro, simples, peots grandes, Moshe Cohen, que me chama e diz:
- Ei, Tsadik, sinto que precisa de uma brachá, está com semblante triste. Ani Cohen, (eu sou um cohen) posso fazer uma brachá sobre voce? 
Sei como é no Kotel, muitos fazem a brachá e depois pedem tsedakah, e entao respondi: “Não posso, não tenho dinheiro para tsedakah”. E logo veio a resposta:
- Eu não quero sua tsedakah, quero te abençoar tsadik!
Então deixei, ele fez a brachá, perguntou o nome de meus filhos, e pronunciou as palavras sobre minha cabeça. Ao me despedir dele, agradeci e já caminhava quando ele grita:
- Ei, Moshe, ergue a cabeça e sorria, não fique triste!
Minha vontade era de dizer: “lamento, mas hoje não consigo sorrir” mas, meio sem graça, sorri, e logo em seguida, soou a sirene para um minuto de silêncio e, parado, lamentei a morte dos valorosos soldados anônimos israelitas que lutaram por um povo livre.

Voltei para o hotel, e procurei algum salmo que expressasse o que sinto em meu coração hoje; Tomo as palavras do poeta e salmista e quero compartilhar aqui com amigos:
“Ao SENHOR ergo a minha voz e clamo, com a minha voz suplico ao SENHOR.  Derramo perante ele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação. Quando dentro de mim me esmorece o espírito, conheces a minha vereda. No caminho em que ando, me ocultam armadilha.
Olha à minha direita e vê, pois não há quem me reconheça, nenhum lugar de refúgio, ninguém que por mim se interesse.
A ti clamo, SENHOR, e digo: tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes. Atende o meu clamor, pois me vejo muito fraco. Livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu. Tira a minha alma do cárcere, para que eu dê graças ao teu nome; os justos me rodearão, quando me fizeres esse bem...
...dentro de mim esmorece o meu espírito, e o coração se vê turbado. Lembro-me dos dias de outrora, penso em todos os teus feitos e considero nas obras das tuas mãos. A ti levanto as mãos; a minha alma anseia por ti, como terra sedenta.
Dá-te pressa, SENHOR, em responder-me; o espírito me desfalece; não me escondas a tua face, para que eu não me torne como os que baixam à cova. Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma.” (Sl 142 e 143)

Concluo com as palavras de uma canção que amo e sempre dedico à minha amada esposa: “depois de tanto caminhar, depois de quase desistir, os mesmos pés cansados voltam pra você...”

domingo, abril 14, 2013

Yom Hazikaron... se ligue no Dia da Memória.



Nesses dias aqui em Israel vivemos o que antecede a celebraçao pelos 65 anos de Israel. Já passamos por vários lugares turísticos, a maioria deles eu já conhecia, mas dessa vez em especial estivemos próximos ao exército. 
Tivemos o privilégio de acompanhar um treinamento militar, com tanques de guerra atirando próximo à Eilat. Depois, no mesmo dia, estivemos em Beersheva, onde visitamos o museu da força aérea de Israel. No dia seguinte, a última quinta-feira, estivemos no museu da IDF, do exército de Israel. Isso abriu nossos olhos pra entender o quanto nosso povo precisa se defender de seus inimigos, através de um exército forte, mas humano, que luta pela paz. 

Na noite deste domingo, 20h de Jerusalem, 16h do Brasil, teremos o início do Yom Hazikaron, em memória dos soldados que tombaram nas guerras. O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netaniahu irá discursar, junto com o presidente, na praça do Kotel, de onde um dia, não muito distante, o exército de Israel chegou, na reconquista de Jerusalem, e lá disseram: NUNCA MAIS SAIREMOS DAQUI.

Tem sido um privilégio para mim viver isso tudo. Aprender e relembrar a história recente de um povo, o nosso povo.  Já havia dito no facebook, que tanto nos museus, quanto no meio do treinamento militar fomos recebidos com grande respeito por esses que não nos devem nada, mas demonstram apreço por nós, nso abraçam e só podemos dizer: “ESTAMOS CONTIGO! CHAZAK, CHAZAK, VENIT CHAZEK!” 



A seguir, parte do discurso preparado pelo primeiro ministro que será dito hoje. 
“Hoje, o Estado de Israel honra a memória daqueles que tombaram, nossos soldados e nosso povo que sofreu nas guerras e nos ataques terroristas. 
Desde o momento em que o estado foi estabelecido, não temos cessado de desejar a paz com nossos vizinhos, e no mesmo grau, nossos inimigos não cessam de suas aspirações de nos varrer da face da terra.
Nós estamos aqui para agradecer aos lutadores de Israel, que se engajaram pela nossa existência, agradecemos àqueles que sobreviveram às guerras e agradecemos àqueles que sentem. Nós não esqueceremos, nem por um segundo, que nós estamos aqui hoje, agradecendo aos que tombaram.
Hoje, quando se acumulam mais acordos contra o Estado de Isral do que no passado, ambos, a IDF (Israel Defense Force) e nossos serviços de segurança estão mais fortes do que nunca. Continuaremos a reforçar nossa segurança, continuamos aspirando pela paz com nossos vizinhos, e continuaremos a assegurar o futuro de nosso país. Obrigado!”
Benjamin Netaniahu
Quem quiser acompanhar, espero que as câmeras do Kotel possam transmitir ao vivo, este link abaixo é um otimo site, que transmite de vários angulos.
http://neverbesilent.org/nl/webcam-kotel-westelijke-muur/




Por trás destes tanques há um belo país, seja em Tel Aviv, Bersheva, Eilat ou Yerushalaim... Israel só existe graças aos esforços de um povo lutador, que só quer a paz. 

"Por causa dos meus irmãos e amigos direi: haja paz em ti... buscarei o teu bem"