segunda-feira, julho 22, 2013

Friendship



 

Provérbios 18:24  O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão
 
O tempo vai passando para todos nós e eventualmente é interessante observar quantas pessoas passam por nossa vida. Muitos passam, outros entram e não saem mais, graças a Deus. Ontem depois do casamento, que foi muito bom, fiquei pensando, penso muitas coisas, as vezes até penso demais.

A bíblia diz que o que tem muitos amigos sai perdendo, e eu não posso dizer que tenho muitos, tenho o suficiente, talvez poucos, mas poucos e bons, alguns mais chegados que um irmão.
 
A prédica do shabat seria sobre pessoas que se isolam, e foi dito que isso faz com que a pessoa perca oportunidades e é verdade. Eventualmente amigos nos surpreendem e nos suprem carências mesmo sem querer, nos dizem coisas que nos mostram o caminho ou dão uma luz sobre o que fazer.
Nossos caminhos se cruzam sempre, e isso difere amigos de colegas. Não fazemos nada, mas ao olhar para o passado (e sonhar com o futuro) em vários desses momentos os amigos lá estão, mesmo “sem querer”.

No casamento do Elazar e da Carol, revi amigos, dei risadas, foi ótimo e claro, fiz fotos. Quis fazer fotos com uma menina, a cantora. Em casa, já de noite, fiquei lembrando...

Há uns 18 anos atrás, teve um casamento em Curitiba e eu nao fui convidado, mas soube da festa. Nem liguei. Pouco tempo depois, aquele casal foi escolhido por mim e minha esposa para serem “testemunhas” do nosso casamento...

Nosso casamento teve quatro casais de testemunhas, dois deles, foram “colegas” que o tempo se encarregou de afastar. Eram maus? não, de forma alguma! Apenas eram “passageiros no trem da nossa vida”. Outros dois, é engraçado, nossos caminhos vivem se cruzando, nos bons e maus momentos. Ontem foi um bom momento.
 
Bom, uns anos depois, 14 anos atrás, lá estavamos eu e a Eliana saindo do Congresso, cansados e pensamos: “Que tal fazer uma visitinha pra nossa amiga, grávida?” E lá fomos, e por fim, naquela noite, acabamos levando a amiga pra dar à luz sua pequena menina, que ontem foi a jovem cantora do casamento.
Passaram-se anos, nasceu nosso primogênito Abel, e ele começou a tocar violino. A primeira apresentação dele, ele tocou e aquela menina Helen, foi a cantora. Isso se repetiu depois, e ela foi se tornando uma grande cantora.

Bom, nosso filho desistiu do violino, e agora toca piano. Quem sabe, logo ele toque pra ela cantar, pode ser uma surpresa num congresso futuro, uma boa surpresa para aqueles que os viram há 9 anos atrás, juntos, louvando ao Eterno.
Passamos juntos muitos momentos, bons e ruins, lembro-me das visitas quando eles ainda moravam numa casinha de madeira lá no Osternack. Depois mudaram de casa, uma, duas vezes, até chegarem à bênção da casa própria. Lá fomos algumas vezes, de vez em quando, quando eu e a Eliana vamos com nossos filhos ao zoológico de Curitiba, na volta, passamos lá, para um lanchinho.
E sem nos dar conta, lá se vão dezesseis, dezessete anos de amizade, desde os tempos em que eu e o Jair tinhamos cabelos.

Nossos filhos cresceram, continuam amigos, e vai saber o que o futuro reserva para eles!!! Deus sabe o melhor sempre.
Enfim, este post pode não dizer muita coisa num blog de um rosh da CINA, mas diz muito para mim, um mero homem que tem a felicidade de ter amigos de verdade.

A cada dia, to tentando me aproximar da pequena Rebeca, que um dia, a Helena me falou pra sugerir um nome, e eu disse: “Se eu tivesse uma filha, eu a chamaria de Rebeca.” E entao, ela diz: pronto! vai ser Rebeca! Esses dias, pela primeira vez, ela estendeu a mao e me deu shalom! Fiquei feliz pra caramba!

Ontem, eu consegui tirar uma foto com ela. Imaginem a felicidade! To conseguindo!

 Amizade é assim, a gente vai conquistando, e a Rebequinha é dura na queda, mas eu chego lá. Se você quer de verdade ser amigo de alguém, batalhe por isso, nem sempre vai ser fácil. Cada um tem seu temperamento, personalidade, preferências, etc... mas nada disso faz diferença quando realmente somos amigos.

 Obrigado ao Jair, sempre quietão, gente bonissima, fala de musica, computador, coisas que ele gosta... obrigado Helena, fala de tudo, fala mais que o homem da cobra, mas tem um sorriso que  detona meu mal humor. Obrigado Helenzinha, Helenzona, (como diz meu irmão Abiezer, monstra, monstra, cantora) ah futura!!!!! kkkk

Obrigado Rebequinha, ainda vou te conquistar!

Saibam sempre que pra nós, nossa familia, voces são especiais, e que nossas histórias continuem se cruzando nessa vida. E quem sabe um dia a Helena possa se lembrar de mim e nos levar um belo pote de “fatias hungaras”! Essa é minha esperança!

Um homem pode ter muitos amigos, mas pra que muitos se temos vocês?!

sábado, julho 20, 2013

MIKVE E O PERÍODO DE AFASTAMENTO


Não se esqueça de ler os artigos anteriores a respeito do assunto. 


LIÇÃO 5 - O período de afastamento

VERSO TEMATICO  De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem.”      (Eclesiastes 12:13)


INTRODUÇÃO

Concluímos nosso estudo passado vendo que o Eterno esquadrinha e penetra os desígnios do pensamento humano. Como nosso Criador, Ele conhece nossos mais íntimos anseios e necessidades, quer espirituais, quer físicas e por isso mesmo Ele, em sua infinita bondade, nos deu as regras para que o relacionamento físico entre homem e mulher proporcione a satisfação das necessidades e também  conceda um nível de intimidade que conduza ao espiritual.
Para que o homem possa atingir tal nível e sinta-se completo, é essencial   cumprir com a Taharat HaMishpachah observando os detalhes de tudo aquilo que foi orientado pelo Eterno em sua Santa Torah, quanto aos períodos relativos ao afastamento do casal, sua reaproximação, imersão no mikvê e o reencontro, quando ambos voltam a se tornar “uma só carne”.
O período de distanciamento físico não significa que o casal seja “distante” um do outro, mas que nesse tempo possam aperfeiçoar seu relacionamento de convivência, sem que para isso fiquem se tocando.


QUESTIONÁRIO

1. Qual o período de afastamento do casal? O que é ou não permitido?
“Não te chegarás à mulher, para lhe descobrir a nudez, durante a sua menstruação.” (Lv 18:19) Durante esse período (ou qualquer outro período de sangramento da mulher) o homem não deve tocá-la. A Torah, visando evitar esse contato entre o casal declara: “Toda cama sobre que se deitar durante os dias do seu fluxo ser-lhe-á como a cama da sua menstruação; e toda coisa sobre que se assentar será impura, conforme a impureza da sua menstruação. Quem tocar estas será impuro; portanto, lavará as suas vestes, banhar-se-á em água e será impuro até à tarde.” (Lv 15:26,27)
Hoje a Halachah determina basicamente que além do contato direto estar proibido, o contato com os lugares onde a mulher nidah se assenta, por exemplo, deve ser evitado por cerca de dez minutos, baseado no tempo em que o calor do corpo da mulher estiver sobre o local.
Segundo vários livros, dentre eles o Kitsur Dinei Tahará, que é um resumo das leis de Pureza Familiar, nossos sábios determinam que durante os dias em que a mulher estiver tamêh (impura):
• o homem não deve tocar nem nas roupas que a mulher estiver usando.
• Não é permitido sentir o cheiro do perfume da mulher.
• Marido e mulher só podem comer na mesma mesa caso haja algum “lembrete”, como por exemplo, colocar alguma coisa entre eles para os recordar da separação.
• Recomenda-se também, dentre outras coisas, que o marido não ouça sua esposa cantar nestes dias, nem que ela se enfeite a ponto de atraí-lo, etc.
Tudo isso com o intuito de “criar cercas em torno da mitsvah”, evitando que o homem se achegue à mulher durante a menstruação. O período mínimo de afastamento é de quatro ou cinco dias, de acordo com os dias do sangramento feminino.

2. Após o período de Nidah, como proceder a contagem do tempo de purificação da mulher?
Depois fazer um exame para ter a confirmação do fim do sangramento (hefsêc taharah), começa-se a contagem dos sete dias de purificação, quando é recomendado que a mulher utilize de roupas íntimas brancas, para facilitar a visualização de qualquer novo sinal de sangramento. Em caso de sangramento, a contagem dos dias de purificação é cancelada e inicia-se nova contagem.

Até aqui isso deve ter servido como incentivo para todos,. na intenção de ajudar a compreendermos melhor o mikvê. Daqui pra frente, cabe a cada um se aprofundar. Saber diferenciar o que é mitsvah com relaçao ao Mikve, e o que é costume, tradição. Mas a verdade é que sim, é importante.

Como não mais teremos o caderno de lições, cabe a cada um buscar nos livros, sobre os muitos assuntos dentro da fé judaica, explicações que poderão ajudar a aprimorar seu conhecimento, aperfeiçoar e firmar sua fé no D-us de Israel.

Espero ter sido util até aqui.


quarta-feira, julho 10, 2013

O MIKVÊ E O CASAMENTO



Não se esqueça de ler os artigos anteriores a respeito do assunto. 


LIÇÃO 4 - MIKVE E O CASAMENTO

VERSO TEMATICO  “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.”       (Hebreus 13:4)

INTRODUÇÃO

Aprendemos na primeira lição deste trimestre que ao pecar, o homem perdeu toda a sua condição de senhor da criação, de quem dominava sobre toda a criação e seu nível de santidade e pureza ao longo dos séculos só fez decair. Basta um olhar superficial sobre a humanidade hoje e percebe-se claramente o quanto, com o passar dos anos, o homem vai se degenerando moralmente e de forma cada vez mais rápida.
Como bem disse Jeremias: Assim diz o Senhor: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos. Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos ao som da trombeta; mas eles dizem: Não escutaremos. Portanto, ouvi, ó nações, e informa-te, ó congregação, do que se fará entre eles! Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras e rejeitam a minha lei. (Jr 6:16-19) Cada um responderá por suas escolhas e verá as consequências delas. É preciso uma mudança de direção rumo a um caminho de mais santidade.

QUESTIONÁRIO

1. Que tem a ver a santidade com o casamento?
Desde a criação o homem era para ser a imagem e semelhança do Eterno. Isso representa que o homem deveria refletir toda a santidade, mas infelizmente não foi assim. A perversão sexual de hoje tem se tornado pior do que os habitantes de Sodoma e Gomorra, cidades destruídas por seu alto nível de pervertimento.
O profeta Ezequiel disse: Sendo, pois, o homem justo e fazendo juízo e justiça, não comendo carne sacrificada nos altos, nem levantando os olhos para os ídolos da casa de Israel, nem contaminando a mulher do seu próximo, nem se chegando à mulher na sua menstruação;...andando nos meus estatutos, guardando os meus juízos e procedendo retamente, o tal justo, certamente, viverá, diz o SENHOR Deus.” (Ez 18:5,6,9)
Para que o homem seja considerado justo, é parte de suas atribuições não se contaminar com mulheres e nem se achegar à sua própria esposa nos dias de sua indisposição.
Além disso, na Brit Chadashah temos: “Igualmente vós, maridos, coabitai com ela com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações. (1 Pe 3:7) Dar honra à mulher, dentre outras coisas, é permitir que ela tenha prazer na relação de intimidade com seu esposo e não apenas o homem se sinta saciado de suas necessidades físicas.
Como diz no texto temático, “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula...” Ao desrespeitar os direitos da esposa, o homem a desonra e está maculando seu leito. Agindo assim, por mais tsadik que possa parecer diante da Kehilah, suas orações são interrompidas diante do Eterno.

2. Que parelelo há entre a criação do Eterno e o matrimônio?
O principio da criação representa o momento da união entre o material e o espiritual. O céu representando o espiritual, e a terra o material. Eles se desconectaram ao se separar, mas havia um elemento de união entre eles: as águas.  “E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.” (Gn 1:2) Assim é o casamento perfeito, com o homem representando o material e a mulher o lado espiritual, e quando ela toca as águas do mikvê, esse é o momento em que a união se aperfeiçoa.

3. Qual o valor do mikvê na santidade do casamento?
Não apenas a imersão num mikvê, mas tudo o que se relaciona com as mitsvot do Eterno, ainda mais aquilo que chamamos de chukim (mitsvot para as quais não é encontrada uma razão aparente)revelam nossa preocupação em fazer o que é certo. Pensando nisso, o zohar, tomando por base o verso que diz que “O espírito do homem é a lâmpada do SENHOR, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo.” (Pv 20:27) explica que o pavio corresponde ao corpo, a chama é o espírito, e o óleo são as mitsvot ou os atos do ser humano.
Se nossos atos não correspondem ao cumprimento das mitsvot, não teremos óleo nas nossas lâmpadas, e a chama se apaga, restando apenas o pavio. A qualidade da chama corresponde primordialmente à pureza do óleo, do azeite que a alimenta. Quanto maior zelo no cumprimento das mitsvot, maior e mais bela será a chama.
As leis de Taharat HaMishpachah (com a imersão ritual no mikvê) representam a busca pela santidade dentro do casamento e o reconheci–mento de que o Eterno sabe aquilo que é melhor para nós, pois Ele esquadrinha o mais íntimo de cada um de nós: “Tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai e serve-o de coração íntegro e alma voluntária; porque o SENHOR esquadrinha todos os corações e penetra todos os desígnios do pensamento. Se o buscares, ele deixará achar-se por ti; se o deixares, ele te rejeitará para sempre.” (1 Cr 28:9) Nosso zelo com cada detalhe das mitsvot, nesse caso, a Pureza Familiar preserva nossa alma, nos santifica e nos aproximam de Deus. Medite: “Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis dele, como se zomba de um homem qualquer?” (Jó 13:9)

em breve postarei a parte 5... na intenção de ajudar a compreendermos melhor o mikvê.


LIÇAO 5 - O PERIODO DE AFASTAMENTO

quinta-feira, julho 04, 2013

MIKVE NA CONVERSAO







As fotos acima são de Qumran, em Israel, onde viveram em comunidade os essênios e provavelmente Yohanan HaMatvil, nada melhor do que esse lugar para ilustrar uma lição sobre o Mikvê na conversão. 

 Não se esqueça de ler os artigos anteriores a respeito do assunto. 


LIÇÃO 3 - MIKVE NA CONVERSAO

VERSO TEMATICO “apareceu João Batista no deserto, pregando o batismo de arrependimento para remissão de pecados. Saíam a ter com ele toda a província da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém; e, confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.”                                     (Marcos 1:4,5)

INTRODUÇÃO

Conforme já previamente citado no estudo anterior, a imersão no mikvê é parte fundamental no processo de conversão à fé judaica.
Para nós, que cremos na Nova Aliança, profetizada por Jeremias, a imersão se manteve preservada, apenas que, assim como na nova aliança, a Lei seriam implantada nos corações, no caso da imersão em rio (ou mikvê) adquirira também um sentido mais abrangente.
O mesmo verso temático, na versão do Novo Testamento Judaico é escrito da seguinte forma: “A voz de alguém que grita: 'preparem no deserto o caminho para Adonai! Façam caminhos retos para ele'. Foi por isso que Yochanan, o Imersor, apareceu no deserto, proclamando a imersão que envolvia o retorno para Deus e o abandono do pecado para que fossem perdoados. Pessoas iam ao encontro dele de toda a região de Y'huda bem como os habitantes de Yerushalayim. Confessando os seus pecados, eram imersos por ele no rio Yarden.” (Mc 1:3-5)
Em ambos os casos, tanto no judaísmo tradicional quanto na Nova Aliança, a imersão no mikvê traz aquela mudança de status já citada, e “somos novas criaturas, eis que tudo se fez novo”. (2 Co 5:17)

QUESTIONÁRIO

1. Como surgiu o batismo? que relação ele tem com o mikvê?
Primeiramente cabe dizer que a palavra batismo  em seu original significa imersão. Isso quer dizer que o rito praticado por algumas religiões, que erroneamente utilizam-se da mesma palavra, aspergindo água sobre a cabeça da pessoa, adulta ou criança, NÃO é batismo.
Na Brit Chadashah, o batismo é mencionado pela primeira vez com Yohanan, quando é dito: “Então, saíam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados...Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento;” (Mt 3: 5,6,8)
Isso significa que originalmente o batismo pressupunha duas coisas: imersão e arrependimento de pecados.  Como nos dias do surgimento da Brit Chadashah os israelitas já praticavam a imersão como parte do processo de purificação, o que Yohanan fez foi agregar ao ato a profundidade do arrependimento de pecados. Pode-se dizer que o Jordão foi o primeiro mikvê da Nova Aliança.

2. É preciso uma conversão para se achegar ao judaísmo da Nova Aliança?
Em primeiro lugar, reconheçamos que o Eterno não deseja a perdição do pecador: Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? Diz o Senhor; não desejo, antes, que se converta dos seus caminhos e viva? Mas, convertendo-se o ímpio da sua impiedade que cometeu e praticando o juízo e a justiça, conservará este a sua alma em vida. Pois quem reconsidera e se converte de todas as suas transgressões que cometeu, certamente viverá, não morrerá. (Ez 18:23,27,28)
Conversão é mudar de direção, mudar o rumo, seja na estrada, seja na vida e basicamente o processo é o mesmo para o judaísmo de uma forma geral. Para que a conversão ocorra é fundamental que a pessoa abrace a aliança do Eterno, para que seja unido a Israel, como profetizado: Aos estrangeiros que se chegam ao SENHOR, para o servirem e para amarem o nome do SENHOR, sendo deste modo servos seus, sim, todos os que guardam o sábado, não o profanando, e abraçam a minha aliança, também os levarei ao meu santo monte e os alegrarei na minha Casa de Oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar, porque a minha casa será chamada Casa de Oração para todos os povos. Assim diz o SENHOR Deus, que congrega os dispersos de Israel: Ainda congregarei outros aos que já se acham reunidos.” (Is 56:6-8)
Não há conversão sem que se aceite o pacto abraâmico da circuncisão, que marca no prepúcio do homem sua aceitação às leis do Eterno. Depois da Brit Milah, é a vez da imersão no mikvê para conclusão do processo. Por razões óbvias, a conversão de uma mulher é feita apenas através do mikvê.

3. Como deve ser o procedimento para a imersão no mikvê na conversão?
Como já dito, a tevilah é o que conclui o processo de conversão, portanto, antes a pessoa será instruída por algum líder competente, seja pessoalmente o acompanhando os estudos transmitidos via tv, internet, etc... e uma vez que já não haja mais nenhum impedimento, a cerimônia de tevilah é conduzida por um zaken da Kehilah. Como nos dias de Yohanan HaMatvil, a tevilah segue sendo feita em “fontes de águas vivas”, ou seja, normalmente num rio.
Antes da imersão, o convertido recita o Tahanun, num reconhecimento de sua condição de pecador, e pronuncia a bênção da imersão:Baruch ata Adonai, Elohênu mélech haolam, ahser kideshanu bemitsvotav, vetsivanu al hatevilah.” que traduzido: “Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do universo, que nos santificaste com Teus mandamentos e nos ordenaste fazer a imersão na água.” (Sidur, página 141)
O corpo todo deve ser submerso, e para que nada dificulte o contato do corpo com a água, recomenda-se retirar tudo que possa dificultar, como brincos, anéis, correntinhas, etc...
Ao sair da água, convencionou-se que o recém-convertido pronuncie pela primeira vez como israelita nossa declaração de fé num só D-us: “Shemah Yisrael, Adonai Elohenu, Adonai Echad.”


em breve postarei a parte 4... na intenção de ajudar a compreendermos melhor o mikvê.

LIÇAO 4 - O MIKVÊ E O CASAMENTO


segunda-feira, junho 17, 2013

Mike e sua importância




LIÇÃO 2 - MIKVE E SUA IMPORTÂNCIA

VERSO TEMATICO“...lavará as suas vestes, e banhará a sua carne em águas vivas, e será limpo.” (Levítico 15:13)


INTRODUÇÃO

Apesar de a Torah não fazer uma afirmação direta sobre o que seja um mikvê e nem tampouco explicar como deveria ser sua utilização, sabemos hoje de detalhes que foram aperfeiçoados através dos tempos pela Torah Oral e mais tarde, com as discussõs e o Talmude, nossos sábios chegaram a um consenso de como deveria ser e funcionar.
O fato de não haver grandes explicações na Torah acerca do assunto, não significa que não devemos valorizar um mikvê. Por exemplo, o livro “As águas do Eden” diz: “Muitas pessoas ficariam surpresas ao saber que o mikvê é mais importante do que a sinagoga. Isto pode não ser óbvio, porque em muitas comunidades, as sinagogas têm edifícios caros e imponentes, enquanto o Mikvê é pequeno e de manutenção modesta. Porém, o mikvê é mais importante. A Lei Judaica afirma que uma congregação que não tenha seu próprio mikvê não tem sequer status de comunidade.” (Pg 12)
O ajuntamento de águas que forma o mikvê nos possibilita o cumprimento de todas as mitsvot relacionadas ao processo de purificação e nos aproxima a cada dia do Eterno, em pureza.

QUESTIONÁRIO

1. Que condições são necessárias para se preparar adequadamente um mikvê?
Há no mínimo seis condições básicas para que se alcance um status de mikvê.
1) O mikvê deve ser preenchido com água. Nenhum outro líquido pode ser utilizado.
2) Ele deve ser construído no chão. Não pode ser formado por nenhum recipiente que possa ser desconectado e levado embora, como uma piscina, banheira ou tanque.
3) A água do mikvê não pode estar correndo ou fluindo. A única exceção é uma fonte natural ou rio cuja água derive principalmente de nascentes.
4) A água não pode ser dirigida, ou seja, não pode ser trazida para o mikvê através de intervenção humana direta.
5) A água não pode ser canalizada para o mikvê através de canos ou recipientes feitos de metal, argila ou madeira.
6) O mikvê deve conter pelo menos 40 Sa'ah (aproximadamente 200 galões ou seja, 25 pés cúbicos de água). Isso porque, segundo Rabbi Yitzchok ben Sheshes explica: “há uma regra geral de que se uma coisa for misturada com outra que tenha o dobro do seu volume, ela será considerada como anulada. O maior corpo humano normal tem um volume equivalente a 20 Sa'ah.” (Águas do Eden, pg 93)
Independentemente de conhecer as regras, antes de dar início à construção de um mikvê, todas as kehilot devem buscar orientação com a Sede da CINA.

2. Em que situações do cotidiano israelita é utilizado o mikvê?
A imersão num mikvê é parte da vida judaica, e representa de modo geral uma mudança de status.
• O processo de conversão à fé judaica passa por uma imersão no mikvê. Essa imersão representa a mudança do status de “gentio”, “impuro” para um “baal teshuvah”, reconhecido como um legítimo israelita. “No caso de um homem, a imersão deve ser precedida pela circuncisão ritual, e para uma mulher, a imersão em si mesma representa todo o ritual de conversão.” (Águas do Eden, pg 37)
• A mulher, ao encerrar o período de nidah, depois de uma semana de purificação, conclui o processo com a imersão no mikvê. A partir de então, sai do status de “impura, imprópria” para a condição de “adequada, apta” para retomar seu relacionamento com o esposo.
• Após relação sexual, em que haja emissão de sêmen do homem, fora do corpo da mulher.
• Qualquer utensílio para comida feito de metal ou de vidro, em alguns casos também de madeira, fabricados ou de propriedade de um não yehudi, deve ser imerso, antes que possa ser usado para alimentos judaicos. Quando um utensílio for utilizado para alimento não kosher, ele precisa tornar-se kosher e ser imerso.
Há ainda outros costumes de imersão num mikvê, como por exemplo em caso de contato com um morto; antes de realizar uma brit milah; noivos antes de se casarem; um sofer, antes de iniciar seus trabalhos ao escrever um sefer torah, etc...
* Abordaremos mais profundamente sobre cada um dos principais itens acima citados em lições posteriores.

3. De que maneira a imersão no mikvê deve ser considerada?
Como dito anteriormente, ela representa uma mudança de status, como um rito de passagem. Por isso mesmo, o banho ritual não deve ser visto como um banho comum. A água do mikvê não está lá para lavar nosso corpo das sujeiras, até porque é parte comum no processo o banho ANTES de entrar no mikvê.

A imersão representa renovação, o renascimento e o reencontro com o Eterno, e pelo fato de estar entre os chukim (mitsvot para as quais não há uma explicação lógica) torna-se um ritual muito mais valioso espiritualmente, uma vez que em nossa mente limitada não somos plenamente capazes de compreender a Lei Divina em sua totalidade, mas a aceitamos ainda assim, e cumprindo-as damos uma demonstração de sujeição à vontade do Eterno, reconhecendo que Ele sabe que é melhor para nós.

em breve postarei a parte 3... na intenção de ajudar a compreendermos melhor o mikvê.

LIÇAO 3 - O MIKVÊ NA CONVERSAO

segunda-feira, junho 10, 2013

Mikvê, era pra ser um caderno de lições, mas agora virou post...



Há pouco tempo foi inaugurado o mikvê em nossa Beit Sede, em Curitiba, o que certamente representa mais um avanço de nossa teshuvah. Também por conta disso, fui ler e reler alguns livros para que pudessemos publicar um caderno de lições sobre o assunto e sua grande importância para o modo de vida dentro da fé judaica. 

Já estava escrevendo quando a nossa Diretoria optou por não mais publicar o caderno de lições e substitui-lo por videos do programa Or Teshuvah, que obviamente também traz muitos ensinamentos importantes. Como aprender nunca é demais e como eu já havia escrito algumas lições, acho que é bom publicar aqui, já que não mais teremos as liçoes. Publicando aqui, e compartilhando nos facebooks, o aprendizado pode chegar a todos os membros também. 

As lições são um pouco do que aprendi com livros como:
- "A distância que nos une - Leis de Pureza Familiar
- O Segredo da Feminilidade Judaica
- Kitsur Taharat - Resumo das Leis de Pureza Familiar
- As Águas do Eden
- To Become One (em inglês)
e além desses, alguns outros comentários rabínicos que li, e que me ajudaram a compreender um pouco mais das mitsvot relativas ao mikvê e sua importância no âmbito familiar.

Aos membros e líderes da CINA, se julgarem importante, fiquem a vontade para copiarem, imprimirem e estudarem juntos em suas kehilot, em horários que acharem de melhor proveito para o crescimento espiritual da Kehilah. Como verão, o texto segue no antigo formato das lições.

 LIÇÃO 01 - O HOMEM NA CRIAÇÃO

VERSO TEMÁTICO: “Contudo, pouco menor o fizeste do que os anjos e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés.” (Salmo 8:5,6)

INTRODUÇÃO: 
Para que possamos compreender melhor as funções de um mikvê, nosso tema central deste trimestre, se faz necessário primordialmente saber que  tudo que existe, inclusive as águas de um mikvê foram criadas para o benefício do ser humano. 
Quando, na criação o Eterno criou o Eden, colocando cada coisa em seu lugar, rios, peixes, animais, árvores, tudo foi feito pensando no homem, cuidadosamente formado pelas mãos do Eterno, soprando nele o fôlego de vida. (Gn 2:7-10)
Como A Torah afirma que “eis que tudo era muito bom” a cada ato da criação divina, então devemos aceitar que o homem era perfeito e vivia em perfeita harmonia com o ambiente e o Criador e que não havia nele a inclinação para o mal e o pecado. Havia nele a possibilidade da vida eterna, numa relação de crescimento espiritual e intimidade com o Criador. 
Com o evento da serpente e a tentação, o homem, fazendo uso de seu livre arbítrio transformou sua relação com o Eterno e a perfeição do Jardim já não era mais como antes.

QUESTIONÁRIO
1. Que lições aprendemos com o pecado do homem?
A perfeição que havia no Eden sem o pecado havia sido perdida por conta da desobedência do homem. Como o mundo inteiro houvera sido criado em favor do homem, quando ele caiu, provocou juntamente também a queda do mundo todo, e o mal já não mais estaria concentrado “na serpente” mas acabara por contaminar toda a criação. “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram.” (Rm 5:12)
A própria reação de Adam, que antes não se envergonhava por estar nu, tendo que fazer vestimentas com folhas de figueira para cobrir suas “vergonhas”  já demonstra que ele sentiu o peso do pecado. A seguir, de imediato a Torah diz: “E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.” (Gn 3:8)
Nosso sábios afirmam: “Um pecado sempre tem como consequência outro pecado. A recompensa duma boa obra está na própria boa obra realizada. A consequência dum pecado é sempre outro pecado.”
Se seguimos o relato do pecado de nossos pais, vemos que outros erros se seguem logo após. (Gn 3:1-13)
• envergonhar-se. O que peca, sente vergonha em sua consiência.
• esconder-se. Quem faz algo errado, logo procura ocultar o erro, e se esconde.
• fugir da culpa. Assim como Adam, o pecador sempre procura culpar alguém por seus próprios erros. Eva fez o mesmo, mas a serpente não tinha a quem culpar.

2. E quais as consequências recaíram sobre a Criação?
“À mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.” (Gn 3:16-19) Mas o maior castigo foi: “o Senhor D-us, pois, o lançou fora do jardim do Eden...e havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Eden e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.” (Gn 3:23, 24)

3.  Por que foi necessário que o homem fosse retirado do Jardim do Eden? Que isso representa?
Como dito anteriormente, na criação tudo era perfeito e não havia espaço para sujeira ou coisas erradas, e ao perder o acesso ao Jardim do Eden, o homem se distancia de tudo que era puro e perfeito, seja no modo de vida, na sua relação com toda a criação ou na sua relação com o Eterno. Como disse o profeta Ezequiel: “para que a casa de Israel não se desvie mais de mim, nem mais se contamine com todas as suas transgressões.” (Ez 14:11) Numa outra versão do mesmo texto, é dito: “já não se sujarão através de seus pecados.” ou seja, o pecado sujaria, contaminaria o Eden e como o que é perfeito não se pode contaminar. 

4. De que maneira o homem poderia voltar a se aproximar do Eterno e do puro, estando ele manchado pelo pecado?
Para reestabelecer sua relação com o Eterno o homem precisava passar por um processo de limpeza e purificação, e então se reconectar com o Eden. 
“O Talmude diz que toda a água do mundo tem sua raiz no rio que brotou no Eden. Num certo sentido, este rio é a fonte espiritual de toda a água. Mesmo que uma pessoa não possa entrar no próprio Jardim do Eden, sempre que se associa com esses rios - ou com qualquer outra água - ele está restabelecendo sua ligação com o Eden... Isso também explica por que o micvê tem de estar vnculado à água natural.” (Äguas do Eden, pg 58)
Com isso, começamos a entender a importância de um mikvê no processo de nossa re-conexão com o Eterno.

EM BREVE POSTAREI A LIÇÃO DOIS: MIKVÊ E SUA IMPORTÂNCIA


sábado, junho 01, 2013

Forum 2013


Depois de alguns dias sem postar nada, reencontro no forum algumas pessoas que surgem e sempre comentam que visitam meu blog, que acabei abandonando bastante pis fico tempos sem postar nada. Dessa vez, o Levi, de Passo Fundo/RS veio me falar e então resolvi colocar algo sobre nosso evento.

É sempre bom quando vem a época do forum, dias frios em Curitiba e muita conversa em nossas reuniões. Esse ano tem sido bastante proveitoso o evento, com discussões e estudos sobre temas realmente relevantes para o avanço da Kehilah e o processo de Teshuvah. 

Ja abordamos sobre as festas de Shavuot e Pessach, especialmente com um estudo claro sobre os dias da contagem do Omer. Também sobre Brit Milah, conversão dos gentios, requisitos, comportamento, etc... enfim, muito produtivo.

A hora ruim fica sempre por conta das fotos,  hehe, pelo menos pra mim, mas tem que fazer, fazemos. Um abraço a todos! Ano que vem tem mais, mas antes, teremos o congresso em dezembro, de 26 a 29, em Campinas. Preparem-se!

terça-feira, abril 30, 2013

Coisas que ninguém me tira! Amigos verdadeiros!



A foto acima descreve a essência da alegria pela qual passei nesse último final de semana. Depois de passar o shabat com amigos queridos em Vacaria/RS na manhã do domingo fomos para Caxias do Sul, e eu já muito nervoso porque iria celebrar um casamento. Ao chegar, tudo muito bonito, chique, fui ficando mais e mais tenso porque não podia fazer feio e estragar tudo. Aï já não tinha mais jeito, era ou me acalmar ou fazer fiasco... No fim, acho que a cerimônia foi boa, afinal muitos vieram elogiar. E o elogio mais sincero foi de visitantes que nem sequer conheciam a CINA, dizendo que gostaram muito, que entenderam a liturgia, e que se alegraram por poderem ter assistido. Mas minha alegria maior veio dessas fotos que estão aqui. Na primeira, de cima, dois casais, com as ketubot do Yov e Sabrina, (tinha duas para eles escolherem, e optaram pela da esquerda) 
Fiquei por um bom tempo, de longe, admirando a beleza desses casais, não a beleza física, mas a beleza interior da felicidade que eles demonstravam, não por serem as testemunhas do casamento que ocorrera, mas por estarem casados. 
Os sorrisos do Rosh Guedy e de sua esposa Raquel, sentados na mesa atrás da minha, depois durante as danças, a cumplicidade deles, e sim, eles estão ainda mais bonitos agora. E eu ali, pensando, exatamente dois anos atrás, no mesmo dia de LagBaOmer, eu estava ali, em Caxias, no casamento deles. Depois de casados, ainda de vez em quando os aconselho, mas já não como um casamenteiro, mas como um amigo.

Ainda antes da cerimônia, me emocionei ao abraçar o Davi, menino da minha kehilah de Ponta Grossa, a quem eu não via há quase dois meses. Ali, ele e sua esposa Alitsa, era outro casal que eu havia unido na mesma Caxias do Sul, há oito meses. Felizes? Claro que sim! É um privilégio para mim congregar ao lado deles a cada shabat. Foi D-us quem os uniu, mas eu me sinto um instrumento para que essa união ocorresse. Eles confiaram em mim, pois ainda me lembro do dia em que falei ao Davi: "rapaz, encontrei a moça ideal para você, você quer?" E na mesma hora ele aceitou, sem sequer tê-la visto antes. Eu os "apresentei" já praticamente como "compromissados" alguns meses depois, num encontro de jovens, em Curitiba. Depois, ao falar com ela, perguntei: "e aí, tá feliz, ele é o que você esperava?" Ela, uma jovem ainda meio sem jeito de falar comigo, respondia, toda alegre: "Ele é mais do que eu sempre sonhei, é como se a gente já se conhecesse há muitos anos" 
Novamente digo, é um privilégio congregar ao lado de voces a cada semana. 

E eu ainda sou bem recebido em Caxias do Sul, mesmo tendo tirado duas jovens preciosas para aquela Kehilah. Mas era preciso mais, havia mais uma ainda na minha lista. E como é engraçado, me lembro que no dia do casamento da Raquel, lá fui eu, conversar com o Nélio, falar que havia um bom rapaz, chamado Yov e que ele estava interessado em se casar com sua caçula, Sabrina. Pouco tempo depois, lá estava eu, de novo a Caxias, para oficialmente apresentar os compromissos do Davi e da Alitsa, e no mesmo tempo, do Yov e da Sabrina. Neste domingo percebi que pelo menos até aqui agi corretamente e para o bem desses jovens. Um já é rosh no Mato Grosso, outro caminha com grandes responsabilidades ao meu lado em Ponta Grossa. O que será do Yov e da Sabrina na Kehilah? Não sei, eles irão morar em Curitiba, e espero que o casamento deles sirva também de exemplo e de boa inspiração para outros jovens.

Mas minha vida não se resume a retirar as meninas de Caxias do Sul, então na semana passada estivemos no casamento do irmão do Yov, o Yonatan Lusmar, que se casara com a jovem Denise, de Blumenau. A partir dessa semana, eles já iniciam sua vida na casa deles, na distante Rondônia.  Mas ainda quando eu viajava para Caxias, na sexta-feira, recebi uma ligação do Lusmar. Ele me dizia da felicidade do casal e me agradeceu, e agradeceu de novo no casamento do Yov. Ao vê-los, no último domingo, ambos estavam radiantes de alegria, sorridentes. Quando estava para iniciar o casamento do Yov, eu me aproximei da Denise e perguntei: "Você está feliz?" E ela me respondeu com um belo sorriso. Pronto! Acertei de novo!

Durante a festa, é sempre engraçado, porque basta eu conversar em separado com um jovem que já fica todo mundo observando, se ele ou ela sairão com um sorriso no rosto... não foi dessa vez, mas quem sabe possamos tirar mais jovens virtuosas do Rio Grande para fazerem a alegria de bons rapazes pelo Brasil afora. As boas meninas que sairam de lá são também frutos do excelente trabalho realizado pelo rosh Elazar ben Elisha e sua esposa Viviane. 

Agora, só me resta esperar alguns dias, semanas, meses, e anseio por encontrar no novo casal, Yov e Sabrina Raysel, a mesma alegria que vi nos outros que tive a honra de unir. 

Agora sou eu que agradeço pelos abraços sinceros, pela gratidão e respeito com que tem demonstrado para comigo. Espero levá-los para sempre como amigos, mas por ora, fico imensamente feliz por vocês todos. 

Continuem assim, com o coração grato, não a mim, mas a todos que apoiaram e que continuam dando suporte para vocês possam construir seu caminho juntos, cheios de felicidade e que venham novos casamentos para voces serem as testemunhas e quem sabe, eu como oficiante... Amo vocês! 

Essa alegria é mais uma das pequenas boas coisas que nunca ninguém será capaz de tirar de mim. A alegria de construir amizades, e de ter amigos sinceros por onde eu e minha familia passamos. Agradeço e de igual forma amo também meus amigos de Vacaria, que nos receberam com imenso carinho nesse shabat!





segunda-feira, abril 15, 2013

Nem tudo são flores! Às vezes, lágrimas insistem em descer pelos olhos...




Nessa segunda-feira, nosso último dia em Jerusalém amanheceu com muito sol e calor. Não dormi direito, atormentado por um sonho, ou melhor, pesadelo bem desagradável. Despertei com as risadas de meus companheiros de quarto, que acordaram com disposição. 
Hoje levante disposto a ir logo cedo ao Kotel, sozinho, pra um reencontro com o Eterno. Pra tentar ouvir Sua voz, aquietar meu coração, pois uma série de coisas me atormentam. Apesar da felicidade por estar em Jerusalém, e de saber que muitas das preces que coloquei no muro, diante dEle, já foram ou serão atendidas, eu precisava de um tempo sozinho.
Não é fácil a saudade da família, da esposa, dos filhos, de quem eu sei que realmente me ama, e de alguns amigos que são como irmãos. Por outro lado, não é fácil sentir-se abandonado, sem apoio e ser ignorado, apesar de todo o esforço.
Pouco antes de chegar no Muro, dou de cara com um rosto conhecido, um senhor que já fora membro da CINA, Mordechai, que vivia no Rio de Janeiro. Não falei com ele, estava ocupado acompanhando o grupo.



Cheguei ao Kotel, disposto mais a ouvir do que a falar. Logo de cara, presenciei um bar mitsva e mulheres que se aglomeravam do lado feminino para acompanhar a cerimônia do filho, sobrinho, irmão, amigo e logo elas jogavam suas balinhas na direção do jovem que acabara de ler a Torah pela primeira vez no Kotel. 
Depois, fui na parte interna, pois o calor do sol me castigava lá fora. Lá, poucas pessoas rezavam e eu pude escolher um bom lugar junto ao muro. Rezei, pranteei, e é engraçado como em certos momentos faltam as palavras, e tudo que se pode dizer é: “Senhor, Tu sabes o que se passa no meu coração, me ajuda!”
Ao sair, sou abordado por um senhor, magro, simples, peots grandes, Moshe Cohen, que me chama e diz:
- Ei, Tsadik, sinto que precisa de uma brachá, está com semblante triste. Ani Cohen, (eu sou um cohen) posso fazer uma brachá sobre voce? 
Sei como é no Kotel, muitos fazem a brachá e depois pedem tsedakah, e entao respondi: “Não posso, não tenho dinheiro para tsedakah”. E logo veio a resposta:
- Eu não quero sua tsedakah, quero te abençoar tsadik!
Então deixei, ele fez a brachá, perguntou o nome de meus filhos, e pronunciou as palavras sobre minha cabeça. Ao me despedir dele, agradeci e já caminhava quando ele grita:
- Ei, Moshe, ergue a cabeça e sorria, não fique triste!
Minha vontade era de dizer: “lamento, mas hoje não consigo sorrir” mas, meio sem graça, sorri, e logo em seguida, soou a sirene para um minuto de silêncio e, parado, lamentei a morte dos valorosos soldados anônimos israelitas que lutaram por um povo livre.

Voltei para o hotel, e procurei algum salmo que expressasse o que sinto em meu coração hoje; Tomo as palavras do poeta e salmista e quero compartilhar aqui com amigos:
“Ao SENHOR ergo a minha voz e clamo, com a minha voz suplico ao SENHOR.  Derramo perante ele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação. Quando dentro de mim me esmorece o espírito, conheces a minha vereda. No caminho em que ando, me ocultam armadilha.
Olha à minha direita e vê, pois não há quem me reconheça, nenhum lugar de refúgio, ninguém que por mim se interesse.
A ti clamo, SENHOR, e digo: tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes. Atende o meu clamor, pois me vejo muito fraco. Livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu. Tira a minha alma do cárcere, para que eu dê graças ao teu nome; os justos me rodearão, quando me fizeres esse bem...
...dentro de mim esmorece o meu espírito, e o coração se vê turbado. Lembro-me dos dias de outrora, penso em todos os teus feitos e considero nas obras das tuas mãos. A ti levanto as mãos; a minha alma anseia por ti, como terra sedenta.
Dá-te pressa, SENHOR, em responder-me; o espírito me desfalece; não me escondas a tua face, para que eu não me torne como os que baixam à cova. Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma.” (Sl 142 e 143)

Concluo com as palavras de uma canção que amo e sempre dedico à minha amada esposa: “depois de tanto caminhar, depois de quase desistir, os mesmos pés cansados voltam pra você...”