domingo, abril 14, 2013

Yom Hazikaron... se ligue no Dia da Memória.



Nesses dias aqui em Israel vivemos o que antecede a celebraçao pelos 65 anos de Israel. Já passamos por vários lugares turísticos, a maioria deles eu já conhecia, mas dessa vez em especial estivemos próximos ao exército. 
Tivemos o privilégio de acompanhar um treinamento militar, com tanques de guerra atirando próximo à Eilat. Depois, no mesmo dia, estivemos em Beersheva, onde visitamos o museu da força aérea de Israel. No dia seguinte, a última quinta-feira, estivemos no museu da IDF, do exército de Israel. Isso abriu nossos olhos pra entender o quanto nosso povo precisa se defender de seus inimigos, através de um exército forte, mas humano, que luta pela paz. 

Na noite deste domingo, 20h de Jerusalem, 16h do Brasil, teremos o início do Yom Hazikaron, em memória dos soldados que tombaram nas guerras. O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netaniahu irá discursar, junto com o presidente, na praça do Kotel, de onde um dia, não muito distante, o exército de Israel chegou, na reconquista de Jerusalem, e lá disseram: NUNCA MAIS SAIREMOS DAQUI.

Tem sido um privilégio para mim viver isso tudo. Aprender e relembrar a história recente de um povo, o nosso povo.  Já havia dito no facebook, que tanto nos museus, quanto no meio do treinamento militar fomos recebidos com grande respeito por esses que não nos devem nada, mas demonstram apreço por nós, nso abraçam e só podemos dizer: “ESTAMOS CONTIGO! CHAZAK, CHAZAK, VENIT CHAZEK!” 



A seguir, parte do discurso preparado pelo primeiro ministro que será dito hoje. 
“Hoje, o Estado de Israel honra a memória daqueles que tombaram, nossos soldados e nosso povo que sofreu nas guerras e nos ataques terroristas. 
Desde o momento em que o estado foi estabelecido, não temos cessado de desejar a paz com nossos vizinhos, e no mesmo grau, nossos inimigos não cessam de suas aspirações de nos varrer da face da terra.
Nós estamos aqui para agradecer aos lutadores de Israel, que se engajaram pela nossa existência, agradecemos àqueles que sobreviveram às guerras e agradecemos àqueles que sentem. Nós não esqueceremos, nem por um segundo, que nós estamos aqui hoje, agradecendo aos que tombaram.
Hoje, quando se acumulam mais acordos contra o Estado de Isral do que no passado, ambos, a IDF (Israel Defense Force) e nossos serviços de segurança estão mais fortes do que nunca. Continuaremos a reforçar nossa segurança, continuamos aspirando pela paz com nossos vizinhos, e continuaremos a assegurar o futuro de nosso país. Obrigado!”
Benjamin Netaniahu
Quem quiser acompanhar, espero que as câmeras do Kotel possam transmitir ao vivo, este link abaixo é um otimo site, que transmite de vários angulos.
http://neverbesilent.org/nl/webcam-kotel-westelijke-muur/




Por trás destes tanques há um belo país, seja em Tel Aviv, Bersheva, Eilat ou Yerushalaim... Israel só existe graças aos esforços de um povo lutador, que só quer a paz. 

"Por causa dos meus irmãos e amigos direi: haja paz em ti... buscarei o teu bem" 

domingo, abril 07, 2013

Orações em Jerusalem, orações que são ouvidas...




Hoje quero compartilhar com meus amigos algo que vai muito além de fotos. No final de semana passado estive na Argentina, no Encontro com muitos amigos do Brasil e os argentinos. Na ocasião, me deram a oportunidade de falar no fim do shabat, e falei do ódio gratuito e de como isso impede nossas orações de serem ouvidas. 
Por outro lado, como viria para Israel, lembrei das palavras do Eterno a Salomão, quando este acabara de erguer o Beit HaMikdash. D-us disse: “Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar. Porque escolhi e santifiquei esta casa, para que nela esteja o meu nome perpetuamente; nela, estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias.” (2 Cr 7:15,16) Infelizmente, o ódio gratuito levou à destruição do Templo, mas o Eterno continua ouvindo as orações que são feitas lá. Existe até a tradição de se levar as orações escritas num papel e colocar no Kotel. 
Eu mesmo sinto-me a prova viva de que as orações são mesmo ouvidas. Na verdade hoje me lembrava do pequeno Isaac, do meu amigo Mordechai e de outros pedidos "impossíveis" que foram atendidos. Por fim, na Argentina vimos e celebramos o pequeno Yosef, filho de Yosef e Raquel. Uma história linda! Quem esteve lá sabe muito bem.

Pois bem, há um texto atribuido ao rabino Yeshua ben David, que dizia: "e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis." (Mt 21:22) E hoje fui ao Kotel entregar as orações de muitos amigos. Cheguei ao Kotel e encontrei um espaço no muro e uma cadeira, sentei-me sozinho e comecei a rezar pelas pessoas... 
Comecei pela minha esposa que é uma verdadeira eshet chayil, que naquele momento estava sozinha em Ponta Grossa, fazendo uma reunião da Kol HaNashi. Um trabalho de dedicação e que em 90% dos casos não tem o menor reconhecimento, mas que ainda assim, ela não desiste e faz com muito amor.
Depois lembrei dos filhos, parentes e cheguei aos amigos. Nesse momento já havia chegado ao meu lado um senhor judeu, barba branca, longa, vestido de ortodoxo e que rezava em silêncio, para em seguida começar a prantear e balbuciar palavras em hebraico. Aquilo me emocionou, um senhor já, provavelmente habitante de Jerusalém, acostumado ao Kotel, chorar, beijar o muro muitas vezes, como alguém que estivesse se sentindo dentro do Beit HaMikdash.

Tomado por essa emoção, eu fui começando a colocar as orações junto ao muro, papelzinho por papelzinho num ritual demorado... abria um pouco, fotografava (para que a pessoa possa identificar que sua oração realmente chegou ao Kotel), fechava os olhos e pedia que HaShem atendesse àquela pessoa. Como digo, nunca leio, é algo pessoal entra a pessoa e D-us. Eu sou só o entregador, o carteiro.

Uma a uma seguia colocando as preces, no ritmo das lágrimas de meu vizinho ortodoxo. Até que eu cheguei a um papel, comecei a desdobrar, pra que o dono pudesse identificar sua prece, e vi um pedaço, que dava pra ler, e identificar o nome. Havia primeiro algo escrito por um homem, e abaixo sua esposa também pedia... aí acabei lendo de quem se tratava, amigos amigos amigos mesmo. Comecei a chorar muito, já não conseguia conter minhas lágrimas. Antes mesmo de eu chegar ao Kotel, eu já havia visto algo no facebook deles, dizendo que o Eterno já havia atendido a oração. Felizes da vida pela bênção recebida! Coloquei, e ao invés de pedir que D-us ouvisse, lembrei-me das palavras de Yeshua: "eu sei que Tu me ouves." 

A partir daí, a cada papelzinho, cada foto, tudo vinha regado por lágrimas e um sorriso em meus olhos, vez por outra interrompidos por alguém pedindo tsedakah. Ao fim, rezei pelo meu vizinho ortodoxo, nem conheço, mas espero que HaShem o ouça também.

Enfim, antes de sair de Jerusalém amanhã, rumo ao sul do país, eu voltei pro hotel feliz, aliviado, satisfeito. Já fazia certo tempo que eu não conseguia chorar. Hoje, foi uma oportunidade de me derramar, de pedir pelos amigos e de me emocionar ao saber que D-us ouviu as preces deles. Que ouça de todos eles!

Tenho passado por certa angústia, tristeza, mas ainda assim, prefiro pedir pelas pessoas que amo e a quem chamo de amigos. Saí, caminhava rumo ao hotel, como um bobo qualquer, rindo sozinho pelas ruas de Jerusalem. Lembrei-me de Jó, de quando no seu sofrimento, ele orava por seus amigos. A bíblia diz que foi nesse momento, quando ele orava por seus amigos, que D-us mudou a sorte de Jó, voltando a dar-lhe de suas ricas bênçãos. (Jó 42:10) Amén! que assim seja! e que o Eterno possa vir a mudar minha sorte. 

Agradeço aos amigos a quem amo de coração. Aqui agora, no quarto, escrevendo meus olhos se embaçam com novas lagrimas, ao lembrar de cada um. Não posso citar todos, mas lembro-me de alguns de PG, especialmente do Cleverson e familia, a quem amo por completo, e de quem minha esposa hoje me dizia que estava sofrendo, triste, sentindo minha falta. Sei que ele não é o único e isso me conforta. Saibam que são estas pessoas que fazem tudo valer a pena.

Concluo com as mesmas palavras que usei na Argentina há uma semana atrás... "o choro pode durar uma noite, mas a alegria, ah! a alegria, ela vem pela manhã."

Se você for um daqueles que me deu um papelzinho para ser levado ao Kotel, fotografei todos antes de colocar, então, de repente você pode querer ver no facebook meu as fotos, estão todas lá. Com mais absoluta devoção e sinceridade rogo que HaShem ouça suas preces....
BARUCH ATAH ADONAY, SHOMEAH TEFILAH... BENDITO ES TÚ, ETERNO, QUE OUVES AS ORAÇÕES!

*** Com orgulho cumpri a promessa de ir fazer as preces vestido com uma camisa da MetalFort, porque tenho orgulho de meus amigos, dos quais peço que HaShem continue ouvindo as orações.

quinta-feira, março 28, 2013

Lições das Minas Gerais à Argentina



Já dizia o salmista: "O SENHOR é excelso, contudo, atenta para os humildes; os soberbos, ele os conhece de longe." (Sl 138:6)
 
Há um bom tempo atrás eum havia prometido a um amigo visitá-los a qualquer hora, assim que fosse possível e o Eterno nos provesse uma boa situação para isso. Passou o tempo e chegou a hora de cumprir a promessa. Lá fui eu em direção às Minas Gerais, terra de onde vieram alguns de meus antepassados, mas que eu mesmo não conhecia.

Na sexta-feira, a ansiedade era grande ao sair de curitiba. Cheguei a Belo Horizonte onde fui recepcionado com sorrisos sinceros e abraços. E eu seguia rumo ao desconhecido, com pessoas novas e cheias de expectativas, afinal, estariam recebendo um rosh da CINA. Mesmo ocupando tal função, sempre acreditei que um bom líder deve estar próximo ao povo, e sentir as necessidades do seu rebanho.

No shabat, shacharit já numa chácara alugada, e lá, ao ar livre estudamos a Torah do Eterno... que depois do almoço se transformou em longos momentos de bate-papo, esclarecimentos bíblicos e principalmente comunhão, quando nos preparávamos espiritualmente para o Pessach. Veio a noite, e com ela uma breve prédica acerca do Pessach e a necessidade de vencermos nossos medos para sermos capazes de cruzar o deserto. Dormimos já era madrugada, de tanta vontade que tinhamos de conversar, estar juntos mesmo. Em dado momento, eu já me sentia completamente em casa, adaptado, feliz ao lado deles, outrora desconhecidos.

Amanhece o domingo, e entre arrumações do local, conversas e muitas risadas, aproveitamos o dia de calor na piscina, com momentos separados para mulheres e depois os homens.

E veio o Pessach, celebrado pela primeira vez entre os amados de Campo Belo, Pequi, Itauna, Divinópolis, Belo Horizonte e eu, de Curitiba. Estava sozinho, sem a família, mas não sem família, pois entre irmãos estamos em família.

Nos sentamos no chão, como nos dias antigos, e tudo transcorreu de uma forma mágica, especial. Depois, como bons mineiros, muito queijo, doce de leite e muita alegria.

Como não se lembrar do momento do lava-pés, quando Yeshua ao lavar os pés dos seus talmidim, ensinou-nos para sempre uma lição de HUMILDADE?

Nesses momentos, com pessoas humildes e simples, que se satisfazem com o pouco que você é capaz de oferecê-los, que me lembro de Yeshua, Seus discípulos e imagino a satisfação que eles levavam no coração a cada pessoa que eles visitavam, e falavam do amor do Eterno. Longe de mim me achar sábio, mas sei a sensação de se esforçar e ainda com debilidades ser capaz de suprir as carências de pessoas humildes. Nessas horas, todas as dificuldades que possam surgir na vida de um rosh são esquecidas. Um abraço sincero vale mais do que muitos presentes caros.

Ter saído de Minas na noite da terça, já findando o Yom Tov, o primeiro dia de Pessach foi muito bom, como alguém que sente de verdade o que é estar livre do Egito, e também livre do "fermento". É como quase sempre falo: "as vezes, visitar pessoas carentes, você pensa que vai levar um pouco de alegria, ânimo, mas na verdade, é você quem recebe tudo dobrado". No fim, acho que fui eu quem encontrei o tesouro, o afikoman escondido, lá no meio do mato, numa chácara em Campo Belo, Minas Gerais.

Agradeço a todos de lá e suas familias, Yonatan, Haniel, Hadassa, Calev, Yakov, Pequi, enfim a todos... e claro, meu amigo Nilder Pousa, sobre quem "repousa" a humildade e o Espírito.


Hoje, quinta-feira, embarcamos para a Argentina, em mais um congresso. Mais uma oportunidade de dar e receber, dar atenção e receber o carinho e respeito dos argentinos amigos. Orem por nós, e que HaShem nos dê sabedoria para falarmos ao coração do povo, como disse o profeta Isaías: "Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai benignamente ao Jerusalém e bradai-lhe que já a sua servidão é acabada..."

segunda-feira, março 18, 2013

Israel e os questionamentos


Há um bom tempo vejo essa imagem no facebook e de vez em quando ela reaparece, sempre quando alguém se sente injustamente criticado, ou até justamente, mas o problema está no fato de que tudo que ela faz certo, ninguém da a mínima.
Por exemplo, você sempre cumpre seus prazos, faz a lição, nunca se atrasa? Experimenta atrasar uma vez! Pronto, será criticado, quase sempre publicamente. Mas quando você vê outras pessoas atrasando serviço ou entregando mal feito, (como diria meus amigos paranaenses, "feito nas coxas") essa tal pessoa não recebe o mesmo tratamento.

Infelizmente hão dá pra dizer que estou feliz. Como todo mundo, as vezes sinto que estou remando contra a maré. Como é complicado quando pessoas simplesmente "boicotam" seu trabalho, e acham que estão certas. O ser humano é muitas vezes cabeça dura!

Mas o que isso tem a ver com Israel? Bem, daqui a pouco mais de duas semanas estarei novamente embarcando para Israel, e mais do que uma simples viagem, lá é um local onde tenho bons momentos de reflexão e questionamentos sozinho, eu e D-us.
Tento entender o porque de pessoas que nunca fazem nada pela kehilah, se sentem no direito de criticar, boicotar, e ainda acham que estão fazendo o certo.
Tento entender o porque de os acertos nunca serem dignos sequer de uma menção, mas as criticas por um erro são expostas como um troféu.
Tento imaginar como seria bom se todas as criticas realmente fossem para o bem, e não para derrubar alguém, e ao mesmo tempo, tento imaginar como é dificil para o ser humano reconhecer o trabalho e talento alheio.
Tento imaginar como seria bom se todos procurássemos cumprir as palavras do sábio Shaul: "quando vos reunis, cada um tenha algo bom pra ser dito, um salmo, cânticos espirituais..."
Antes de Israel ainda tenho uma inédita viagem a MG, quando celebrarei o Pessach com membros isolados de nossa comunidade, esperando compartilhar boas experiências e aprender com a persistência deles.

Em breve, retomo as postagens com maior frequencia por aqui, falando um pouco de Israel, e dos lugares por onde passarei, junto com quatro amigos.

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Bar Mistvah do Abel


Dias atrás em minha kehilah eu falava sobre o "de repente". De vez em quando as pessoas se pegam falando isso. Ah, eu estava lá, fazendo tal coisa e de repente... fulano estava bem de saúde e de repente... e por aí vai. Com relação aos filhos é assim também: meu filhinho era pequeninho  e "de repente deu uma esticada". Na verdade sabemos que não é bem assim; em qualquer situação as coisas vão acontecendo e só são percebidas por aqueles que estão atentos.
Nesses últimos treze anos do meu casamento com a Eliana temos experimentado o quão bom é termos filhos, dois filhos tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo. Ambos nascidos no dia 16 de shevat, sob a regência da parashah de Yitro, que fala dos bons conselhos do sogro Jetro a Moshê, da escolha de novos líderes, e claro, dos dez mandamentos.
Há quase um ano havia um talit todo branco guardado em nossa casa, esperando o tão almejado dia em que sairia do guarda-roupas para, como um manto, cobrir um menino, que sairia de suas peripécias infantis para a vida de um filho do mandamento (Bar Mitsvah).
Eu, como pai, vi emocionado uma cerimônia de bar mitzvah em plena Grande Sinagoga de Jerusalem, e eu mesmo já havia celebrado o debut de vários jovens na vida de responsabilidades diante do Eterno, e aguardava o meu dia, em que meu primogenito faria sua primeira leitura pública da Torah, colocaria seu primeiro tallit, faria as brachot sob olhares atentos de muitos amigos. E chegou!
No ultimo shabat, saímos todos ansiosos de casa, na expectativa. No decorrer do shacharit a ansiedade aumentava, até que finalmente abrimos nosso Aron HaKodesh, e a Torah é retirada. Pronto! Lá se foi nosso primogenito passear com ela, fazendo o cortejo do sagrado entre as pessoas, que logo, dançavam juntos, compartilhando da alegria do menino, rapaz, homem.
Lida as bênçãos, o jovem Abel surpreende fazendo a leitura cantada dos versos da parashah de Yitro. Depois, se despede de sua infância, como um goleiro, agarrando as balinhas lançadas em sua direção.
Um interval pra nos refazermos e retomamos, com ele fazendo a explanação da parashah, abordando a relação de amizade entre Yitro e Moshê e questionando aos presentes: que tipo de relação estamos construindo com as pessoas?
Ele, menino timido, se transformava lá na frente num jovem desafiador, ousado, com muitas palavras e aparentemente sem nenhum nervosismo; parecia que ele já estava habituado a isso. Boas tiradas, fazendo as pessoas rirem, e assim ele vai construindo suas relações, recheadas de amizades verdadeiras, como Jetro e Moisés, como Rute e Noemi.
Daqui a seis anos tem mais, com o bar mitzvah do Ariel, mesma parashah, mesma emoção, mesmos pais babando de orgulho, e quiçá, mesmos grandes amigos, que hoje tomam parte na nossa familia feliz!

Agradeço ao Eterno pelos filhos maravilhosos, fonte inesgotável de alegria em casa. Mesmo na difícil fase da adolescência, o Abel se mostra sempre responsável, íntegro, tocando seu instrumento na Kehilah; já não mais aquele menino que um dia tocou violino no congresso, mas agora um jovem pianista.
O Ariel, também aniversariante, nos faz a cada dia reviver a alegria de ter uma verdadeira criança em casa. Criança que já cresce, de vez em quando dando broncas nos pais, dizendo: "qual é pai, qual é mãe? vocês podem fazer isso?" e outras pérolas que vivenciamos nesse paraíso que chamamos de LAR.

** Tem muitas outras fotos no nosso facebook, mas essas são as favoritas.

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Casamenteiro, porque pessoas mais velhas não se casam?


Já a algum tempo venho exercendo a função de casamenteiro na Kehilah. E a breve experiência vai nos fazendo perceber algumas coisas e tirar lições para ajudar futuras pessoas interessadas em se casar. Claro que não sou o único casamenteiro, outros igualmente desenvolvem trabalho, mas percebo que todos encontram as mesmas situações.
Ontem em casa, passeando pelo facebook de noite vi algumas fotos do casamento que acontecera em Vacaria/RS. Não posso negar que fiquei feliz, pois os noivos eram pessoas mais experientes, já tendo passado por relação anterior.
Infelizmente não consigo achar uma palavra mais adequada para as pessoas mais velhas ou experientes, ou vividas, e espero que ninguém se sinta ofendido comigo, que também já estou perto de chegar à casa dos "enta" em idade, com quase quarenta anos, o que nunca considero demerito para ninguém, pelo contrário, a idade nos torna mais maduro e melhor preparados para lidar com as situações da vida.
Justamente por isso, por ser mais "maduros", tendemos a resistir diante de situações novas e muitas vezes já não queremos "experimentar", e resistimos às mudanças. Por outro lado, todos sabem que "não é bom o homem ficar só" e nem a mulher.
À medida que os anos passam, muitos se acostumam a viver sozinhos e uma readaptação, a não apenas dividir a cama com alguém, mas a compartilhar o alimento, as despesas, o controle remoto da televisão, o "meu sossego", torna-se algo complicado demais. É preciso abrir mão de alguns costumes que foram cultivados ao longo de anos vivendo sem um cônjuge.

E porquê é muito mais fácil casar jovens, de 18, 22, 25 anos?
Justamente pelo fato de a pessoa mais jovem não ter medo de experimentar, e por não ter ainda desenvolvido essas "manias". O jovem abre mão, abre mão de morar em tal cidade, e se dispoe a mudar. Abre mão do "conforto na casa dos pais" em busca de criar seu próprio espaço junto à pessoa amada, etc.

Podemos dizer que casar todos que estão sozinhos querem, seja jovem ou mais experiente. A questão é que o casamento de sucesso é aquele em que essencialmente uma pessoa abre mão de suas vontades para fazer feliz à outra pessoa.
Pode dar errado? Claro que pode! Infelizmente muitos casamentos dão errado, e por culpa dos próprios cônjuges mesmo, mas também pode dar certo e transformar uma simples casa, num lar feliz.

Se você quer se casar procure ser um pouco menos egocêntrico, nem tudo tem que ser do seu jeito. Não queira uma pessoa que mude só pra te agradar, experimente mudar para agradar a alguém. Mudar suas roupas (Não diga, eu me visto assim e pronto, se quiser bem, se não quiser azar!) Mude suas palavras (Não diga, eu falo de tal maneira, e a pessoa me conheceu assim e eu não pretendo mudar) enfim, esteja disposto a mudar.

Não ganho nada sendo casamenteiro, a não ser o prazer de ajudar pessoas a buscarem a felicidade através do casamento, mas lamento quando alguém se diz disposto a casar, mas não abre mão de absolutamente nada.

Só digo que, os anos passam, a beleza passa, e é muito triste envelhecer sozinho. Não vale a pena, em nome de caprichos e manias, abrir mão de envelhecer ao lado de alguém a quem possamos chamar de "meu amor".

Parabéns ao casal de Vacaria, mazal tov! Parabéns aos roshim (e casamenteiros) Elazar e Mordechai, que ajudaram a contribuir para a felicidade de mais um casal.

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Circuncisão - Apóstolo Paulo, polêmico personagem



APÓSTOLO PAULO, O PERSONAGEM POLÊMICO
Já vimos que Shaul HaShaliach era circuncidado. Fariseu, zeloso dos mandamentos, irrepreensível de acordo com a justiça que há na lei.
As religiões de hoje utilizam-se dos mesmos argumentos para defender de que Shaul era contra a lei (e por isso mesmo os tais são contrários à Torah) fazendo exatamente aquilo que os acusadores de Shaul HaShaliach faziam há quase vinte séculos.

Observando as atitudes de Shaul, no livro de Atos, tendo sido até preso, provava ser um praticante e defensor da lei. Parece contraditório com alguns argumentos atribuídos a ele nas cartas.

Ele mesmo circuncidara a Timóteo:

At 16:3 "Paulo quis levá-lo consigo e por isso o circuncidou, pois todos os judeus que moravam naqueles lugares sabiam que o pai de Timóteo não era judeu. (era grego)"

Esse texto evidencia que ele não era contra a circuncisão, pois alguém como ele, que esteve preso e sofreu perseguições, não circuncidaria a alguém apenas por pressão. Aliás, pelo contrário, deixa claro que para estar entre o povo judeu e considerar-se um israelita, era necessário passar pelo rito da circuncisão.

Aqueles que lerem atentamente o livro de Atos, desde o capítulo vinte e um em diante, perceberão que Shaul HaShaliach foi levado preso e ninguém encontrava nele acusação alguma digna de crédito.

At 21:20,21 "Ouvindo-o, deram eles glória a Deus e lhe disseram: Bem vês, irmão, quantas dezenas de milhares há entre os judeus que creram, e todos são zelosos da lei; e foram informados a teu respeito que ensinas todos os judeus entre os gentios a apostatarem de Moisés, dizendo-lhes que não devem circuncidar os filhos, nem andar segundo os costumes da lei."

Ainda que os membros da Kehilah queriam evitar que Shaul aparecesse e fosse levado preso, ele, ciente de que não fizera nada errado, lhes dizia:

At 21:13 "Que fazeis chorando e quebrantando-me o coração? Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome de Yeshua."

A partir de então ele foi levado aos juízes, sob acusação de ser contra a lei, também sob acusação de ter introduzido gentios no Templo. (At 21:28).

Do tribunal da corte, após sua defesa foi levado ao Sinédrio, depois diante do governador Felix, diante de Festo, e perante o rei Agripa, e temos:

At 26:31,32 "falavam uns com os outros, dizendo: Este homem nada tem feito passível de morte ou de prisão. Então, Agripa se dirigiu a Festo e disse: Este homem bem podia ser solto, se não tivesse apelado para César."

Levado até Roma, Shaul ficou preso em casa, sob os cuidados de um soldado, quando novamente se defende:

At 28:17,18 "E aconteceu que, três dias depois, Paulo convocou os principais dos judeus e, juntos eles, lhes disse: Varões irmãos, não havendo eu feito nada contra o povo ou contra os ritos paternos, vim, contudo, preso desde Jerusalém, entregue nas mãos dos romanos, os quais, havendo-me examinado, queriam soltar-me, por não haver em mim crime algum de morte."
  Se ele fosse contra a circuncisão, então seria fácil para os seus acusadores acharem provas de sua desobediência à Torah.

At 28:21-23 "Então, eles lhe disseram: Nós não recebemos acerca de ti cartas algumas da Judéia, nem veio aqui algum dos irmãos que nos anunciasse ou dissesse de ti mal algum. No entanto, bem quiséramos ouvir de ti o que sentes; porque, quanto a esta seita, notório nos é que em toda parte se fala contra ela. Havendo-lhe eles marcado um dia, vieram em grande número ao encontro de Paulo na sua própria residência. Então, desde a manhã até à tarde, lhes fez uma exposição em testemunho do reino de Deus, procurando persuadi-los a respeito de Yeshua, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas."

Se nenhum tribunal em sua época foi capaz de manter acusações e o matar, como alguém hoje, seria capaz de provar que Shaul era contra a Lei?

Os que se opunham a ele fizeram de tudo para matá-lo, e se já não podiam "legalmente", pois não havia prova alguma contra ele, conspiraram para finalmente conseguirem efetivar seus planos:

At 23: 14,15 "Conjuramo-nos, sob pena de maldição, a nada provarmos até que matemos a Paulo. Agora, pois, vós, com o conselho, rogai ao tribuno que vo-lo traga amanhã, como querendo saber mais alguma coisa de seus negócios, e, antes que chegue, estaremos prontos para o matar."

Se naqueles dias foram capazes de conspirar para matá-lo, fazendo armadilhas, não fica difícil à religião "detentora das cartas paulinas" atribuir coisas e frases a ele (que já não tem como se defender) e assim fundamentar sua fé de que Shaul HaShaliach era contra a Torah.

Shaul HaShaliach, judeu, da tribo de Benjamin, fariseu, zeloso da lei e instruído aos pés do sábio Gamaliel NÃO ERA CONTRA A LEI, NÃO ERA CONTRA A CIRCUNCISÃO, mas como uma mentira contada muitas vezes acaba passando por verdade, eis que agora ele se torna o "defensor" daqueles que são contrários à Torah.

Por fim, sempre temos dito, se algum dia nos depararmos com uma aparente contradição entre a Torah e os escritos da Brit Chadashah, fiquemos com a Torah.

Aqueles que dizem que Shaul HaShaliach condena a circuncisão são os mesmos que afirmam que Yeshua aboliu a Lei. Pense nisso!

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Circuncisão - Yeshua e Seus talmidim eram circuncidados? (Parte 4)

 
E POR ACASO YESHUA E OS APÓSTOLOS ERAM CIRCUNCIDADOS?

Antes de iniciar essa parte, cabe relembrar que Yeshua era um sábio judeu e suas práticas eram totalmente judaicas. Querer transformá-lo num Messias contrário à Torah e às práticas israelitas é distorcer os fatos de maneira descarada.
Querer colocar textos de cartas atribuídas a Shaul HaShaliach acima dos Escritos Sagrados da Torah é no mínimo temerário, porque como o próprio apóstolo Pedro disse: "Nas cartas dele há algumas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e os fracos na fé explicam de maneira errada, como fazem também com outras partes das Escrituras Sagradas. E assim eles causam a sua própria destruição." (2 Pe 3:16) Usei a tradução da Linguagem de Hoje porque fica muito claro, e também para quem lê nas mais diversas versões, sabe que nos textos da Brit Chadashah há textos que divergem completamente de uma versão para outra, isso sem contar acréscimos e mudanças já feitos propositalmente pela religião romana, detentora e quem escolheu e "canonizou" os textos do chamado Novo Testamento.

Agora analisemos: Yeshua foi circuncidado?
Lc 2:21,22 "Completados oito dias para ser circuncidado o menino, deram-lhe o nome de Yeshua, como lhe chamara o anjo, antes de ser concebido. Passados os dias da purificação deles segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém..."

Não apenas circuncidado, mas seus pais respeitaram os dias de purificação, como determina a Torah.

Kefah HaShaliach foi circuncidado?
At 11:2,3 - Quando Pedro subiu a Jerusalém, os que eram da circuncisão o argüiram, dizendo: Entraste em casa de homens incircuncisos e comeste com eles.

Quando ele foi questionado por comer com incircuncisos, fica evidente que ele era circuncidado.

Shaul HaShaliach foi circuncidado?
Fp 3:5 "circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus"

Aliás, esse texto de sua carta aos filipenses serve bem de parâmetro acerca de como ele via o assunto.
Fp 3:2,3 "Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros! Acautelai-vos da falsa circuncisão! Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Yeshua HaMashiach, e não confiamos na carne."

Aqui ele fala, ainda que sem citar, as duas circuncisões. Daqueles que eram a "falsa circuncisão" (Isso na versão RA, porque na versão RC fala apenas: acautelai-vos da circuncisão. Só por aí já dá pra ver se são confiáveis as muitas versões da Brit Chadashah)

Falsa circuncisão, o texto sugere, ao citar os que confiam na carne, são os judeus que confiavam ser salvos por serem circuncisos, que se julgavam "superiores".

"Nós é que somos a circuncisão" é uma referência aos seguidores de Yeshua, circuncidados no coração, guardadores das mitsvot por amor. E segue:
Fp 3:4-6 "Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da kehilah; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível."

Falando de si próprio, ele cita que se fosse para confiar "apenas na carne", ele podia se gloriar disso, pois cumprira a mitsva da circuncisão. Mas acrescenta: quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Essa é a diferença...

Com todo o zelo, como bom fariseu, ainda faltava a ele algo, o Mashiach. Uma vez tendo aceito a Yeshua como seu Mashiach, Shaul sofreu a perda de todas estas coisas.

Outro detalhe, em sua teshuvah pessoal, Shaul afirma (sendo bom conselho para todos nós:
Fp 3:12-16 "Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Yeshua HaMashiach. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Yeshua HaMashiach. odos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos."

- Ele não se julgava pronto, sabendo tudo, fechado.

Um bom discípulo quer sempre aprender mais, buscar mais, conhecer mais.

- Deixava de lado aquilo (as fases) que já tinha passado.

Shaul HaShaliach não ficava: ah! eu aprendi assim, antes era de tal maneira, como muitos o fazem hoje. Agarram-se ao passado!

- Avançando para as que diante de mim estão.

Nossa teshuvah tem que ser um processo contínuo. A Kehilah não deve ser estática, parada no tempo.

- prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação...

Nunca perder de foco os objetivos de alcançar a maturidade espiritual, cumprindo com as mitsvot do Eterno, de acordo com o que ensinava Yeshua, em Sua Nova Aliança, com a Torah gravada nos corações.

- todos que somos perfeitos, sintamos o mesmo.

Devemos zelar pela preservação da unidade da Kehilah, sem ninguém se apressando, nem ficando para trás.

- se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos
Se você não compreende o avanço da Teshuvah, ainda assim, prossiga junto, sem críticas, sem ser tropeço, porque no devido tempo o Eterno abrirá seus olhos e tudo será esclarecido, mas continue andando junto, de acordo com o que já alcançamos em nossa Teshuvah.

terça-feira, janeiro 01, 2013

Circuncisão, no coração ou na carne? (Parte 3)


AS DUAS CIRCUNCISÕES. DA CARNE E DO CORAÇÃO. QUAL A MELHOR?
 
A Torah não fala apenas da circuncisão do prepúcio do homem, mas apresenta também uma outra:

Dt 10:16 "Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz."
 

No contexto, Moshê fala ao povo sobre o que HaShem queria deles: "Que temas ao Senhor, andes em todos os Seus caminhos e o ames e sirvas de todo o coração... para o teu bem." (Dt 10:12,13)
Isso mostra que a circuncisão não era o mais importante, não bastava ser circuncidado para ser salvo. Como já vimos, ela era o sinal, o "selo da justiça da fé de Avraham". De que adianta termos um "sinal de nascença" se não soubermos o seu significado, ou não colocarmos em prática aquilo que o sinal representa? Por isso, Moshê fala ao povo para "circuncidar o coração".
Quando a Brit Chadashah fala que o Eterno não faz acepção de pessoas (Rm 2:11) ou que não há judeu, nem grego (Gl 3:28) muitas pessoas erroneamente entendem que qualquer um, a seu modo, poderá ser salvo, e que não precisa disso ou daquilo para ser salvo.
Na verdade, esses textos nos mostram que não há acepção mesmo, pois todos serão igualmente julgados por seus pecados, tanto que o texto diz:
Rm 2:12-14 "Porque todos os que sem lei pecaram sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram pela lei serão julgados. Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados. Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei, os quais mostram a obra da lei escrita no seu coracao"
 
Parece claro que o texto fala da lei escrita no coração (circuncisão de coração) e que não basta ouvir da lei, mas praticar. Foi isso que disse o profeta Jeremias, séculos antes da implantação da Nova Aliança:

Jr 9:25,26 "Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que visitarei a todo circuncidado com o incircunciso. Ao Egito, e a Judá, e a Edom, e aos filhos de Amom, e a Moabe, e a todos os que cortam os cantos do seu cabelo, que habitam no deserto; porque todas as nações são incircuncisas, e toda a casa de Israel é incircuncisao de coracao.
 
Porquê o Eterno visitaria (castigaria) as nações?
- Porque todas as nações são incircuncisas.
Porquê o Eterno visitaria a casa de Israel?
Porque, apesar de serem circuncidados, eram incircuncisos de coração, ou seja, desobedientes. Por isso Ele diz:

Jr 31:31-33 "Eis aí vêm dias, diz o SENHOR, em que firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porquanto eles anularam a minha aliança, não obstante eu os haver desposado, diz o SENHOR. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo."
   

Que outra aliança seria senão a guarda dos mandamentos no coração, por amor, e não por mera obrigação? É nítido quando um judeu cumpre determinadas leis por mera obrigação, senão vejamos: quando sabemos que fulano é judeu?
- Quando se casa de kipah sob uma chupah.
- Quando nasce um filho e ele o circuncida ao oitavo dia.
- Quando, aos completar 13 anos, faz seu bar-mitsva.
Mera formalidade, diriam alguns, mas são essas formalidades que "identificam um israelita". Ainda que desobediente à Torah, um judeu faz questão de se identificar nestes momentos. Agora pense:
Se um judeu não praticante, sente-se feliz em praticar tais atos, imagine você, praticante, com o coração circuncidado e as leis gravadas no coração, porquê não o faria?
É até compreensível que alguns, outrora gentios, oriundos de religiões pagãs, tenham certo receio de que se forem circuncidados estariam negando ao Mashiach, anulando o sacrifício, etc... mas, deixando o ranço e bagagem de lado, vejamos:
- O Mashiach é judeu, veio para as ovelhas perdidas da Casa de Israel (Mt 15:24)
- Como ele poderia representar a salvação para os judeus, se Ele e Seus talmidim fossem contra a circuncisão, uma prática instituida não por Moshê, mas pelo Eterno em Avraham, nosso patriarca?
- Por acaso a circuncisão, deixando de ser feita, não deixaria de haver o sinal entre D-us e os descendentes de Avraham?
Rm 3:1,2 - Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, sob todos os aspectos.
   
Quando Shaul HaShaliach fala das vantagens da circuncisão, SOB TODOS OS ASPECTOS, fica dificil imaginar que ele se tornaria contrário à tal prática, mas em que podemos dizer que ela é boa?
- Ela te identifica como israelita.
Quando alguém te pergunta: você é judeu? Porquê muitos homens titubeiam na hora da resposta? Medo! Porque na verdade a pergunta é: você é circuncidado? Sim, sou! Agora, quem não é circuncidado treme mesmo, pois não tem o sinal de Avraham.
- Ela faz bem para a saúde.
Deixando um pouco de lado a questão religiosa, a circuncisão traz muitos benefícios físicos ao homem, como evitar muitas doenças sexualmente transmissíveis, alguns tipos de câncer, ejaculação precoce, etc... (quer saber mais, consulte o google)
- Ela preserva a aliança do Eterno com Seu povo
Gn 17:14 "O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança."
   
- Quem é circuncidado tem em si o cumprimento de um mandamento do Eterno.
 
Em sua defesa, antes de ser morto, Estêvão fala contra os homens incircuncisos de coração e de ouvidos, que o julgavam:
 
At 7: 51 "Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim, vós sois como vossos pais."
 
Ainda que ninguém fale da "circuncisão de ouvido" ela se refere àqueles que fecham os ouvidos para não compreender o que Ruach HaKodesh nos tem ensinado, assim como o incircunciso de coração, que não tem amor pelas mitsvot do Eterno.

O fato é que uma não exclui a necessidade da outra. Ninguém pode se justificar no fato de ser "circuncidado no prepúcio" assim como aquele que se julga "circuncidado no coração" não pode se dizer completo. Ambas se completam.
 
Continuará...
 
 
 


Circuncisão - Seja um descendente de Abraão, com o selo da justiça da fé (Parte 2)

 
Antes de tudo, leia primeiro o texto anterior. Esta é a PARTE 2.
 
ABRAÇAR A ALIANÇA E RECEBER UM NOVO NOME
 
Is 56:3-5 - "Não fale o estrangeiro que se houver chegado ao SENHOR, dizendo: O SENHOR, com efeito, me separará do seu povo; nem tampouco diga o eunuco: Eis que eu sou uma árvore seca. Porque assim diz o SENHOR: Aos eunucos que guardam os meus sábados, escolhem aquilo que me agrada e abraçam a minha aliança, darei na minha casa e dentro dos meus muros, um memorial e um nome melhor do que filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará."

Porque o Eterno não faz acepção de pessoas, tal qual o patriarca Abrão, teve seu nome mudado porque abraçou a aliança com o Eterno, vindo a se chamar Avraham, HaShem promete, aos que escolhem aquilo que O agrada e abraçam Sua aliança, um novo nome, melhor do que o de filhos e filhas... e por quê? Porque escolhemos obedecer Seus mandamentos, guardamos o shabat, e abraçamos a aliança, marcamos na carne, retirando a pele de nosso prepúcio, nos fazemos Seus filhos, e no Mashiach, descendentes de Avraham, cumprimos com a Brit Milah.

Nem todos valorizam isso, mas Pirkê Avot nos diz: "...todo aquele que desdenha a aliança de Abraão, nosso pai, que dá falsa interpretação à Lei Divina, mesmo que a tenha estudado e tenha praticado boas obras, não tem parte na vida futura." (Avot 3:15)

Aqueles que desprezam a circuncisão, julgando ser desnecessário, ou não atribuindo a tal ato seu devido valor incorrem em pecado. Também menosprezam seu valor aqueles que, uma vez circuncidados, não preservam firme o pacto, abandonando as leis e tradições que mantém unidos os israelitas em todos os cantos do mundo, seja através do estudo semanal da Torah, (o mesmo no mundo todo) as orações, o amor por Israel, e o respeito ao próximo até mesmo ao não envergonhar alguém. Talvez por isso mesmo Shaul HaShaliach tenha dito, em suas cartas:
"A circuncisão é nada, e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus." (1 Co 7:19)
"Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus... Porque a circuncisão tem valor se praticares a lei; se és, porém, transgressor da lei, a tua circuncisão já se tornou incircuncisão." (Rm 2:28,29,25)

Aquele que abraça os mandamentos do Eterno, tem na circuncisão um símbolo de sua obediência. Para quem desobedece, ela também é um sinal, só que nesse caso, de alguém que não dá valor ao pacto do Eterno, nem ao shabat, nem às mitsvot todas.

Nesse mesmo texto de sua carta aos Romanos, Shaul fala algo interessante:
Rm 2:26 "Se, pois, a incircuncisão (gentios) observa os preceitos da lei, não será ela, porventura, considerada como circuncisão (israelita)?"
Aí cabem alguns questionamentos, por exemplo:
- Como você pode dizer que cumpre os mandamentos, que é um filho de Abraão, se não obedece o mandamento da circuncisão?
- Ser considerado circuncisão é sinal de que é circuncidado?
Os que menosprezam o valor, simplesmente não querendo cumprir com esse mandamento, não se dão conta de que Shaul HaShaliach disse algo semelhante quando falou acerca do uso do véu pelas mulheres. Vejamos:
1 Co 11:5,15 "Toda mulher, porém, que ora ou profetiza com a cabeça sem véu desonra a sua própria cabeça,...Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu."
Ora, as mulheres não usam véu? Não cobrem a cabeça? O dizer que o cabelo foi dado em lugar de véu... é como o dizer que a incircuncisão é circuncisão. Uma coisa não anula a outra.
Assim como ter cabelo crescido é honroso para a mulher, mas NÃO ANULA A NECESSIDADE DE COBRIR A CABEÇA, também os gentios que guardam os mandamentos, sendo "circuncisos de coração" NÃO ANULA A MITSVA DA BRIT MILAH. E Shaul diz:
1 Co 11:13,10 "Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta? Portanto, deve a mulher, por causa dos anjos, trazer véu na cabeça, como sinal de autoridade."

Na sequencia ele diz: "se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume" porque cumprimos os mandamentos. A brit milah é para quem abraça a aliança, não para quem quer contender, só que que não aceita a brit, esse tal não pode se denominar descendente de Abraão, uma vez que os descendentes carregam este sinal em sua própria carne.

Ainda sobre Shaul HaShaliach, ele falou que "circuncisão é a que é de coração", mas este texto de Romanos é muito interessante, especialmente para quem tem o cuidado de seguir analisando o contexto. No capítulo 4, ele fala de Abraão e esclarece:
Rm 4:7-10 "Bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado.
Vem, pois, esta bem-aventurança exclusivamente sobre os circuncisos ou também sobre os incircuncisos? Visto que dizemos: a fé foi imputada a Abraão para justiça. Como, pois, lhe foi atribuída? Estando ele já circuncidado ou ainda incircunciso? Não no regime da circuncisão, e sim quando incircunciso."
A justiça da fé foi imputada a Abraão estando ele INCIRCUNCISO. Mas o que acontece depois?
Rm 4:11,12 "E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que crêem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça, e pai da circuncisão, isto é, daqueles que não são apenas circuncisos, mas também andam nas pisadas da fé que teve Abraão, nosso pai, antes de ser circuncidado."
A circuncisão foi vista por Shaul como "selo da justiça da fé" e Abraão seria pai daqueles que não são "apenas circuncidados, mas que andam nas suas pisadas da fé" ou seja, que como ele, não são apenas circuncidados, mas obedientes a D-us em amor e fé, seus verdadeiros descendentes.

Assim como o Eterno mudou o nome de Abrão e colocou nele "o selo da justiça da fé", nós, seus descendentes na fé, quem sabe estejamos vivenciando o tempo em que, como o patriarca de Israel, temos nosso nome mudado (para um melhor) e sejamos dignos de termos, como ele, o "selo da justiça da fé", o simbolo de um pacto eterno entre HaShem, Avraham e seus descendentes.

E continuaremos... falando das duas circuncisões, na carne e no coração, porque como disse Shaul HaShaliach:
Rm 3:1,2 - Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, sob todos os aspectos.