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terça-feira, agosto 25, 2015

Reflexões para o dia: Elul; e até quando esperarás?


Dt 30:19-20 - Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o SENHOR, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade...
 
 
Hoje estamos no décimo dia do mês de Elul, ou seja, um terço do último mês do nosso calendário já se passou e faltam três semanas para Rosh HaShanah (para quem não sabe, é o ano novo judaico) e faltam 30 dias para Yom Kipur (o dia do perdão, a data mais sagrada de nosso calendário). E a meditação de hoje não é sobre o dia, ou o mês que vivemos, mas sobre como vivemos.

Ontem, no início do expediente, fui surpreendido ao ver a notícia da morte repentina de um conhecido, um senhor que acompanhava as transmissões da tv israelita, e que havia falado comigo no shabat, dois dias antes. Ele vivia distante, lá no Ceará, mas nos acompanhava sempre. Não, não era membro de nossa comunidade, apenas um simpatizante pela internet.

Ontem também recebi um convite para curtir uma página de facebook. Fui ver do que se tratava e era de uma jovem, casada com um recente dissidente da CINA. Há pouco tempo atrás, essa mesma jovem usava trajes decentes, guardando certa tsiniut (discrição) mas agora posta orgulhosa fotos usando trajes no mínimo incoerentes com alguém que se diz religiosa.

É interessante observar como as pessoas vivem suas vidas despreocupadas. O Talmude diz: "Se eu não for por mim, quem será? E se não for agora, quando será?" numa clara referência de que temos que nos preocupar com nossas atitudes hoje, agora, sempre, diariamente.

Será que aquele senhor, simpatizante, sabia que iria morrer logo após o último shabat? Creio que não! Ele estava feliz, se aproximando mais a cada dia do Eterno, e de repente, um ataque cardíaco e a vida cessou. Restaram as lágrimas de parentes e amigos.

Por outro lado, pessoas se afastam de D-us, e tomam o caminho de viver suas aventuras, suas vidas sem o temor do Eterno. Tudo que lhes resta é correr atrás de dinheiro, porque D-us já faz parte de um passado distante. Não se trata de julgar alguém meramente por seus trajes, mas uma pessoa que em poucos meses abandona o caminho, um modo de vida e rapidamente faz questão de mostrar que "agora mudou, está melhor, mais feliz" mostra com isso também que servir ao Eterno era causa de sua infelicidade.

Elul nos faz refletir, somos realmente felizes servindo ao Eterno? ou obedecemos os mandamentos, seguimos nossos líderes apenas por medo de punição? Porque basta nos afastarmos da comunidade para mudarmos completamente nosso modo de agir. Isso mostra que aquela pessoa que frequentava a sinagoga, ou mentia para os outros, ou mentia para si mesma.

Seja como for, meus amigos, o fato é que a vida é curta demais para vivermos de fingimento; um dia estamos aqui, no outro, estamos numa sepultura.
Já não mais no shabat anunciarei o nome daquele internauta que nos acompanhava, mas nunca foi capaz de tomar a atitude de se converter, ou não teve tempo para isso.

Nós, que estamos vivos, devemos tomar isso como um sinal de alerta. Não há tempo a se perder. Se seu interesse é pelo sagrado, pela presença de D-us, faça-o agora... ninguém poderá fazê-lo por você. Por outro lado, se estar numa sinagoga é um peso em tua vida, você deve refletir se é isso mesmo que você quer.

De qualquer forma, é aí que entra o texto de Deuteronômio. O Eterno nos está propondo, a vida ou morto, a bênção e a maldição. Somos nós é quem escolhemos nosso destino. Mas se você quer uma dica, escolha a vida, para que possas viver, tu e a tua descendência, amando ao Eterno, dando ouvidos à Sua voz, seguindo a Torah, apegando-se a D-us... pois é disso que depente tua vida.
Todo o resto, bens materiais, fama, exibicionismo, superficialidade... pense nisso.

Ainda estamos em Elul, ainda é tempo de reflexão e de arrependimento. Que o toque do shofar diário nos desperte para o reencontro com D-us. Se você deu um passo errado, escolheu o caminho errado, se sente que está mais distante de D-us, arrependa-te e volte, pois como disse o salmista: "um coração contrito não o rejeitará o Eterno".

Desejo a todos uma semana de boas notícias! Shalom!

terça-feira, agosto 18, 2015

Reflexões para o dia: Elul; um gesto que salva a sua vida.CARIDADE



Lv 25:35,36,38 - Se teu irmão empobrecer, e as suas forças decaírem, então, sustentá-lo-ás. Como estrangeiro e peregrino ele viverá contigo. Não receberás dele juros nem ganho; teme, porém, ao teu Deus, para que teu irmão viva contigo... Eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos dar a terra de Canaã e para ser o vosso Deus.

Elul é o mês em que nos aproveitamos da proximidade do ano novo, da presença do Eterno entre nós (leia o comentário, falando sobre o Rei estar no Campo) e devemos nos aprimorar em cada gesto, cada atitude nossa. 

No último domingo, um quadro do programa “Domingão do Faustão” chamado “Arquivo Confidencial” causou polêmica e discussão pela internet e resolvi ver do que se tratava. Ali, foi apresentado (de surpresa) um video em que um jovem ator fazia um gesto de caridade. O ator Caio Castro ficou visivelmente constrangido e insatisfeito ao ter exposto um momento em que ele dançou uma valsa com uma jovem de 15 anos, que sofria de câncer. 
É interessante que esse fato tenha ocorrido bem no começo do mês de Elul. Deve ser porque eu devia escrever sobre isso mesmo. Aí me fez refletir sobre quando fazemos coisas boas às pessoas, que tipo de recompensa buscamos. 

O sábio tsadik Yeshua ben David, disse: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste. Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6:1-4)

Com justa razão o jovem ator ficou insatisfeito, pois um gesto de caridade feito em particular, foi exposto diante de milhões de pessoas. (Pouco antes, o mesmo apresentador havia chamado o jovem de irresponsável, imaturo e coisas semelhantes)
O que fazemos de bem para as pessoas deve gerar em nós um prazer íntimo e pessoal, e essa é a melhor e única recompensa que deveriamos buscar; a satisfação de haver feito algo bom por alguém. 

Não devemos fazer o bem, buscando reconhecimento alheio, e nesse caso, toda a generosidade terá perdido seu encanto, e tornar-se-á, sem valor. Como disse Yeshua, o hipócritas é que fazem assim, e na verdade, eles já receberam sua recompensa.

Em Elul, a tsedakah, a generosidade, a preocupação em fazer o bem deve aflorar ainda mais dentro de cada um de nós,  e nossos sábios dizem que a tsedakah tem o poder de nos livrar da morte.

Há um midrash acerca da filha do Rabi Akiva, dizendo que havia um relato de um astrólogo revelara ao famoso Rabi Akiva de que sua filha iria ser micada por uma cobra, quando ela se casasse e morreria na noite de núpcias.
O dia do casamento chegou, e tudo ocorreu bem, mas antes de dormir, a filha do Rabi Akiva teria pego um comprido grampo de cabelos e espetou no mural que havia atrás de sua cama. Na manhã seguinte, quando ela acordou, puxou o grampo e viu que havia uma cobra morta, perfurada por seu grampo de cabelos. 
Rabi Akiva então perguntou à sua filha: “Qual foi a boa ação que você fez para merecer este milagre?” E ela respondeu que na festa do casamento, enquanto todos se divertiam e se alegravam, ninguém notou um pobre faminto pedindo ajuda na porta. Ela mesma se levantou e deu de sua própria porção ao pobre homem.” 
Rabi Akiva exclamou: “Você fez uma grande mitsvah e pelo mérito dela foi salva.”

Caridade é diferente de tsedakah, pois um gesto de generosidade pode ser feito tanto aos pobres quanto aos ricos, desde que não vise o favorecimento pessoal através de reconhecimentos. 

Generosidade deve ser a palavra a permear nossos caminhos nestes dias. Uma mão estendida ao pobre, ao aflito, ao entristecido, ao fraco, pode representar a diferença entre a vida e a morte; entre um decreto positivo ou uma condenação diante do Eterno. 

Que tenhamos uma vida cheia de bons atos, e que sejamos selados e inscritos para um bom julgamento e um ano bom em 5776. 

Transforme suas atitudes em brachot neste mês e inspire-se para um novo ano. Porque isso é Tikun Olam! Isso é trazer o Malchut HaShamayim para perto de nós. ATITUDE!

segunda-feira, agosto 12, 2013

Elul, Selichot, Tachanun e Teshuvah


Sempre fui muito a favor de respeitar o tempo necessário nas mais diversas situações, por exemplo, no processo de conversão, nunca apressei ninguém a que passasse pela tevilah, nem tampouco a tomar decisões precipitadas para depois me culpar, ou culpar a outros por estarem se apressando. Sempre apreciei as palavras de Eclesiastes, que dizem: Há tempo para todas as coisas, tempo para todo propósito debaixo dos céus (Ec 3)

Na Teshuvah não é diferente. Aprendemos devagar e sem atropelos, pois acredito que isso vai firmando nossos passos, e quem acelera demais nesses passos acaba perdendo lições importantes e que lá no futuro irão fazer falta.

Estamos no mês de Elul, mês de reflexão, de arrependimento, de teshuvah, de toque de shofar diário, etc...e no último shabat falei brevemente sobre as rezas, sobre as selichot, o tachanun, vidui, que são orações que tomam significado grande durante esses dias, onde confessamos nossos pecados e buscamos uma comunhão maior com o Eterno.

Não posso exigir que todos saibam e rezem "como perfeitos judeus" mas posso dizer: "abra seu sidur na página 78 e 79 e medite nessas preces" Em Elul é costume que diariamente as recitemos e mencionemos os Treze Atributos Divinos. Então, depois tocamos o shofar.
Aí alguém pode dizer: "mas no sidur está escrito que quem reza sozinho não deve declamar os Treze Atributos." E agora?

Bom, mas também o Tachanun não se resume ao escrito na página 78, e aí? A verdade é para quem não conhece muita coisa, as primeiras preces do Tachanun já são súplicas suficientes na busca pelo arrependimento e reflexão nesse período pré-Yom Kipur.

Não se preocupe como fato de não fazer todas as rezas por completo. O que vale agora não é a quantidade de orações, mas sim, a qualidade delas, a devocão e o impacto que isso causa em nosso interior.

A seguir, quero apenas colocar algumas das belas frases do Tachanun, mas que só possuem valor se vierem carregadas de cavanah, de devoção e de arrependimento:

"Sabemos, ó Eterno que pecamos e que nada mais existe que nos defenda senão o Teu Grande Nome, que nos protege na hora da angústia. Sabemos que carecemos de boas ações; faze conosco justiça por amor do Teu Nome! Assim como um pai tem compaixão de seus filhos, tenha compaixão de nós, ó Eterno!"

"Protege, Eterno, o Teu povo, e salva-nos da Tua cólera; afasta de nós a ferida da epidemia e dos duros decretos, pois Tu és o Guardião de Israel. De Ti, Eterno, provém a justiça; de nós, o rubor da vergonha. Do que podemos queixar-nos? O que temos a falar? O que temos a dizer? Como nos justificarmos? Procuraremos nossos caminhos e averiguaremos, e voltaremos a Ti, pois Tua mão direita está sempre estendida para receber os que retornam."

"Não existe como Tu, Eterno, nosso Deus, cheio de graça e misericórdia. Não existe como Tu, Deus tolerante e abundante em benignidade e verdade. Salva-nos e tem piedade de nós! Salva-nos dos percalços e da raiva! Lembra-Te de Teus servos Abraão, Isaac e Jacob; não olhes para a nossa teimosia, nossa maldade e nossos pecados..."

Se o escrito acima se tornarem para nós mais do que belas palavras, mas um sincero arrependimento, então esse Elul já terá valido a pena, esse shofar será para nós um despertar para uma vida nova, e que 5774 seja um ano cheio de graça, misericórdia e paz para nós e nossos filhos.

Faça soar o seu shofar, pois o Rei está no Campo!!

quinta-feira, agosto 08, 2013

Elul - O Rei está no Campo, aproveite!


Como já sabemos, Elul, o último mês do calendário judaico nos evoca a um período de reflexão sobre nossos erros, arrependimento e a busca pelo perdão. Esse período é ilustrado com uma conhecida parábola judaica:
 
“Uma vez por ano, um rei muito poderoso deixa seu palácio, seus guardas, seu luxo e vai até o campo para encontrar seus súditos. Enquanto o Rei estiver no campo, as pessoas podem perguntar o que quiserem a ele. Elas não necessitam esperar em longas filas, passar por seguranças, ou agendar uma entrevista. Podem falar com ele sem hesitação. No entanto, uma vez que o rei tenha retornado a seu palácio, os súditos terão de passar por todos os tipos de protocolos para, quem sabe, encontrá-lo. Obviamente, os moradores do reino, que forem espertos, devem aproveitar a oportunidade ao máximo quando o rei está no campo.”
 
Essa era oportunidade de buscar a misericórdia do Rei, receber seu perdão, enfim, estar diante dEle. Infelizmente nem todos sabem aproveitar essa chance. Procurei uma situação semelhante nos escritos bíblicos e adivinha: encontrei algo perfeito e que se encaixa com nossa vida atual.
 
Nossos sábios dizem que Elul é o período em que o REI (Eterno) está no campo. Esse período, o último mês do calendário, vem na sequência de dois outros meses, chamados de Tammuz e Av, período onde ocorreram dois grandes pecados na história de nosso povo: “o bezerro de ouro” e o “episódio dos espias”. Em ambos, o povo, mesmo aparentemente sem querer, estaria “se afastando” do Eterno, do Rei.
 
Lendo na Torah, temos: Gn 3:8 - E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.
 
Se observarmos atentamente a situação perceberemos que Adam e sua esposa haviam pecado, comendo do fruto que não lhes era permitido, e ao perceberem que O REI PASSEAVA PELO CAMPO, se esconderam.
Ao se esconderem, procuraram ocultar seu erro diante do Rei, e isso lhes trouxe o castigo. Corrobora negativamente o fato de ninguém assumir seus próprios erros, mas Adam culpou a Eva, que culpou a serpente, que já não tinha a quem culpar.
 
Se queremos o perdão, devemos aproveitar a oportunidade que o Rei nos dá, e buscar por isso. Não culpar nada nem ninguém ajuda a percebermos a dimensão de nossos pecados. Quando colocamos a culpa nos outros, isso “ameniza” o sentimento de culpa.
 
Não por acaso, nestes mesmos meses, em 17 de Tammuz e 9 de Av, temos o período em que os Romanos invadiram Jerusalém até a destruição do Templo. Consequências do distanciamento do povo israelita de Seu D-us.
 
Já que temos esse período, vamos aproveitar, porque o Rei está no campo. Apresente-mos diante dEle, e estejamos dispostos a pedir perdão.
Nesse período especificamente, recitamos todos os dias as Selichot, o Vidui e o tachanun, que basicamente, são preces de arrependimento e confissão de pecados.
 
Como já disse no post anterior, também é de praxe que toquemos o shofar diariamente, para nos despertar ao arrependimento. Há no pecado uma grande dificuldade; como reconhecer que erramos? se observarmos os exemplos bíblicos, de homens muito mais sábios que nós, perceberemos que não é tarefa das mais fáceis. Vejamos por exemplo:
 
JÓ - Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado. (Jó 13:23)
 
DAVID - Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas. Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então, serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão. (Sl 19:12,13)
 
A soberba a que David se refere vem do fato do homem não reconhecer-se como pecador. Na maioria das vezes, quando acusamos o pecado de alguém, não somos capazes de observar em nós também. David, rei de Israel, precisou que o profeta Natã lhe contasse uma parábola, para que ele fosse capaz de reconhecer o grave pecado que cometera. (2 Sm 11:1-7) Da mesma forma, o rei Saul precisou que o profeta Samuel lhe mostrasse seu erro.
 
SAUL - Então, disse Saul a Samuel: Pequei, pois transgredi o mandamento do SENHOR e as tuas palavras; (1 Sm 15:24) Eles e muitos outros cometeram seus erros, e quem somos nós para julgarmos quem pecou mais gravemente?
 
A diferença está na atitude, que fez de David um homem segundo o coração do Eterno (At 13:22)
 
Sl 32:5 - Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri; dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado. Vejamos e aprendamos com a oração do rei David:
 
Sl 51:1-13 - Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado.Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos é mal, para que sejas justificado quando falares e puro quando julgares. Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe. Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria.Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste. Esconde a tua face dos meus pecados e apaga todas as minhas iniqüidades.Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença e não retires de mim o teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da tua salvação e sustém-me com um espírito voluntário. Então, ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores a ti se converterão.
 
Quem sabe se tivermos o espírito de David, rei, homem, pecador, de coração sincero, e formos capazes de aproveitar que O REI ESTÁ NO CAMPO, o Eterno faça de nós como fez de David; um homem capaz de ensinar aos transgressores os Teus caminhos, e fazer com que os Pecadores a Ti se convertam.

quarta-feira, agosto 07, 2013

Elul: Reflexão, Arrependimento e Perdão

 
 
Como já sabemos, Elul, o último mês do calendário judaico nos evoca a um período de reflexão sobre nossos erros, arrependimento e a busca pelo perdão. Nos 40 dias que há entre o início de Elul e o dia de Yom Kipur devemos nos aplicar à essa reflexão. Mas quem nos absolve? quem nos condena? Que tipo de sentimentos devem estar dentro de cada um de nós?
 
Ec 7:20 - Na verdade, não há homem justo sobre a terra, que faça bem e nunca peque.
 
Na Brit Chadashah lemos: Rm 3:23,24 - Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há no Mashiach Yeshua.
 
É evidente que todos somos pecadores, que sempre vemos o pecado alheio como mais grave que o nosso próprio, e juntos, todos carecemos do perdão Divino. Perdão este que só vem através do derramamento de sangue, conforme Lv 17:11 (porque é o sangue que fará expiação pela alma) e Hb 9:22 (sem derramamento de sangue não há remissão de pecados).
 
Por isso Shaul HaShaliach, em sua carta aos Romanos, nos diz que somos justificados pela redenção que há no Mashiach. Uma vez entendendo este aspecto do perdão, vamos analisar dois personagens: Kefah e Yehudah (Pedro e Judas).
 
Pedro, bom discípulo, meio impetuoso, mas sempre firme e fiel, num momento de dificuldade do Mashiach, lhe disse: “Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.” Yeshua o alertou e disse: “Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negará.” E Pedro ainda respondeu: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, não te negarei.” (Mt 26:33-35)
 
Sim, ele estava convicto, era um bom servo, exemplo, mas tinha um defeito: Pedro era “confiante demais de que nunca erraria” e esse é o defeito de muitos de nós: excesso de auto-confiança.
Basta observarmos quantas vezes dizemos (ou ouvimos alguém dizer): “Eu posso ter todos os defeitos, mas tal coisa eu NUNCA FARIA” normalmente no momento em que alguém comete o tal erro.
A verdade é que não sabemos, não somos infalíveis, e que, como seres humanos, pecamos. Shaul HaShaliach disse: Rm 7:14,15 - “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto.
 
A verdade é que, mesmo tendo sido avisado, Pedro NEGOU a Yeshua, por três vezes seguidas, e na terceira vez, o galo imediatamente cantou. (Mt 26:69-74) Foi como um toque do shofar em Elul, o despertou do erro, do seu pecado. C
omo pode ser? Eu neguei Yeshua três vezes, não acredito! Como vou conviver com essa culpa? De certo dezenas de coisas passaram pela cabeça de um agora atormentado Pedro. E o que ele fez?
Mt 26:75 - E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente.
 
Num outro texto, em João, já após a ressurreição de Yeshua, os dois se reencontram, e o Mestre faz então, por três vezes a mesma pergunta: “Tu me amas?” E Pedro respondeu: “Tu sabes que eu te amo” E Yeshua conclui: “Então apascenta minhas ovelhas”
Isso representa que pelas mesmas três vezes que Pedro houvera negado o Mestre, veio-lhe o arrependimento sincero, e Yeshua fez com que vissem que sim, apesar de tê-lo negado, Pedro O amava, e foi digno de ser escolhido para “apascentar as ovelhas”
Mais do que meramente uma estorinha, isso mostra que um pecador, arrependido de seus erros, pode ser útil a tal ponto de cuidar do rebanho do Mestre.
 
Agora vamos entender Judas, o que ele fez? Ele havia vendido o Mestre, o traído com um beijo, (Mt 26:14,15,48,49,50) e viu Yeshua ser levado pelos guardas para a prisão. Mesmo antes da morte de Yeshua, Judas se deu conta do tamanho do erro que cometera, e o texto diz:
Mt 27: 3,4 - Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo.
 
Os ancião falaram certo a Judas: “Isso é contigo. O que você vai fazer com seu erro, agora não é problema nosso, é teu.”
Aquilo que fazemos com nossos erros é problema nosso. E nisso há dois caminhos: buscar o perdão Divino, através do arrependimento sincero, da confissão e de abandonar o erro, ou fugir, mas para onde?
 
O único lugar encontrado por Judas para fugir de seus erros foi a forca, onde encontrou a morte.
Mt 27: 5 - E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar.
Infelizmente, ele não encontrou lugar (em si mesmo) para arrependimento e essa é a diferença básica entre as atitudes de Pedro e Judas. Pois qual o pecado foi maior? Ambos traíram o Mestre, Pedro ainda foi avisado antes, quer dizer, poderia se previnir, se cuidar, evitar o pecado, mas não conseguiu.
 
Elul é nossa oportunidade de buscar o sincero arrependimento, o perdão dos pecados, e saber que sim, ele é possível:
1 Jo 2:1,2 - Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Yeshua HaMashiach, haTsadik; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.
 
Que esse período de reflexão possa conduzir a todos nós na direção de um sincero arrependimento, e como Pedro, possamos ouvir o galo cantar (ou o som do shofar a ecoar) e encontrarmos espaço para um perdão de nossos pecados. Quem sabe, mesmo que sejamos todos injustos, o Eterno em Sua infinita misericórdia nos conceda o perdão, através do derramamento do sangue do Cordeiro perfeito. Que assim seja!

terça-feira, setembro 16, 2008

Ano novo chegando!

No dia 29 de setembro tem início o ano de 5769 do calendário judaico. Claro que não poderíamos deixar nosso pessoal na mão, sem um calendário para acompanhar a chegada das festas e os eventos da Kehilah. Então tá!
Esá pronto o calendário para 5769 e se você for esperto, não vai esperar o ano começar para comprar seu calendário. Compre antecipadamente e acompanhe desde o 1 de Tishrei. Dessa vez fizemos apenas o calendário pequeno de bolso, mas ele vem todo colorido, e pela primeira vez o calendário tem um tema: Jerusalém shel zahav, a Jerusalém de Ouro.
Semana que vem deve estar pronto o caderno de lições. Claro que vai chegar atrasado, mas dê um desconto... pelo menos vai chegar hehehe. Garanto que se o Rosh Ezrah começar a escrever amanhã o caderno de lições para o 4 trimestre de 2009, ele deverá ficar pronto faltando pelo menos duas semanas para acabar o mês de setembro... sabe como é judeu brasileiro, deixa tudo tudo para a o último minuto.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Elul e o toque do shofar!


Já tenho falado sobre o toque do shofar no mês de Elul, anunciando a chegada de um novo ano, lembrando que é tempo de mudança, de deixar nossos velhos hábitos (negativos) e entrar em 5769 com mais alegria e vontade de fazer sempre o melhor para o Eterno. E em Ponta Grossa a voz do shofar também se faz ouvir. Por lá quem toca é o zaken Ailton. Independentemente de quem toque, o importante é que esse som nos deperte a cada dia para vivermos uma vida de dedicação à vontade do Eterno.

domingo, setembro 07, 2008

Não se esqueça que estamos em ELUL


Elul é o último mês do calendário judaico e neste mês, o shofar é tocado diariamente, como um anúncio para os dias temíveis entre Rosh Hashanah e Yom Kipur. Ao término de mais uma semana, o Rosh Ezrah novamente tocou o shofar na kehilah e esse som nos lembrou (ou deveria fazer lembrar a todos) da necessidade de uma auto-avaliação, de uma busca por aperfeiçoamento, por perdão, enfim, necessidade de que nesse novo ano sejamos melhores do que fomos no ano que se encerra. Pense nisso da próxima vez que ouvir o toque do shofar! E L U L. Em hebraico, acróstico de Ani Ledodi Vedodi Li. Eu sou para o meu amado (Eterno) e o meu amado é para mim. Que sejamos para Ele.