sexta-feira, outubro 16, 2015

Reflexão para o dia: Od Yavo Shalom Aleinu, amigos pela paz...



Sl 122:6-9 Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam.  Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios. Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: haja paz em ti!  Por amor da Casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei o teu bem.

Diz o talmude em Pirkei Avot: “sejam como os discipulos de Arão; orai pela paz, procurai pela paz” 

Durante mais essa peregrinação, assim como em todas as outras, o Eterno nos propicia momentos especiais e únicos. Felizes coincidências que nos conduzem a momentos raros de espiritualidade em que é como se Ele próprio nos estivesse falando ao ouvido e ao coração.

Ontem vivi um desses momentos. A certa hora do dia, tive que largar o grupo aos cuidados do guia e eu retornaria ao hotel para um compromisso. Ao chegar no quarto, o camareiro arrumava a cama e, com certo receio, ele pediu desculpas e ía saindo, quando eu  insisti que ele ficasse e não se importasse com minha presença. 

Tentei puxar conversa (normalmente os turistas não vêem os camareiros, que são ignorados na maioria das vezes) e ele ainda arredio, foi se abrindo. 

Era um árabe, chamado Ahmed, e trabalhava no hotel desde 1987, sendo já um senhor de mais de cinquenta anos. Mais da metade da vida dele passou trabalhando ali e por cerca de dez anos cumpria expediente em dois trabalhos para sustentar a familia. A conversa seguiu tranquilamente até que eu pedi que ele me desse sua opiniao a respeito do atual conflito vivido em Jerusalém. Eu queria saber apenas a opinião e entender o ponto de vista de um árabe de Jerusalém, mas ao fim da conversa, os olhos estavam marejantes, se é que me entendem.

Ele, de novo arredio, me dizia: “eu não gostaria de falar sobre esse assunto, é algo dificil” mas fui insistente e segui o papo até que ele se sentiu mais a vontade e começou a falar, dizendo: “minha vida está dificil nos últimos dias, situação complicada. Minha família está sofrendo... normalmente eu gasto meia hora entre a minha casa e o trabalho, mas agora tenho levado mais de duas horas, porque todo caminho está trancado pela polícia, e então eu tenho que contornar a cidade até achar um lugar por onde eu possa entrar no meu bairro. 

Falei: “o senhor sabe que eu sou judeu né?” e ele disse: “sim, eu vi a tua kipah” e eu falei que é complexo, pois Israel precisa se proteger, defender suas famílias e suas crianças. E ele entendeu, mas continuamos... e ele dizia: “essa é uma situação em que todos perdem, todos sofrem”

A conversa segue e ele fala dos filhos, que saem pra trabalhar e estudar, chegam entre uma e duas da madrugada muitas vezes, e nesses dias, ele, como pai, não dorme enquanto crianças não voltam pra casa. Você consegue imaginar a ansiedade e o estresse a que esse senhor é submetido diariamente nas últimas semanas? São horas de angústia sem fim. 

O cidadão, que trabalha há praticamente trinta anos no mesmo hotel já provou ser um homem de bem, mas tem que chegar cedo no trabalho e gasta duas horas, num percurso de trinta minutos. Passa por constantes revistas policiais (Não digo que o exército de Israel está errado, afinal, temos que defender os judeus de nossa terra) e ao iniciar o expediente já está tenso. 
Depois, ao longo do dia, ele liga a cada duas horas pra casa, pra saber se todos estão bem. Tem um amigo taxista a quem ele recorre para buscar os filhos na escola, filhos que já não mais querem estudar, porque não conseguem se concentrar e aprender. 
Fim do expediente, mais duas horas com revista policial, ruas bloqueadas, sirenes de ambulâncias constantemente nas vias públicas até que chega tarde em casa, e depois a agonia de esperar os filhos voltarem para casa. No dia seguinte, tudo se repete... 

Por outro lado, temos os judeus, que enquanto caminham para suas preces no kotel, ou vão ao trabalho, subitamente veem um carro propositadamente subir na calçada, no ponto de ônibus, no semáforo, em qualquer lugar e atropelar seus irmãos e amigos. Depois de atropelados, ainda tem o fato do motorista sair e esfaquear e assassinar tantas pessoas quanto possivel, pelo simples fato de serem judeus, até que esse terrorista seja morto rapidamente por algum militar israelense. 
A morte dos inocentes causa espanto e tristeza entre judeus, mas a morte do terrorista é celebrada como um mártir, um herói, entre palestinos, ao mesmo tempo em que novos jovens se revoltam contra Israel e o ciclo se repete indefinidamente. 

A situação é tristemente complexa. Inocentes sofrem e morrem a cada dia. A tensão aumenta, o lugar vira um barril de pólvora. Eu vejo um policial a cada cinquenta metros, com sua metralhadora sempre engatilhada. No alto das casas da cidade velha vemos sempre um atirador de elite claramente a espera de onde será o próximo ataque. 
Num dia, passeando de carro com um amigo aqui, vimos o que acabara de ser um ataque, que culminou com a morte de um jovem terrorista de apenas dezenove anos. Impotentes, lamentamos, mas fomos igualmente tomados pela tensão do momento, próximos à Porta de Damasco, o local mais perigoso hoje aqui.

Ao mesmo tempo, retomamos o tour com o grupo, que aparentemente de forma tranquila, segue seu roteiro. A música escolhida pelo grupo e cantada diversas vezes diz: “Od yavo shalom aleinu, od yavo shalom aleinu veal culam. Sallam, aleinu veal col haolam.” Que a paz venha sobre nós e sobre todos!
Eu e meu amigo, maestro Joab Muniz sonhamos com um projeto, e acreditamos num mundo melhor. Trabalhamos, criamos sonhos e esperamos realizar, se for pela vontade e misericórdia do Eterno Deus de Israel. 

Por ora, só nos resta rezar pela paz e pela prosperidade da cidade que amamos.Que haja paz e prosperidade nos palácios dessa cidade maravilhosa, e que nunca nos esqueçamos que aqui é a Casa de Deus e devemos buscar o bem de Jerusalém sempre. 

Seja onde for que você estiver, faça verdadeiro dentro de si estas coisas, orar e amar a Jerusalém. Saiba que aqui existem pessoas de bem, judeus, árabes também, e gente de todos os lugares, porque está escrito: “Minha Casa será chamada casa de oração para todos os povos.” 

Mas saiba que, independente de período, seja frio ou calor, tempos de paz ou guerra, Jerusalém é e sempre será um lugar inesquecivel. Que seja sempre “ir shalem” (Cidade de paz) e a cada dia faz  mais sentido para mim a frase: “Se eu me esquecer de ti, óh Jerusalém!”  Lugar onde meu coração pulsa em sincronia com o coração do Eterno, lugar onde nossa alma encontra repouso e paz, independente das aflições que possam sobrevir a nós a cada dia! 
Ore pela paz de Jerusalém. Sejam prósperos aqueles que te amam, sempre!

Shabat shalom!

quarta-feira, setembro 02, 2015

Reflexões para o dia: Os pratos da Orquestra




1 Samuel 18:7, 8 - As mulheres se alegravam e, cantando alternadamente, diziam: Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares.  Então, Saul se indignou muito, pois estas palavras lhe desagradaram em extremo; e disse: Dez milhares deram elas a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão o reino?

Na noite passada tivemos o privilégio de assistir ao vivo a apresentação da Orquestra Sinfônica de Jerusalém; tudo muito bonito e organizado. Algo que vale a pena de se ver!
Antes de iniciar a apresentação da orquestra, um senhor fazia uma breve introdução do espetáculo e disse algo muito interessante: “Uma orquestra sinfônica requer de cada um o senso de unidade, de humildade e de respeito aos demais; sem isso, ela não funcionaria. Só assim para se entender músicos com décadas de estudo e que esperam boa parte do espetáculo para fazerem soar uma única nota de seu instrumento.” 
Fiquei o espetáculo todo pensando nessas palavras e que daria uma boa mensagem.

O espetáculo seguiu, durante uma hora e meia e somente depois de mais de uma hora é que vimos uma senhora, fazendo soar as notas de seu minúsculo triângulo. Perfeito! E só na última música, ouvi a mesma senhora tocar o famoso prato orquestral. 
Agora sim, tudo fazia completo sentido. O toque do prato foi no auge da música “Yerushalaim Shel Zahav” e só.

No âmbito musical, existia o solista, tocou algumas canções magistralmente junto à orquestra e ao fim, foi aplaudido, junto com todos os demais, mas o que ficou marcado na mente das pessoas não foi o solo, mas o conjunto. 

Nós todos devemos fazer com que nossa comunidade seja como uma orquestra. Há instrumentos de sopro, cordas, percussão, etc... mas no fim, o que vale é a música. Ninguém deve se sentir maior, o mais importante, o único, mas pelo contrário, todos devemos dar espaço para que unidos, façamos nossa canção ecoar em todo o mundo. 

O Rei Saul ficou incomodado porque as pessoas cantavam letras exaltando a Davi. Mas Davi não era um solista, ele gostava de estar no meio de seu povo, dançando junto, cantando, e mesmo nas vitórias, ele as compartilhava, não queria a exclusividade do brilho pessoal. 

O que seria do artista se não fosse o público? O que seria do solista se não fosse a orquestra que o acompanha? O que seria do pastor se não fosse o rebanho? O que seria do pregador se não fosse os atentos ouvintes, prontos a mudarem de vida através da palavra de um homem? E o pregador bom não é aquele que fala de si mesmo, mas fala da salvação, do Mashiach, porque como diz certo texto: “É necessário que ele cresça e que eu diminua.” (Jo 3:30) 

Nossa pregação é mais bonita quando somos um; nossos rostos brilham mais quando vemos em nós refletido o brilho do próximo. 

Não, não quero ser um solista, não quero a fama pessoal, pois de que me adiantaria isso se eu não fosse capaz de ajudar o próximo, de dar espaço a ele, de estender a mão?

Certa vez uma mãe chegou a Yeshua e disse: “Dize que estes meus dois filhos se assentem um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu Reino.”  (Mt 20:21)
De onde vem tanta vontade de ser o mais proeminente? Querer lugar de destaque... e também foi dito no Talmude: “Aquele que quer muita celebridade, perde a que já possui.” 

Eu não vim a este mundo para ser o primeiro, o número um, o maioral. Vim para ser um colaborador no Reino. Se eu tenho o privilégio de falar, de ser um pregador, não é porque eu sou o bom, mas é porque o Eterno, em Sua misericórdia, me concedeu tal dom. Mas se por outro lado, eu quero fazer todas as prédicas pra exibir o meu vasto conhecimento, isso se tornará cansativo e logo as pessoas perderão o seu entusiasmo comigo. 

É preciso sermos humildes, e não importa quantos anos de estudo tenhamos em nossos instrumentos, o que vale é que, ainda que eu toque apenas uma nota, aquela musica em geral, fique marcada na vida de cada pessoa que a ouvir. 

Porque na orquestra, o prato pode ter  feito apenas uma nota, mas foi a nota que tornou minha noite especial. Aquela nota única foi a responsável por trazer a pessoa de Jerusalém a Curitiba, mas por outra lado foi aquela nota que tornou Yerushalaim Shel Zahav tão perfeitamente executada. 

Sejamos o prato da orquestra ou o solista, apenas saibamos que todos somos parte de um algo maior, seja ela a Música ou o Reino de Mashiach. Que Ele cresça e nós diminuamos.

Humildade sempre!

terça-feira, agosto 25, 2015

Reflexões para o dia: Elul; e até quando esperarás?


Dt 30:19-20 - Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o SENHOR, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade...
 
 
Hoje estamos no décimo dia do mês de Elul, ou seja, um terço do último mês do nosso calendário já se passou e faltam três semanas para Rosh HaShanah (para quem não sabe, é o ano novo judaico) e faltam 30 dias para Yom Kipur (o dia do perdão, a data mais sagrada de nosso calendário). E a meditação de hoje não é sobre o dia, ou o mês que vivemos, mas sobre como vivemos.

Ontem, no início do expediente, fui surpreendido ao ver a notícia da morte repentina de um conhecido, um senhor que acompanhava as transmissões da tv israelita, e que havia falado comigo no shabat, dois dias antes. Ele vivia distante, lá no Ceará, mas nos acompanhava sempre. Não, não era membro de nossa comunidade, apenas um simpatizante pela internet.

Ontem também recebi um convite para curtir uma página de facebook. Fui ver do que se tratava e era de uma jovem, casada com um recente dissidente da CINA. Há pouco tempo atrás, essa mesma jovem usava trajes decentes, guardando certa tsiniut (discrição) mas agora posta orgulhosa fotos usando trajes no mínimo incoerentes com alguém que se diz religiosa.

É interessante observar como as pessoas vivem suas vidas despreocupadas. O Talmude diz: "Se eu não for por mim, quem será? E se não for agora, quando será?" numa clara referência de que temos que nos preocupar com nossas atitudes hoje, agora, sempre, diariamente.

Será que aquele senhor, simpatizante, sabia que iria morrer logo após o último shabat? Creio que não! Ele estava feliz, se aproximando mais a cada dia do Eterno, e de repente, um ataque cardíaco e a vida cessou. Restaram as lágrimas de parentes e amigos.

Por outro lado, pessoas se afastam de D-us, e tomam o caminho de viver suas aventuras, suas vidas sem o temor do Eterno. Tudo que lhes resta é correr atrás de dinheiro, porque D-us já faz parte de um passado distante. Não se trata de julgar alguém meramente por seus trajes, mas uma pessoa que em poucos meses abandona o caminho, um modo de vida e rapidamente faz questão de mostrar que "agora mudou, está melhor, mais feliz" mostra com isso também que servir ao Eterno era causa de sua infelicidade.

Elul nos faz refletir, somos realmente felizes servindo ao Eterno? ou obedecemos os mandamentos, seguimos nossos líderes apenas por medo de punição? Porque basta nos afastarmos da comunidade para mudarmos completamente nosso modo de agir. Isso mostra que aquela pessoa que frequentava a sinagoga, ou mentia para os outros, ou mentia para si mesma.

Seja como for, meus amigos, o fato é que a vida é curta demais para vivermos de fingimento; um dia estamos aqui, no outro, estamos numa sepultura.
Já não mais no shabat anunciarei o nome daquele internauta que nos acompanhava, mas nunca foi capaz de tomar a atitude de se converter, ou não teve tempo para isso.

Nós, que estamos vivos, devemos tomar isso como um sinal de alerta. Não há tempo a se perder. Se seu interesse é pelo sagrado, pela presença de D-us, faça-o agora... ninguém poderá fazê-lo por você. Por outro lado, se estar numa sinagoga é um peso em tua vida, você deve refletir se é isso mesmo que você quer.

De qualquer forma, é aí que entra o texto de Deuteronômio. O Eterno nos está propondo, a vida ou morto, a bênção e a maldição. Somos nós é quem escolhemos nosso destino. Mas se você quer uma dica, escolha a vida, para que possas viver, tu e a tua descendência, amando ao Eterno, dando ouvidos à Sua voz, seguindo a Torah, apegando-se a D-us... pois é disso que depente tua vida.
Todo o resto, bens materiais, fama, exibicionismo, superficialidade... pense nisso.

Ainda estamos em Elul, ainda é tempo de reflexão e de arrependimento. Que o toque do shofar diário nos desperte para o reencontro com D-us. Se você deu um passo errado, escolheu o caminho errado, se sente que está mais distante de D-us, arrependa-te e volte, pois como disse o salmista: "um coração contrito não o rejeitará o Eterno".

Desejo a todos uma semana de boas notícias! Shalom!

terça-feira, agosto 18, 2015

Reflexões para o dia: Elul; um gesto que salva a sua vida.CARIDADE



Lv 25:35,36,38 - Se teu irmão empobrecer, e as suas forças decaírem, então, sustentá-lo-ás. Como estrangeiro e peregrino ele viverá contigo. Não receberás dele juros nem ganho; teme, porém, ao teu Deus, para que teu irmão viva contigo... Eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos dar a terra de Canaã e para ser o vosso Deus.

Elul é o mês em que nos aproveitamos da proximidade do ano novo, da presença do Eterno entre nós (leia o comentário, falando sobre o Rei estar no Campo) e devemos nos aprimorar em cada gesto, cada atitude nossa. 

No último domingo, um quadro do programa “Domingão do Faustão” chamado “Arquivo Confidencial” causou polêmica e discussão pela internet e resolvi ver do que se tratava. Ali, foi apresentado (de surpresa) um video em que um jovem ator fazia um gesto de caridade. O ator Caio Castro ficou visivelmente constrangido e insatisfeito ao ter exposto um momento em que ele dançou uma valsa com uma jovem de 15 anos, que sofria de câncer. 
É interessante que esse fato tenha ocorrido bem no começo do mês de Elul. Deve ser porque eu devia escrever sobre isso mesmo. Aí me fez refletir sobre quando fazemos coisas boas às pessoas, que tipo de recompensa buscamos. 

O sábio tsadik Yeshua ben David, disse: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste. Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6:1-4)

Com justa razão o jovem ator ficou insatisfeito, pois um gesto de caridade feito em particular, foi exposto diante de milhões de pessoas. (Pouco antes, o mesmo apresentador havia chamado o jovem de irresponsável, imaturo e coisas semelhantes)
O que fazemos de bem para as pessoas deve gerar em nós um prazer íntimo e pessoal, e essa é a melhor e única recompensa que deveriamos buscar; a satisfação de haver feito algo bom por alguém. 

Não devemos fazer o bem, buscando reconhecimento alheio, e nesse caso, toda a generosidade terá perdido seu encanto, e tornar-se-á, sem valor. Como disse Yeshua, o hipócritas é que fazem assim, e na verdade, eles já receberam sua recompensa.

Em Elul, a tsedakah, a generosidade, a preocupação em fazer o bem deve aflorar ainda mais dentro de cada um de nós,  e nossos sábios dizem que a tsedakah tem o poder de nos livrar da morte.

Há um midrash acerca da filha do Rabi Akiva, dizendo que havia um relato de um astrólogo revelara ao famoso Rabi Akiva de que sua filha iria ser micada por uma cobra, quando ela se casasse e morreria na noite de núpcias.
O dia do casamento chegou, e tudo ocorreu bem, mas antes de dormir, a filha do Rabi Akiva teria pego um comprido grampo de cabelos e espetou no mural que havia atrás de sua cama. Na manhã seguinte, quando ela acordou, puxou o grampo e viu que havia uma cobra morta, perfurada por seu grampo de cabelos. 
Rabi Akiva então perguntou à sua filha: “Qual foi a boa ação que você fez para merecer este milagre?” E ela respondeu que na festa do casamento, enquanto todos se divertiam e se alegravam, ninguém notou um pobre faminto pedindo ajuda na porta. Ela mesma se levantou e deu de sua própria porção ao pobre homem.” 
Rabi Akiva exclamou: “Você fez uma grande mitsvah e pelo mérito dela foi salva.”

Caridade é diferente de tsedakah, pois um gesto de generosidade pode ser feito tanto aos pobres quanto aos ricos, desde que não vise o favorecimento pessoal através de reconhecimentos. 

Generosidade deve ser a palavra a permear nossos caminhos nestes dias. Uma mão estendida ao pobre, ao aflito, ao entristecido, ao fraco, pode representar a diferença entre a vida e a morte; entre um decreto positivo ou uma condenação diante do Eterno. 

Que tenhamos uma vida cheia de bons atos, e que sejamos selados e inscritos para um bom julgamento e um ano bom em 5776. 

Transforme suas atitudes em brachot neste mês e inspire-se para um novo ano. Porque isso é Tikun Olam! Isso é trazer o Malchut HaShamayim para perto de nós. ATITUDE!

quarta-feira, junho 24, 2015

Reflexões para o Dia - Olhos postos para cima




Sl 121:1,2 -  “Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra.”

Em minha recente viagem a Israel, onde estivemos com o grupo de mulheres, durante uma das visitas ao Kotel (Muro das Lamentações) depois de minhas preces, resolvi me assentar numa das cadeiras junto ao muro para observar o vai e vem de turistas e religiosos que buscam seu encontro com D-us naquele lugar especial. 
De repente ouvi uma voz de aflição, porém forte e confiante, cantando bem lentamente: “shir lamaalot... essa eynai...” e procurei ver quem era; bem próximo a mim estava um rapaz, sozinho com seu livro de salmos cantando, e a cada frase, entremeada com longas pausas em que ele tocava o muro e olhava... eu me sentia tocado pela voz e pelas palavras do salmo.

Quantas e quantas vezes cantamos as músicas em hebraico (ou mesmo em português) e nem sequer prestamos atenção à letra? Esse salmo mesmo, já vi ser cantado centenas de vezes, em diferentes versões, mas com as mesmas palavras e de repente, um completo estranho, cantando as mesmas palavras no Kotel, me fez ver toda a beleza e sentimento que podemos ter expressando nossa confiança no Eterno. 

Não são simples palavras bonitas que farão alguém confiar ou não em D-us, mas muitas vezes vemos as pessoas cabisbaixas, sem rumo e sem confiança, sendo tomadas pelos problemas (que todos temos, mas insistimos em acreditar que os nossos problemas são maiores do que os dos outros). 

O salmo 121 começo dizendo: “Elevo os olhos aos montes.” A primeira constatação óbvia é de que não se pode olhar para o alto de uma montanha estando com a cabeça baixa. É preciso olhar pra cima. 
Ainda que você tenha dúvidas na sua cabeça, porque na sequência, o salmo diz: “De onde me virá o socorro?” O primeiro passo é olhar pra cima, ainda que você não tenha plena certeza de que receberá alguma resposta às suas preces. 

Na vida, temos sempre duas opções, dois caminhos: o da luta, da vitória, da confiança, e o da entrega, da derrota, da fraqueza. Quem fica sempre com cabeça baixa, vai perdendo as forças dia-a-dia, e no fim, colocará a culpa em D-us (que vê o seu sofrimento e não faz nada) ou em outros, mas nunca em si mesmo. É sempre tempo de erguer os olhos aos montes...

Uma vez olhando pra cima, no topo das montanhas, encontraremos a confiança e encontraremos ao Eterno. Aí poderemos dizer: “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.”
Não precisamos encontrar saídas mirabolantes para nossos dilemas da vida, precisamos de respostas simples e a mais simples tem apenas quatro letras: “iod, hey, vav, hey” pelo tetragrama, ou simplesmente DEUS, em português. Ele é nosso socorro bem presente nos momentos de angústia. (Sl 46:1)
Mas claro, o verso também ressalta que nosso socorro não vem de um deus qualquer, de ídolos de madeira, mas do único D-us criador do céu, da terra e de tudo que há neles. É esse D-us que não deixará vacilar o teu pé, pois Ele que nos guarda, não dormirá, nem pestanejará, ou seja, nem piscará com o menor sinal de sono, de relaxamento. Ele cuida de nós a cada instante. 

O salmo diz que o sol não te molestará de dia e nem a lua de noite, e por aí, o que mais se vê é pessoas reclamando do sol (do calor) e muitos dizem: “que lua hoje!” um sol para cada um, etc... incomodados com o calor do sol. 
Quem crê no Eterno, quem tem os olhos voltados para cima, não está preocupado com o calor ou o frio, com o sol ou a lua, não se incomoda com essas coisas, mas trabalha buscando seus objetivos. 

E o salmo conclui com: “O Senhor guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre.” Quem confia no Eterno, quem tem nEle o seu socorro, estará sempre seguro e tranquilo. Não importa onde eu entre, ou o momento que eu saia, estou protegido, pois Ele guarda minha entrada e saída.

O salmo 20:7 diz: “Uns confiam em carros, e outros, em cavalos, mas nós faremos menção do nome do SENHOR, nosso Deus.”

Essa foi uma grande injeção de ânimo em minha vida, uma lição que revi através da prece de um homem no Kotel. Erga teus olhos na direção dos montes e encontre também as respostas para suas aflições do dia-a-dia. 

Quem sabe em breve tenhamos a oportunidade de estarmos juntos, no Kotel, rezando e encontrando alívio de nossas angústias lá em Jerusalém, na Casa do Eterno. 

sexta-feira, junho 19, 2015

Reflexão: Israel só para mulheres!


Pv 31:30- “Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada.”

Depois de onze dias em viagem só com um pequeno grupo de mulheres pela Terra Santa de Israel, ao retornar, sempre é tempo de reflexão sobre o que deu certo e o que deu errado.

Em primeiro lugar devo dizer que ir a Israel é uma mitsva, um mandamento, e cumprir a peregrinação é também realizar um sonho para muita gente. Sonho que sempre valerá a pena!

O que deu errado? Nada, absolutamente nada. A viagem foi perfeita, os dias de calor, com as noites com o frio tradicional noturno de Jerusalém, a ida ao festival de luzes, os passeios, etc... enfim, tudo deu certo. 

De todas as viagens, posso constatar algo importante: não há empecilhos para quem realmente quer ir. Nesse grupo tive a oportunidade de trabalhar com os dois extremos. Levei a senhora Denis Carraro, de 76 anos, e a pequena Aidel Angélica, de um ano e meio. Ambas suportaram todos os passeios, as caminhadas, o calor, o frio, e sempre tinham um sorriso no rosto. Cansaço? Claro, todos sentimos, mas elas mostraram que é possivel.

Ter trabalhado só com mulheres nesse grupo foi um privilégio, pois atender às necessidades de cada uma não é tarefa das mais fáceis. 
Lá tivemos a Manoela, psicóloga, fazendo doutorado e morando em Cambrigde, na Inglaterra. Sedenta por conhecimento, queria muitas informações, mas sempre absorvendo o máximo de cada passeio, pôde experimentar desde andar sobre o camelo até assentar-se na cadeira de um deputado no parlamento de Israel, o Knesset.
A Mirian, que quase não foi, devido a alguns problemas, foi uma senhora companheira e falante, também professora sempre fala né? Outra que suportou bem os passeios e compartilhou seu conhecimento com as demais, durante a visita ao templo bahai, em Haifa. 
A Claudete, também de Joinville, super companhia e ajudante nas horas de carregar a pequena Aidel no colo; se dizia toda atrapalhada, mas foi bem a viagem toda, apesar de termos que lidar com papelada, carrega passaporte pra lá e pra cá, papel de permissão de entrada em Israel, passagens... até eu me confundo tem hora. Só não quis subir no camelo, mas de resto, fez tudo.
Claro, ainda tivemos a Eliana, minha esposa, que ajudava a todas com as fotos, ajudava a compartilhar com os parentes que ficaram no Brasil, falava com todo mundo, e claro, se emocionava e chorava junto com elas nos momentos da peregrinação. 

Jerusalém é sempre mágica, especial, e pudemos desfrutar de vários lugares, como os Túneis do Muro, o Monte das Oliveiras, o Knesset, o Museu do holocausto, que foi um lugar especialíssimo, onde passamos nossa manhã e metade da tarde da sexta-feira. 
Tivemos ainda a palestra com o Ariel Klimer, em Tiberiades, no Hotel Museu Dona Gracia. Foram duas horas de conversa e emoção, sempre com lágrimas nos olhos, como é próprio das mulheres. O ensino foi muito produtivo em todos lugares, mas ali, as lágrimas rolaram soltas para todas elas. 

O texto de provérbios 31:30 fala da mulher que será louvada: aquela que teme ao Senhor... Isso não deve ser apenas de palavras, mas de coração, de devoção, de entendimento. Foi isso que essas valorosas mulheres buscaram nessa peregrinação especial pela Terra Santa, e acredito que pudemos proporcionar a elas momentos inesquecíveis. 

Vem aí, no ano que vem, a segunda caravana só para mulheres, e esperamos que possa ser também recheada de momentos especiais vividos por aquelas que tem o coração tocado pelo amor e temor ao Eterno. 

Valeu muito a pena, sempre valerá a pena ir a Israel. E como diz o salmista: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do SENHOR. Pararam os nossos pés junto às tuas portas, ó Jerusalém!...Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam. Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios. Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: haja paz em ti! Por amor da Casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei o teu bem.”(Sl 122)

*** Se você quiser participar da proxima viagem exclusiva só para mulheres, entre em contato e comece desde já a vivenciar esses momentos de santidade, desde a preparação até o encontro pessoal com Deus, lá, em Jerusalém.

Leshana Rabá beYerushalayim! No Ano que vem em Jerusalém!

quarta-feira, junho 03, 2015

Reflexões para o dia. E o vento levou



“para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” (Efésios 4:14)

Há um famoso filme chamado “E o vento levou”. Ele é um romance, meio antigo, de 1939, com Clark Gable, como ator principal... o filme não tem nada a ver com o que quero falar, mas o título é interessante. 

Muito antes de 1939, Shaul HaShaliach já falava de outro tipo de vento, o vento de doutrina, famoso “papo furado” que, numa estorinha bem contada por homens cheios de astúcia, levam os “meninos” de um lado para o outro, com suas conversas, e os induzem a cometerem erros. 

Mas porquê meninos? Porque meninos são mais propensos à imaturidade, não sabem bem o que querem, e não sabem exatamente em quem confiar. Confiam “no mais legal, simpático, gente boa” e por isso mesmo os jovens são os alvos mais fáceis de pessoas inescrupulosas. Meninos se deixam levar por conversas, propostas de “projetos tipo isso, tipo aquilo” ainda mais se vierem acompanhadas de um bom papo à roda de uma mesa de cerveja, vinho e carnes. Meninos podem até ler a Torah, mas só homens a compreendem. 

Nem sempre o termo menino está relacionado à idade, mas o crescimento em número de dias deveria trazer consigo também o crescimento espiritual; foi isso o que o próprio Shaul HaShaliach disse: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.” (1 Co 13:11)

No meio esportivo, nos grandes jogos, há uma frase bem comum, que dizem: “é nessas horas que se separam os homens dos meninos.” E é bem assim, nos grandes momentos de conflitos, debates da sociedade, etc... são os homens que fazem a diferença. Os jovens são os que fazem os “protestos contra isso e aquilo, contra o governo, pintam o rosto, fazem grandes movimentos no facebook, etc...” mas no fim, a maioria das vezes são apenas ventos, e logo se distraem com outros brinquedinhos. 

É preciso ser homem, o talmude diz: “onde não tiver homens, seja você o homem” e na verdade Yeshua disse: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.” (Mt 5:37) 

Ser homem é ser firme, é honrar o que se diz, é permanecer fiel às verdades, é julgar com equidade, é ser amigo do bem, é proceder com segurança, respeito e sabedoria. 
Nem todos nesse mundo terão a capacidade de crescer em sabedoria, ainda que possam crescer em conhecimento. Sim, porque conhecimento e sabedoria são duas coisas bem diferentes. 

Porque era disso que Shaul HaShaliach falava na sua carta aos irmãos de Éfeso. Que numa congregação, há uns que são apóstolos (shalichim) outros profetas, evangelistas, pastores, enfim, cada um tem sua função, mas todos visam o aperfeiçoamento da kehilah, seguindo a verdade em amor, crescendo em tudo, de acordo com o cabeça, o líder, Mashiach.  A Kehilah é um corpo, e para o corpo funcionar bem, todos devem saber sua função; isso é evidente. 
Homens devem saber reconhecer sua função e sua importância dentro de um corpo. Ambicionar cargos e funções que não lhe pertencem é o pé dizendo: “porque não sou mão, não sou do corpo...”

O mesmo Shaul disse: 
“Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que o tendes ouvido e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus,  que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso sentido, e vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade. Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros.   Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira.   Não deis lugar ao diabo.” (Ef 4:20-27)
Dar lugar ao diabo, contando mentiras, se corrompendo e astutamente levando muitos com seus ventos, não foi assim que aprendemos. 

O tempo de Clark Gable já passou,... e o vento levou... mas o vento continuará levando meninos ao erro. Sejamos homens, firmes, fiéis, maduros e verdadeiros, porque foi assim que aprendemos.  Porque o resto, o resto é cinema, e cinema é mentirinha. 

Bom feriado a todos!

domingo, maio 31, 2015

Reflexões para o Dia: espinhos da vida


2 Co 12:7- “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.”

Nem sempre as pessoas conseguem entender questões bíblicas, e muitas vezes erroneamente pegam midrashim (parábolas) e consideram como reais, e interpretam de maneira desastrosa textos bíblicos. Há realmente textos difíceis de se interpretar, e cada pessoa tem o direito de ter sua própria visão, ainda que errada, de textos sagrados. 
Nesse verso da Brit Chadashah, há quem considere o “espinho na carne” como algo literal, colocado sob a pele do apóstolo; outros acham que isso é apenas uma analogia, e eu particularmente acho que isso é pouco relevante, diante da lição que aprendemos com o que está relatado. 

Primeiro, Shaul fala de “para que não me ensoberbecesse” então não foi um mero acidente de percurso. O tal espinho foi posto nele para que ele não se achasse tão poderoso, em função de sua posição, por ser um homem que revelava grandes interpretações dos textos sagrados, convertia a muitas pessoas através de seu poder de persuasão, enfim... qualquer um que atinge um status corre o risco de se achar, e usar uma carteirada: “você sabe com quem você está falando?” 
Esse é um risco grande que incorre sobre todos os que atingem posições de reconhecimento público.

Segundo, você já teve um espinho na carne? Uma farpa que descola de uma vara, e penetra na carne de seu dedo, ou pior, debaixo da unha? Isso incomoda uma barbaridade... se você não tirar, pode infeccionar, ou pode ficar ali quietinho e de repente começa a doer. O tal “espinho de Paulo” era exatamente isso, o esbofeteava. 
Bom seria se sempre que começássemos a nos achar melhores que os outros, tivéssemos um alarme interno que nos dissesse: “ei, quem você pensa que é? seja humilde rapaz!”

Pirkei Avot nos diz: “seja humilde, muito humilde, porque seu fim é servir de comida para os vermes” 

Shaul HaShaliach pediu três vezes ao Eterno que retirasse dele esse espinho, mas isso não aconteceu. E ouviu como resposta: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” 

São nas derrotas que aprendemos mais, dizem os pensadores modernos. Nas vitórias, nossas falhas são mascaradas pelo sentimento de todo vencedor, mas quando caímos, vemos o quão miseráveis podemos ser. 

A questão do espinho é a lição da humildade, do respeito, e de nossa capacidade de superar nossos instintos mais básicos de auto-engrandecimento. 
A Torah fala por exemplo que Moisés era o mais manso de todos os homens. (Nm 12:3) Mas a mesma Torah fala que ele matou um egípcio e sua esposa o chamou de homem sanguinário (Êx 4). Como entender, qual dos dois era Moisés?

Simples: de novo recorremos ao Pirkei Avot, que diz: “A quem se deve chamar de forte? Àquele que domina seus próprios instintos.” (Avot 4:1) 
A mansidão não era uma característica de Moisés, mas ele soube “dominar” sobre seu instinto e isso é o que fez dele grande, mais do que todos os homens de sua época. Ter o auto-controle.

Pedro, em sua carta disse: “pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que, pela concupiscência, há no mundo, e vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude, a ciência, e à ciência, a temperança, e à temperança, a paciência, e à paciência, a piedade, e à piedade, o amor fraternal, e ao amor fraternal, a caridade. Porque, se em vós houver e aumentarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.” (2 Pe 1:4-8) 

Nunca chegaremos a ser perfeitos se nos deixarmos levar por qualquer sentimento de engrandecimento; uma coisa puxa outra, segundo Kefah, e temperança vem depois da ciência, do conhecimento, mas vem antes da paciência e do amor verdadeiro. 
Podemos aprender (ter ciência) mas se não tivermos auto-controle sobre nossos instintos (inclusive de prepotência) nunca atingiremos o nível de ahavah necessário. 
Como foi dito: “o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” Se reconhecemos que não somos super-homens, perfeitos, sábios, grandes, o espinho na carne nos ensinará a sermos mais humildes e aí sim, o poder de Deus se aperfeiçoará em nossas vidas.

A propósito, acredito que sim, o espinho era literal, mas carregado de lições espirituais.

quinta-feira, maio 28, 2015

Reflexões para o Dia - morrer de desgosto não é bom!



Jó 21:23-25 - “Um morre em pleno vigor, despreocupado e tranqüilo, com seus baldes cheios de leite e fresca a medula dos seus ossos. Outro, ao contrário, morre na amargura do seu coração, não havendo provado do bem.”

Todo mundo já ouviu falar da história de Jó, que era rico, vivia tranquilamente servindo ao Eterno e, sendo tentado, sofreu  a perda de tudo, e no fim da vida o Eterno restituiu a tudo de maneira dobrada. Ele viveu intensamente sua fé e também sua miséria. Mas sua história nos ensina muitas coisas.
Nos últimos dias tenho observado o proceder de algumas pessoas e lamento pela vida delas. São pessoas amarguradas, infelizes, e Jó nos disse: “tem gente que morre tranquilo, viveu em paz; já outros, morrem na amargura, e não experimentaram o bem, a felicidade.”
E qual a motivação do infeliz? Tentar estragar a felicidade e a paz alheia. A pessoa não tenta mudar sua sorte, ser uma pessoa melhor, mas pelo contrário, tenta estragar a felicidade dos outros. Vou dar alguns exemplos:

• Você já viu gente que fica no facebook e toda vez que está só criticando alguem? Criticam o jogador de futebol, que ganha milhões pra chutar uma bola. Pra que? É o seu dinheiro? Acha absurdo, mas se for parar para pensar, aquele jogador ganha bem por causa do seu próprio talento, que queiramos nós ou não, é reconhecido por milhares de pessoas. E se não temos tal talento, ter inveja do salário dele é que não vai mudar nossa situação.
• Toda vez que começa o “Big Brother” ou uma novela, tem os críticos, que postam bobeiras como: Tem que tirar do ar, é só promiscuidade, é só baixaria... oras, se você não gosta do BBB, é só desligar a tv ou mudar de canal. Gente amargurada que fica criticando tudo. Assiste a novela só pra criticar no dia seguinte.

Da mesma forma, há pessoas que não gostam de nosso trabalho, da CINA, da prédica do Rosh Ezrah, Rosh Yishai, zaken Shelumiel, minha e de tantos outros. E daí? O que fazer? 
Primeiro que nem todo mundo vai gostar mesmo, nem é nossa intenção agradar todo mundo, mas a pessoa entra em nosso site, assiste a transmissão dos serviços, entra no chat e pra quê? Só pra maldizer? O que leva uma pessoa a assistir nossos programas só pra criticar? Só pode ser inveja, amargura e incapacidade de produzir algo positivo. 

O profeta Isaías diz: 
Is 5:20 - “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!”
A pessoa é bem assim: “ah! Eu assisto, critico, porque eu quero que as pessoas enxerguem a verdade!” Sério? 
Querer a mudança é sempre positivo, mas a mudança tem que partir de nós mesmos. Uma pessoa invejosa, que só critica os outros, só atrai pra junto de si outros murmuradores, críticos e invejosos. E quem os liderará? Se um tem inveja do outro, como podem imaginar estarem fazendo o certo? Acha bom ser amargo.

Uma situação ocorreu na Brit Chadashah, quando um certo Shimon (Simão) queria fazer o mesmo que os apóstolos, e ofereceu dinheiro pra ter os dons. Como resposta ele ouviu: 
At 8: 22-23 “Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração; pois vejo que estás em fel de amargura e laço de iniqüidade.

Amargurado de inveja, se deixou levar pela iniquidade. É simples assim. 

Nossa obrigação é de dizer não à Lashon Hará, a maledicência, à inveja, a pessoas que só sabem destruir, nunca construiram nada, e nos afastar desse tipo de gente. 
Pessoas assim só nos levam pra baixo, ninguém quer ser companheiro do maldizente, daquele que só enxerga o erro alheio.

Se você não gosta de novela, Big Brother, futebol, não assista; ignore... mas não fique maldizendo esse ou aquele que está ganhando seu dinheiro com aquilo. 
Se você não gosta da gente, por favor, não acesse nossos site, não viva pra nos criticar, não entre no chat de nossos programas pra falar besteiras. Faça uma coisa melhor, construa sua vida, faça algo de util pela sociedade e por ti mesmo. 
Quem sabe se você fizer algo melhor, as pessoas possam olhar, ver boas coisas em você e se unir a ti. Mas unir pra fazer o bem, é isso o que vale. 

E só pra retornar ao texto de Jó: “não morra na amargura de seu coração, sem ter provado o bem”, experimente ser bom, tratar bem as pessoas, olhar as virtudes, não atacar os defeitos. Fazendo assim, você será capaz de fazer seu próprio TIKKUN OLAM! E restaurar o mundo. Não se restaura o mundo atacando pessoas. 
Sejamos todos do bem!

quarta-feira, maio 27, 2015

Reflexões para o Dia - devedores...


Rm 13:8 - “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.”

Shaul HaShaliach, o apóstolo Paulo, sempre tinha bons conselhos; talvez por seu bom conhecimento, cultura, ele sabia bem usar as palavras pra falar coisas boas. Em um ou dois versos, ele nos brinda com conselhos maravilhosos. E nesse texto de sua carta aos Romanos, ele nos ensina regras de convivência e a dormir em paz.

A ninguém dever coisa alguma. Isso vale sob todos os aspectos. Como é triste a pessoa ficar devendo a outros! 
Imaginemos que alguém me venda alguma coisa, pode ser carro, bicicleta, roupa usada, viagem, aluguel de casa, comida... e eu não pague,  como fica minha credibilidade? Se a pessoa vende algo, ou ela vive daquilo, ou vendeu porque precisava do dinheiro. Se eu não pago, prejudico a vida da pessoa através de uma atitude de desonestidade. 
Quem não paga as contas, se é “sincero” acaba fugindo do reencontro com o credor, fica envergonhado. Quando o vê de longe, já desvia o caminho, de vergonha. Agora, se não tem vergonha, já mostra que isso é prática comum, e finge que está tudo bem, finge ser honesto e segue a enganar outros, com a mesma aparência de honestidade. 

O que você deve fazer se está em dívida com alguma pessoa e não está conseguindo pagar? 
Honestidade é fundamental (especialmente para quem diz que serve ao Eterno) e não fugir, mas você mesmo procurar o credor, e falar, explicar a situação e propor uma maneira de pagar a divida. Fugir, fingir que não conhece, é passar atestado de desonesto.

Dinheiro é sempre complicado, eventualmente situações inesperadas acontecem, como o desemprego, e aí precisamos nos readaptar. Mas há uma dívida que não conseguimos pagar facilmente. O amor ao próximo! Mesmo amando todos, sempre ainda haverá alguém que se queixará, e é preciso continuar a demonstrar o amor. 
O texto fala de amar uns aos outros, mostrando que deve ser um sentimento recíproco. Quando demonstramos amor, esperamos que haja uma resposta de amor do outro também, e isso tende a ser um ciclo constante de sentimentos e atitudes positivas. 
Quando abrimos espaço para o rancor dentro de nós, o amor vai se esvaindo, e murcha. 

Dias atrás conversava com um amigo sobre o motivo das pessoas se afastarem, de sairem de congregação, etc... e quando estas pessoas expoem o que pensam, elas citam mágoas de dois, cinco, dez anos atrás. Sentimentos ruins que deixamos florescer, crescem e invadem nosso coração, tomando o lugar do amor e do perdão. Guardar mágoa por dez anos? Que loucura é essa? Faz bem pra você isso? Carregar um sentimento ruim por tempos só nos fazem pessoas amargas.
Amar ao próximo é uma divida que temos, e essa dívida tem que ser paga dia-a-dia, continuamente... é mais ou menos como os juros da dívida externa brasileira: se não pagar, seremos consumidos. 

Mas o apóstolo Paulo continua, e diz, na sequencia: “Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz. Andemos honestamente, como de dia, não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Yeshua, o Mashiach e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.” (Rm 13:12-14)

Vamos rejeitar as obras da carne. Essas obras são comuns em homens que buscam glutonarias, bebedeiras, são desonestos, contenciosos, invejosos, perdidos em concupiscências, seus desejos malignos. 

Qualquer um pode se fingir de sério, honesto, bonzinho; mas simpatia não é sinal de honestidade; por trás de um belo sorriso pode estar uma pessoa enganadora. Aliás, numa reportagem que vi ontem, a jornalista falava que todo vigarista, golpista, ganha as pessoas na base da simpatia, da lábia. 

Sejamos honestos, amorosos de verdade, paguemos nossas contas em dia, sem prejudicar a vida de ninguém; e se tivermos algum percalço da vida, tenhamos a hombridade de irmos até nossos credores, nos desculparmos e propor uma solução para diminuir o prejuízo alheio que causamos. 

Quando agimos corretamente, a bênção nos persegue, mas quando somos desonestos, a maldição corre atrás de nós e nos alcança.

quinta-feira, maio 21, 2015

Reflexão para o dia: Yeshua, apressando Sua vinda!



At 1:6  Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?

No post anterior nossa meditação foi acerca de Yeshua ser o Mashiach prometido, mas isso não significa que Ele fosse iniciar o seu reinado naquele momento, da forma como pensavam os seus discípulos, e por isso mesmo, concluí a meditação com o verso em que Ele mesmo disse: “o reino de Deus está dentro de vós”. 

Aqui podemos começar a compreender o conceito, muito abordado hoje, mas ignorado pelos mesmos que falam dele, por desconhecer o que significa Tikkun Olam. 
Quando o Mestre disse que o reino de Deus está dentro de nós, ele dizia com isso que nós temos a capacidade de vivermos como se já estivéssemos presenciando o Reino. Nossas atitudes mostram isso; porque o que é o Reino se não um período de paz e justiça sobre a Terra? 

É nosso dever conduzirmos nossa vida com retidão, justiça e em paz com todos. Pirkei Avot 4:21 fala que este mundo é como uma antesala do mundo futuro; devemos nos preparar nessa antesala para a entrada no palácio. Isso é nada mais, nada menos do que as palavras de Yeshua ao dizer que o reino está dentro de nós. Ou a gente vive isso hoje, justiça e paz, ou como queremos estar num reino assim? 
Outro texto de Pirkei Avot nos fala que devemos amar a paz, procurar pela paz, amar as pessoas e aproximá-las da Lei Divina (Avot 1:12) 
Você não pode criar sites de Tikkun Olam e postar lashon hará nele... Isso seria restaurar o mundo? Isso seria aproximar alguém da Lei Divina? 

A Lei também serve para quem tem gratidão, senão vejamos: Porque os israelitas trariam os dízimos aos levitas? Por ser um mandamento, diriam alguns. Mas não entendo assim, não tão simples assim. Eles traziam porque eram os sacerdotes levitas quem ofereciam os sacrificios por eles (trazendo a paz, depois de haverem pecado) eram os mesmos sacerdotes levitas quem julgavam as questões, de acordo com Dt 17:8-13; outro exemplo, quando o patriarca Abraão entregou o dizimo a Melquisedeque, por ocasião do encontro entre eles. 
Há outros conceitos dentro do judaísmo, por exemplo, como o fato de ter sido Arão quem feriu as águas do Nilo, transformando em sangue e não Moshê, por quê? Porque Moisés tinha gratidão por o rio Nilo ter sido parte no seu processo de salvação, quando ele lá foi colocado, nos dias em que faraó matava os meninos hebreus. 

E por falar em gratidão, ao voltarmos no texto de Lc 17:21, quando Yeshua falou do reino estar dentro de nós, é interessante observar que estas palavras vieram longo na sequência do fato de ele ter curado dez leprosos e apenas um ter regressado a agradecer. (Leia Lc 17:11-19)
É isso amigos, se tivermos gratidão por aqueles que nos apresentaram a salvação, que nos ensinaram a fé, seja por programa de tv, seja pelos programas da internet hoje, seja pelas pregações na kehilah ou ainda por conselhos e julgamentos, como citado em Dt 17, estaremos trazendo o reino de Deus pra dentro de nós. Ingratidão não combina com o reino de Deus.

Na carta de Shaul HaShaliach a Timóteo, ele diz: 
“Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.” (2 Tm 3:1-5) 
Ele recomenda a fugir dos homens egoístas, avarentos (aqueles que mandam sonegar os dízimos, por exemplo) blasfemadores, desobedientes aos pais (pais também são aqueles que nos apresentaram a Torah) caluniadores (mentirosos) traidores, mais amigos dos prazeres (bebedices, glutonarias, festas...) do que de Deus e importante: TENDO FORMA DE PIEDADE, fingindo ser bonzinho. Foge destes.

Se queremos o reino dentro de nós, sejamos fiéis, gratos e assim, abreviaremos os dias até a chegada dos dias de Mashiach. 

Não, não foi naqueles dias que Ele restaurou o reino a Israel, mas desde aqueles dias, Ele nos deixou os ensinos, como bom Rabi que era, de que é necessário primeiro termos o reino dentro de nós e depois sim, na Sua vinda, o reino será sobre toda a Terra. Tenha o reino em ti, pratique justiça, seja grato e busque a paz sempre, pratique Tikkun Olam de verdade. Porque quem gasta seu tempo buscando dividir, buscando guerras e poder, não tem tempo para estudar a Torah.