segunda-feira, março 17, 2014

Reflexões para o dia. Mulher objeto



Et 1:10 ,11 E, ao sétimo dia, estando já o coração do rei alegre do vinho, mandou...  que introduzissem na presença do rei a rainha Vasti, com a coroa real, para mostrar aos povos e aos príncipes a sua formosura, porque era formosa à vista.

Aproveitando que ontem foi Purim e usei esse final de semana para rever filmes sobre Ester e sua história, dá para perceber muitas lições dessa história para que nossa vida não caia no risco de, como ocorreu, nossa vida estar na dependência da Pur (Sorte).

O primeiro capítulo nos ensina que o rei  Achashverosh, ou Assuero, deu uma festa de oitenta dias, e depois emendou com outra de mais sete dias, no jardim do palácio, regada de muita ostentação e muito, muito vinho real.

No sétimo dia da festa, o rei já estava pra lá de Bagdá, tem a brilhante idéia de exibir a beleza de sua esposa, a rainha diante de todos.  Ela se recusa e perde o seu lugar no reino.

Não existe espaço na história para o SE... mas vejamos:
- Se o rei não tivesse dado festas de mais de seis meses consecutivos...
- Se não tivesse bebido tanto...
- Se não quisesse exibir a esposa...
- Se Vasti não tivesse recusado...

Tudo poderia ter sido evitado, SE houvesse PRUDÊNCIA.

Não quero falar contra a bebida, há ocasiões em que um bom vinho faz bem, e apesar de eu não ser um grande apreciador de bebidas alcoólicas, elas não nos são proibidas.
O problema aqui é outro, é a incapacidade masculina de guardar para si, toda a formosura da sua preciosa rainha. E para mostrar que a situação não tem a ver com o vinho, basta observar quantas mulheres casadas são expostas pelo maridos.

A Brit Chadashah fala do homem dar honra à mulher, como vaso mais frágil; é dever do homem proteger seu “tesouro”. Vivemos num mundo de “exibicionismo” e agora o que faz sucesso no Brasil é o tal “funk da ostentação” em que faz mais sucesso aquele que exibe mais jóias, carros, mulheres... quanta bobagem.

Quando o casal sai para comprar roupas por exemplo, que tipo de trajes você compra (ou ela compra, mas você consente que use) para sua esposa? Quando sai com ela, quando vão a uma festa, como você quer que as pessoas a vejam? Como uma mulher discreta, recatada ou como um troféu a ser exibido?

Hoje não dá pra dizer exatamente como era nos tempos bíblicos, mas imagino que a mulher, ao comprar um traje, deva pensar: “será que meu marido vai gostar? Em que situação eu usaria tal roupa (se no âmbito do seu palácio, de sua casa ou na rua)? Não se trata de ser machista, mas acredito que ao comprar uma roupa, a mulher deva estar junto e consultar o cônjuge sobre o que ele acha decente ou não.
Por outro lado, maridos precisam ser prudentes. Toda mulher gosta de ser apreciada pelo seu marido; se você nunca a ajuda a escolher que roupa comprar, se não a nota, acabará por expor sua mulher, ainda que involuntariamente, a elogios alheios que prejudicarão seu casamento.

Que idéia Assuero teve de exibir a beleza da sua mulher diante de um monte de homens bêbados? Idéia de girico (que significa “jerico” ou “jumento”)!
Até hoje, muitos homem cometem o mesmo erro, exibindo suas esposas para os outros, seja numa festa, num casamento, num passeio no shopping. Uma mulher não é um objeto pra que você exiba aos demais. Ou por acaso você vê um rei exibindo o interior de seu palácio na revista “CARAS”? Só o tolos o fazem!

Entenda o que diz o salmista:
Sl 45:13  Toda formosura é a filha do Rei no interior do palácio; a sua vestidura é recamada de ouro.
A formosura da princesa (da rainha também) é reservada para o INTERIOR DO PALÁCIO.

Ninguém está dizendo que sua mulher/filha deva ir a festas feias e mal vestidas, mas com discrição, e sem atrair olhares indesejáveis.


Quem souber guardar isso, terá seu casamento preservado, e a mulher que souber se arrumar e estar bela no interior do palácio também será honrada por quem lhe é de direito, o rei, seu marido. Já quem não souber, no futuro dirá: Ah se eu tivesse agido diferente, se... se... se...ja prudente.

sexta-feira, março 14, 2014

Reflexões para o dia. Como vai nosso rebanho?



Pv 27:23,24 Procura conhecer o estado das tuas ovelhas e cuida dos teus rebanhos, porque as riquezas não duram para sempre, nem a coroa, de geração em geração.

O livro de Provérbios é espetacular, traz muitos conselhos, reflexões e coisas que, muitas vezes, não somos capazes de enxergar, mas que se atentarmos, nos ensinam lições para a vida toda.
O texto acima, por exemplo, é um alerta aos pecuaristas, que possuem rebanhos, mas também a todos nós, homens, como líderes religiosos ou líder familiar.
Ao conversar com adolescentes, jovens, e porque não, adultos, vemos o quanto “nosso rebanho” é negligenciado.
São muitos os que dizem coisas como: “meu pai nem sequer sabe em que série estou na escola, imagina se ele vai saber os problemas que passo?! Agora, cobrar, ele sabe direitinho.”
Esposas são muitas vezes negligenciadas, com seus cônjuges que não lhes dá a devida atenção; não escuta, mas cobra o jantar na mesa na hora certa, a toalha limpa para o banho, a roupa bem passada e por aí vai.
Empregados que são sugados pelo patrão, que se dá por satisfeito em pagar-lhes o salário no fim do mês, mas não procura compreender as dificuldades de cada pessoa. Talvez um pouquinho de atenção, o “rebanho” produziria mais e aumentaria os lucros.
No âmbito congregacional também é necessária a atenção às necessidades do rebanho.
Líderes também tem suas necessidades, e é evidente que devem ser respeitados, como pais, maridos, chefes, etc... e a Torah exige respeito aos pais, maridos, patrões; na brit chadashah fala de “servir como ao Senhor.”

Seja qual for o âmbito de sua liderança, ele não pode se resumir em “mostrar quem é que manda no pedaço”. É preciso, como diz o conselho, “procurar conhecer o estado das ovelhas, cuidar do rebanho”. Uma ovelha ferida, doente, pode afetar outra, e depois outra, e por fim todo o rebanho se perder. Quem acompanha noticiários vê que, de tempos em tempos, sempre aparece um rebanho sendo sacrificado porque uma parte ficou doente e não foi tratada a tempo. Doenças como a febre aftosa por exemplo causaram o extermínio (e prejuízo) de milhares de cabeças de gado e rebanhos inteiros.

“As riquezas não duram para sempre, nem a coroa de geração em geração” nos mostra a lição de não podemos nos acomodar na nossa “riqueza”, achar que sempre tudo estará maravilhoso; enquanto isso, o rebanho vai perecendo no campo, e nossa coroa se perde.

Vejamos alguns exemplos:
• Ef 6:4 “vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.”
Pais que não cuidam dos filhos, não dão atenção a seus problemas, não se aproximam dos filhos, acabam por provocar a ira nos filhos. Criar na doutrina é ensinar, aconselhar; mas como aconselhar se nem sei o que se passa na vida de meus filhos? Quando os filhos nascem, os pais são seus heróis, seu amparo, sua segurança; à medida que a criança cresce, o pai deve continuar a ser, mas pra isso, ele precisa continuar a cuidar, tratar, aconselhar, conhecer o estado da “sua ovelha”.
O Sl 127 mostra que um bom pai terá em seus filhos, seus defensores, quando estiver diante de inimigos.
• 1 Pe 3:7 “maridos, coabitai com ela com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações.”
Sim, a mulher deve ser submissa ao marido, mas o marido deve dar honra à mulher, como vaso mais fraco. Caso contrário, Deus NÃO OUVIRÁ A ORAÇÃO DO MARIDO. Até porque provérbios fala que a mulher é a coroa do marido. Pode um rei não cuidar de sua coroa?
• Ef 6:9 “E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu e que para com ele não há acepção de pessoas.”
Como patrão, o líder não deve ficar ameaçando o funcionário; o patrão sempre será maior e mais forte que o servo, e o texto avisa: “Deus tá vendo como você trata o empregado”. A Torah tem uma série de leis que protegem o servo e não raras vezes é dito que “o servo tinha que ser tratado muito bem”.
• Jr 23:2 “Portanto, assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, contra os pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e delas não cuidastes; mas eu cuidarei em vos castigar a maldade das vossas ações, diz o SENHOR.”
Religiosamente, a figura do pastor, do cuidador do rebanho, e é dito que “o bom pastor dá a vida por suas ovelhas”.

Enfim, seja qual for nosso rebanho, devemos cuidar, olhar, ver suas necessidades, sarar as feridas, porque filhos felizes, esposas contentes, trabalhadores que recebem atenção e membros do rebanho, quando bem tratados, produzem mais e  retribuem nossa liderança com igual carinho, atenção e amor; mais do que isso, farão com que nossas “riquezas” durem mais.

Gastemos mais tempo de nossa vida para dar ouvidos ao que nossas ovelhas querem nos mostrar.

quinta-feira, março 13, 2014

Reflexões para o dia. Recompensa por uma boa ação


2 Rs 4:14  Então, disse o profeta: Que se há de fazer por ela? Geazi respondeu: Ora, ela não tem filho, e seu marido é velho.

Continuando da meditação de ontem; quando vimos a generosidade da mulher para com o profeta Eliseu. O que ele fez?
Quando alguém age com bondade, isso desperta no próximo o desejo de também demonstrar sua generosidade, de querer retribuir. Como eu disse ontem, a mulher não buscava nada do profeta; ela fez aquilo que seu coração mandava, um ato de bondade. E um ato de bondade, chamou outro, e outro...
Pirkê avot 4:2 diz “uma boa obra tem sempre como consequência outra boa obra... a recompensa duma boa obra está na própria boa obra realizada.”
Aquela mulher já estava se sentindo recompensada por D-us por ter permitido a ela a oportunidade de ser generosa. Não queria mais nada em troca. Só que sua atitude, despertou também no profeta Eliseu o desejo de retribuir.
Quando o profeta disse a ela: “O que você deseja? O que eu posso fazer por ti?” E ela respondeu: “Eu habito no meio do meu povo” ou seja, já estou bem, tranquila.
Então Eliseu se aconselha com seu servo, Geazi, que diz: “Ora, essa mulher não tem filhos e seu marido já é velho.”
Então o profeta chama a mulher e a avisa que dali a um ano,  ela estaria com um filho nos braços. E claro, foi o que aconteceu.

Repito que, quando a mulher foi boa, não pediu nada em troca, mas a generosidade dela, despertou a generosidade em Eliseu.
Não devemos exigir que outros sejam generosos conosco, mas quem sabe nossos bons atos despertem nos outros o desejo de também o fazerem.

No ano 2000 foi lançado o famoso filme “A Corrente do Bem” que retrata um pouco disso; uma pessoa faz o bem, e em troca apenas pede que o outro faça o bem a três pessoas, e isso se multiplica. Até despertar a inveja e o ódio de quem não sabe ser generoso; claro, no filme, o menino que teve a brilhante idéia, foi morto; mas isso foi só pra nos emocionar e fazer refletir.

Ao escrever um devocional, ele deve primeiro atingir a mim mesmo, e por isso o escrevo, meditando em cada palavra; eu sou isso? Se não, procuro melhorar para quem sabe, pela misericórdia do Eterno, um dia ser bom.

Na história bíblica, aquela mulher teve seu filho e, tal qual no filme, o menino também morre. Mas de forma diferente, o profeta ressuscita o menino e o devolve à mãe, mas isso já é uma outra história, outra meditação.

Por hoje, nosso desejo deve ser o de termos bons atos, de generosidade, e que esses atos façam despertar em nós mesmos o desejo de fazermos mais, pois “a recompensa de uma boa obra está na própria boa obra.”
Nada de fazer esperando que os homens nos reconheçam... isso é legal, mas no fundo é uma besteira. Homens não são justos, não reconhecem de verdade. Fazer algo apenas esperando um obrigado alheio é pensar pequeno.  Fazer algo, esperando que o outro vá retribuir, fazendo algo de bom para nós, é usar de segundas intenções inuteis; porque se a pessoa não retribui, faz com que aquele que fez a boa obra se julgue um tolo: “eu fiz isso pelo fulano, e ele não reconheceu, mas eu devo ser um tolo mesmo, não deveria ter feito nada.”

Faça, desperte em você o gigante das boas ações, faça pela simples satisfação de fazer o bem, de fazer o certo.

Nossas boas obras são como o jejum, citado por Yeshua: “Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mt 6:17,18)

Esse é o grande desafio.
*** Essa semana acontecerá a festa de Purim. Purim usamos máscaras, nos escondemos, pois o próprio nome de Deus foi oculto no livro, e Hadassa se transformou em Esther para salvar o povo de Israel.

Que tal gastarmos um pouco menos em nossas fantasias e aproveitarmos para fazer uma boa obra, ajudando outra pessoa; talvez realizar-se em ajudar uma criança carente a ter sua própria fantasia de Purim?

quarta-feira, março 12, 2014

Reflexões para o dia. O que mais eu posso fazer?



2 Rs 4:8 Certo dia, passou Eliseu por Suném, onde se achava uma mulher rica, a qual o constrangeu a comer pão. Daí, todas as vezes que passava por lá, entrava para comer.

Hoje ao chegar no escritório e ligar o computador, me deparei com uma mensagem de uma pessoa, solicitando que eu escrevesse algumas palavras a serem ditas no aniversário de casamento dela, como uma homenagem a seu cônjuge, dizendo que isso faria a pessoa ficar muito feliz. Senti-me muito honrado em poder homenagear o amigo. Isso me fez refletir e de vez em quando me pego pensando: O que mais eu posso fazer por tal pessoa?
Ontem mesmo, ao ler a história do profeta Eliseu antes de meu filho dormir, eu refletia sobre o quanto constrangemos alguém com nossos bons atos. O profeta passava sempre pelos mesmos lugares, e uma senhora o constrangera a parar um pouco, para comer. Quem voluntariamente oferece apoio, seja com pão, com palavras, com gestos, sem que a pessoa venha lhe pedir ajuda?

Depois daquele dia, o profeta sempre que passava ali, sabia que tinha um lugar para fazer uma refeição. Isso é bom? Claro! Mas quem disse que aquela mulher se satisfez em dar pão ao profeta?
Nos versos seguintes, ela fala com o marido e eles juntos decidem construir um quarto para que Eliseu pudesse ali descansar; então providenciaram o quarto com uma cama, mesa, cadeira e um candeeiro.
Aí você pode dizer: ah! mas aquela mulher era rica; se eu fosse rico também faria. Será mesmo?
Outro pode dizer: ah! mas ela fez para o profeta, se um ungido de D-us vier em minha casa, claro que eu farei isso.

A essas duas questões quero apenas citar alguns versos:
• Kefah HaShaliach, diante de um coxo que lhe pedia esmola, disse: “Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Yeshua HaMashiach, o Nazareno, anda” (At 3:6) Não se trata de quanto dinheiro temos, mas do que podemos fazer por alguém.
• Mt 25:37-40 Então, os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E, quando te vimos estrangeiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E, quando te vimos enfermo ou na prisão e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
Não é apenas o que fazemos a um rosh, a um ungido que conta, mas o que fazemos para pessoas que não podem nos trazer benefício algum.
Já dizia alguém: “o caráter de uma pessoa se revela não na forma com que ela lida com seus superiores, mas no modo com que trata aqueles que não lhe podem trazer benefícios.”

O que mais podemos fazer? O mundo nos possibilita a cada dia um novo gesto de tsedakah. Na verdade os sábios dizem, que deveriamos agradecer a uma pessoa pela oportunidade que ela nos dá de cumprirmos a mitsvah da tsedakah.

Dias atrás, minha esposa me procurou falando de um menino, que muito doente, aparentemente não tinha muito com o que brincar, e ela pensou em dar uma alegria a esse menino, mandando para ele algum presente. Então (tal qual a mulher da história, que pediu ao marido para construirem o quarto) ela me pediu se poderiamos fazer alguma coisa. Claro que sim!

E pensei: o que mais eu posso fazer? Pensei em alguns amigos que com certeza também iriam querer ajudar. Falei com eles, e imediatamente se dispuseram em colaborar. Então, dias depois, o menino recebia na casa dele, não um, mas três presentes, que certamente amenizaram o sofrimento.
Quem é o menino? Talvez ele nem saiba quem foram as pessoas que lhe enviaram presentes. Não importa! Importa é alguém saciar a sede, ainda que momentânea de outro; talvez saciar a fome, talvez vestir e por aí vai... tenho certeza de que há pessoas precisando de ajuda à sua volta.
Você pode dizer: ah! eu já contribuo com o terceiro dízimo para isso mesmo. E sim, você está certo! Agora me diga uma pessoa carente que você sabe que foi beneficiada com seu terceiro dízimo? Acredite, você também precisa disso; ainda que de longe olhar e ver o bem que você fez a alguém. Não pelo reconhecimento alheio, mas pelo bem que fará a seu próprio coração. O reconhecimento que teremos vem de D-us!

Se você não conhece ninguém que precisa de ajuda, eu conheço várias pessoas. Se quiser contribuir, eu posso te ajudar a ajudar alguém. Garanto que seu coração se sentirá bem!
Se você quer ajudar alguém, ainda que você não tenha dinheiro para isso, também dá; eu lhe ajudo a encontrar alguém que precisa de uma oração, de um abraço, de talvez uma única pessoa que lhe diga: ei, eu me importo com você.
Mas porque fazer isso? Porque é disso que se trata a religião.

Tiago 1:27  A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.

terça-feira, março 11, 2014

Reflexões para o dia. A quem dar valor?



1Sm 1:8  Então, Elcana, seu marido, lhe disse: Ana, por que choras? E por que não comes? E por que estás de coração triste? Não te sou eu melhor do que dez filhos?

Na vida temos dias e dias; dias difíceis, outros terríveis, outros bons, outros nem tanto. Nos bons ou maus dias precisamos saber reconhecer quem são as pessoas nas quais podemos depositar nossa confiança; quem são aqueles que, seja qual for a situação, serão melhores do que dez filhos.

A história de Ana é muito conhecida, embora não tomemos as lições que ela tenta nos ensinar. Ana e Penina eram mulheres de Elcana, um homem da tribo de Efraim, e por uma razão que não nos cabe, Penina tinha filhos e Ana era estéril.
Além da tristeza natural por não gerar filhos, Ana sofria com as atitudes de Penina, que zombava constantemente dela. Sofria tanto que isso a impedia de reconhecer o bom marido que tinha. Vejamos:
• Elcana subia com toda a familia anualmente a adorar e oferecer sacrifícios ao Eterno.
Quantas mulheres possuem maridos zelosos, religiosos de verdade, que se preocupam em dar o bom exemplo aos seus familiares? Durante todos os meus anos como líder religioso ouvi um sem número de mulheres reclamarem de seus maridos nada religiosos. (Isso aumentou com o que chamo de “judaísmo do vinho” onde, para muitos, ser judeu, é poder tomar bebidas alcoólicas a vontade)
• Elcana dava porções de sacrifício à Penina e a todos os filhos.
Não bastava a ele dar sua oferta, mas também ele separava uma parte para todos os filhos, para que eles aprendessem desde cedo a ofertarem também ao Eterno. Quantos pais fazem isso? Não é dar uma moedinha pra o filho entregar de oferta, isso é mau testemunho, pois ensina o filho a dar moedinhas. É dar sua porção e uma porção digna também a cada um dos filhos.
• Ana tinha direito a uma porção ainda mais excelente.
Isso significa que, além da dos outros familiares ser uma porção excelente, Elcana sabia reconhecer o sofrimento de Ana, e tentava agradá-la. Nem sempre a porção mais excelente é o dinheiro, presentes, mas às vezes, significa, estar presente; ser sensível às necessidades do cônjuge.
• Ana estava triste, amargurada, mas ainda assim Elcana ficava do lado dela.
Não é fácil conviver com uma pessoa amargurada. Parece que tudo é motivo de sofrimento, choradeira. Tudo bem, o texto bíblico diz que Penina excessivamente a irritava, mas infelizmente a vida é assim. Sempre haverá pessoas com o caráter negativo, que terão prazer em pisar nos outros, e essas pessoas ainda gozarão de simpatia pois são falsas, bajulam uns, perseguem outros, mas é preciso mudar o foco de nossos olhos. Mirar na direção das boas pessoas.
Vou lhes dar um exemplo prático: por não raras vezes tenho vontade de apagar o perfil do facebook, em função de indiretas, de ataques desnecessários, etc... mas aí lembro de pessoas sinceras, que apreciam nossa amizade, nossas mensagens e penso: vou estar punindo meus amigos de verdade, então acabo continuando. Faço minhas as palavras de um rabino que admiro, chamado More Ventura:
“As vezes amigos me dizem que eu jogo pérolas aos porcos quando respondo de modo civilizado às pessoas que fazem comentários desrespeitosos em meus posts.
A eles explico:
Muito mais do que o conteúdo da réplica, me interessa transmitir a ideia de que é necessário dialogar.
Muito mais do que atingir o "agressor", me interessa as outras dezenas - ou centenas - de amigos que vão ler o comentário.
Muito mais poderoso do que as pérolas, o conhecimento pode converter porcos em seres humanos!”
Embora seja dificílimo, ainda acredito que seja possível converter porcos em seres humanos.
• Elcana diz à mulher: Por que choras? E por que não comes? E por que está mal o teu coração? Não te sou melhor do que dez filhos?
Estranho né? É evidente que ele sabia porque ela chorava,  e estava sem comer, então por qual razão perguntou? Para que ela visse que ele estava ali, a amava, acima de tudo, e que procurava ser um bom esposo para ela; aliás, um excelente marido, dez vezes melhor do que qualquer amargura que a aprisionasse.

Agora a lição:
gastamos tempo demais nessa vida com pessoas que não valem a pena, que não merecem nossas lágrimas, quando deveríamos é investir naqueles que nos amam de verdade.  Saber reconhecer isso é a melhor parte da vida.
Sempre haverá falsos amigos, mas isso significa que todos são falsos? Não, definitivamente não.
Sim, teremos dias difíceis, em que o coração chora, mas aí, devemos nos lembrar que ao chegarmos em casa, há uma esposa, filhos, que nos amam incondicionalmente.
Tudo o que precisamos é voltar pra casa. Sair de debaixo do peso das críticas, perseguições ou seja lá o que for que nos aflige, e voltarmos para os braços calorosos dos familiares que nos amam. E dos verdadeiros amigos também.

Ontem, ao chegar em casa, cansado, abatido, fui recebido, como todos os dias, com o caloroso abraço de meu filho Ariel.  Depois um beijinho no primogênito, na esposa, e o colo para a filha, que com dois meses já tem o poder de me aliviar as dores.  É isso que vale da vida.


Sei que todos possuem alguém especial, alguém que os ame de verdade. E se achar que não tem, saibam que minha familia está a disposição. Porque para nós, compartilhar amor, carinho e respeito com todos não é apenas uma obrigação; é, antes de tudo um prazer, melhor do que qualquer coisa.

segunda-feira, março 10, 2014

Reflexões para o dia. Tempo e paciência


Sl 40:1-3 Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor. Tirou-me de um lago horrível, de um charco de lodo; pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos; e pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus;
Hoje acordei pensando no passado; naquilo que nós, mais velhos, fazíamos e esperávamos pacientemente (mas nem tanto) para ver o que daria.

Quando eu era jovem, uns vinte e cinco anos atrás, não havia facebook, whatsapp, nem internet, e então as pessoas se comunicavam pessoalmente, alguns por telefone, já que uma ligação interurbana era caríssima, e boa parte por carta. Então, um jovem escrevia uma carta à mão, colocava no correio e esperava, três, quatro dias depois, já estava ansioso(a) pela resposta, e todos os dias corria à caixa de correios pra ver se havia chegado. Quando finalmente a carta chegava, era uma alegria; muitos guardavam as cartas que recebiam de amigos, namoradas, primos... e hoje?

Hoje, tudo é muito instantâneo; de qualquer lugar do mundo mandamos mensagem e a resposta vem em segundos; mas perdemos a virtude da paciência; de saber esperar pela resposta.  Talvez por não aguentarmos esperar mais, a resposta já não tem o devido valor. Antes, uma carta era planejada, suas palavras eram escritas num papel; não ficou bom, então rasgo e escrevo tudo de novo. Hoje, respondemos sem pensar; e quando vemos, já foi dito o que não precisava, com palavras que não são medidas e que causam sentimentos que não eram aquilo que desejávamos. Mas a meditação de hoje não é sobre cartas, e sim sobre o tempo.

Davi, sempre ele, nos diz: “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.”
Seja qual for a sua necessidade, saiba ESPERAR.

Talvez por ter trabalhado em agências de publicidade por alguns anos, me delicio ao ver comerciais, e frases de efeito criadas, mesmo no meio religioso. Acho criativo aquela “nação dos 318” “o vale do sal” etc... e não estou aqui para criticar ninguém, mas tem “meu milagre urgente” e qual de nós não precisa de um milagre urgente né? Mas isso vai no sentido contrário do que diz: “PACIENTEMENTE”.

Por mais difícil que a situação possa nos parecer, o rei Davi, nos mostra onde e como ele estava se sentindo, mas pacientemente aguardou pela resposta do Eterno: “Tirou-me de um lago horrível; de um charco de lodo; pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos;”

Não dá pra dizer qual lago horrível estamos enfiados; qual charco de lodo... mas a verdade é que se formos pacientes, Ele nos firmará os pés na rocha. Precisamos parar de dizer que confiamos em D-us e passarmos a confiar nEle.

Todas as manhãs, ao fazermos as preces do shacharit no judaísmo, recitamos os treze princípios da fé judaica, na bela canção Yigdal, que nos diz: “Ele compreende e conhece os nossos segredos. Vê o fim de todas as coisas desde o seu começo.”

Seja o que for que estivermos passando nessa vida, D-us já sabe; Ele conhece nossos segredos, sabe o que se passa com nosso coração; o lodo em que podemos estar e sim: Ele vai nos tirar e colocar nossos pés firmados sobre a rocha.

E o que vai acontecer depois disso? Davi diz:
“E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus” Se queremos uma nova canção, temos que esperar pacientemente.

Minha avó dizia: “o apressado come cru.” Meu conselho para hoje: Tente escrever uma carta para um amigo, escreva, se não estiver bom, rasgue, comece de novo. E quando finalmente achar que a carta ficou boa, coloque num envelope e a ponha no correio. E aguarde pacientemente a resposta.


A palavra de Deus diz: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. (Ec 3:1) Confie nisso; confie nEle.

sexta-feira, março 07, 2014

Reflexões para o dia. Coisas de judeu



At 22:3  Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade e aqui fui instruído aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós o sois no dia de hoje.

De forma sucinta, a Halachah diz que é judeu todo aquele que é nascido de mãe judia. Simples assim.
Daí nasce um menino, com oito dias de vida, um mohel vai lá, corta a pele do prepúcio e pronto, está feito o pacto de Abraão na carne do menino, para sempre. O que vai acontecer com esse menino? Ele vai crescer, ficar adulto, casar, ter filhos, envelhecer e morrer como judeu. E daí? Daí que isso não faz a menor diferença na vida dele.
Já fui muitas vezes a Israel, e a cada nova viagem, novas experiências, pessoas, aprendizados, etc... e como você deve imaginar, conheci muitos judeus.
Lá conheci um Benjamin, jovem judeu russo (ele até gravou depoimento comigo, que saiu num dvd à época) muito simpático morador do bairro Mea Shearim; ele, como tantos dali, religioso.  Conheci também um David, dono de lojinha na famosa rua Ben Yehudah; Esse, também religioso, só que não ortodoxo, brincava, batia papo comigo enquanto atendia seus clientes, na loja que vendia desde shofar até óleos para unção para evangélicos. Outro senhor David, nada religioso, mas com bom conhecimento, foi nosso guia na primeira viagem; não usava kipah, e de repente numa das visitas a sinagogas ele disse: “eu não sou religioso, mas não sou menos judeu do que aquele senhor que está à porta (um senhor todo religioso, rezando). Conheci outros e outros... mas não estou aqui para falar de personagens e sim pra meditar.
Há dois tipos de judeus: judeu secular e judeu religioso. Embora muitas coisas lhes sejam comuns, como falar hebraico, ser circuncidado, conviver (em Israel) com atentados terroristas, etc... a diferença básica está no fato de um REZAR, buscar ao Eterno, e o outro não.

A Congregação Israelita é uma instituição (como o nome diz, israelita) que tem princípios religiosos. Prezamos e buscarmos nos aperfeiçoar no cumprimento da Torah.

Paulo, o apóstolo, Em Atos 22, começou a fazer um discurso, e quando começou a falar em hebraico, as pessoas deram mais atenção. Daí ele diz: SOU VARÃO JUDEU, instruído aos pés do sábio Gamaliel, CONFORME A VERDADE DA LEI DE NOSSOS PAIS, ZELOS PARA COM DEUS...
Ele dizia: “sou judeu, e sou religioso.”

Você também pode escolher entre dois tipos de judeu:
- SECULAR, não rezar, não ler Torah, não falar da palavra de D-us, não acender velas de shabat, não fazer bircat hamazon, não abençoar os filhos, etc... mas ser circuncidado.
- RELIGIOSO, rezar, estudar a Torah, meditar na palavra de D-us, acender velas de shabat, abençoar filhos, fazer cabalat, frequentar sinagoga, etc... e ser circuncidado.

Há muitas coisas de judeu nessa vida. Mas é você quem decide que tipo de judeu quer ser.

Aos judeus coube o privilégio de ter sido escolhido como o povo do Eterno, a nação santa. Mas ter uma relação de proximidade, de amor a D-us, de zelo pela Torah, de oração, é a opção que fazemos nessa vida.
Você pode ser ashkenazi ou sefaradi, isso tem a ver com de onde vieram seus pais, avós, etc... mas ser um judeu religioso é o que fará toda a diferença em sua vida.

Sua Torah pode ser armazenada num case redondo de madeira, ou num tecido aveludado cheio de bordados, mas o essencial é que você a guarde no coração. Caso contrário você será apenas mais um na multidão.


Espero que sejamos todos nós, judeus religiosos, judeus que rezam, judeus que amam a D-us acima de todas as coisas.  Aí sim, estaremos dando o devido valor à herança judaica.

quinta-feira, março 06, 2014

Reflexões para o dia. Que tal acender um incenso?



Êx 40:5 - Porás o altar de ouro para o incenso diante da arca do Testemunho...

Dentre as muitas coisas que o povo de Israel deveria preparar para o Eterno durante a longa caminhada no deserto, objetos que ajudariam a compor o ambiente sagrado do Mishkan, do Tabernáculo, muitas coisas deveriam ser feitas em ouro e uma delas é o altar do incenso. Precisava?
Precisava ter um local feito em ouro para receber um incenso que, basicamente, serve para deixar o local com um cheiro mais agradável? Bem, tudo depende do valor que é dado ao incenso. Quanto vale o incenso para você? Quanto vale para D-us?
Talvez a maioria de nós nunca experimentou comprar um pavio de incenso e acendê-lo num ambiente dentro de nossa casa para ver o seu poder. Há vários tipos de incenso, com vários aromas diferenciados. Algumas pessoas ficariam enjoadas com o cheiro, outra adorariam. O que não se pode negar é o seu poder de transformar um ambiente.
Quer uma prova? Seja como o personagem Tomé: pague para ver! Compre um incenso e o acenda ao menos uma vez e veja que tipo de sensação ele causará em você, na sua familia, nos amigos que forem te visitar, etc.

Mas o que é o incenso afinal?
Ap 5:8 E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.
Aí está a explicação de porque o Eterno dá tanto valor ao incenso; ele representa as orações dos santos.
Quando a Torah declara que Arão, o sumo-sacerdote, deveria manter o incenso queimando todos os dias, de manhã e a tarde, isso deve nos fazer refletir que o Eterno anseia por nossas preces. Talvez por isso mesmo esteja escrito: “Orai sem cessar.” (1 Ts 5:17)
Um outro texto diz: “E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus.” (Ap 8:4)

Quando gostamos muito de alguém dizemos: “Essa pessoa vale ouro.” E por isso mesmo, para D-us, nossas orações merecem um altar de ouro.
Mas é evidente que não é qualquer oração que tem um bom perfume, um  incenso agradável diante do Eterno. Há aquelas que produzem um mau cheiro, que são as orações dos desobedientes, que se desviam da Torah por um mau caminho.  Salomão diz: “O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável.”(Pv 28:9) 

Nossa prece deve ser continua, nossa vida deve ser pautada pelos mandamentos da Torah, devemos ter prazer nos mandamentos do Eterno, nos alegrar neles. Não importa quão injusta a vida possa parecer. Devemos ter em D-us um amigo a quem possamos recorrer continuamente.

Você pode até não confiar nas minhas palavras, achar que Shaul HaShaliach foi exagerado ao dizer para orarmos sem cessar, achar que a oração não é tudo isso de importância, que judeu que é judeu não fica orando, que isso é coisa de crente, etc.. você tem o direito de achar isso.

Só te faço um convite, já que o shabat se aproxima: acenda um incenso em sua casa e deixe o perfume transformar o ambiente. Se você achar que isso é bom, experimente orar. A oração também mudará o ambiente da sua vida.

Quando isso acontecer, você entenderá perfeitamente o porquê o Eterno mandou que o altar de incenso fosse de ouro. Então “Keep calm and acenda um incenso”




quarta-feira, março 05, 2014

Reflexões para cada dia. O Pai que nos sustenta.


Uma das coisas boas de ser pai é perceber que existe um pequeno ser, completamente dependente de você. 
Quando pego minha filhinha no colo, para dar banho, ela ali, toda frágil, ao se assustar durante o banho, logo se acalma, quando sente os braços firmes do pai a envolvendo e carinhosamente a acalmando, falando-lhe ao coração. Que sensação boa!

Imagino que seja isso o que o rei Davi sentia, quando nas situações difíceis da vida, buscava ao Eterno. Não por acaso, ele dizia as palavras do salmo 63:8 “A minha alma apega-se a Ti; a tua mão direita me sustém.”

Em minha bíblia, o subtítulo desse salmo diz: "Salmo de Davi, quando estava no deserto de Judá”. Não sei se era bem esse o momento, mas a verdade é que há desertos em nossa vida, momentos em que não temos ninguém, e que, por mais que gritemos, num deserto ninguém nos ouvirá. Nessa hora, assustados como uma criança, precisamos sentir a mão do Eterno a nos sustentar. Obviamente só sente a mão do Pai, aquele que é um filho, que preza por sua relação com D-us e O busca como David HaMelech, a ponto de ter sua alma apegada ao Eterno. 

Nesse mesmo salmo 63, Davi diz: “Ó Deus, Tu és o meu Deus; de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água.” Essa é a receita do grande rei Davi, que era um homem "segundo o coração do Eterno". Quando ele se sentia e quando nós nos sentirmos como um deserto, uma terra seca e cansada, precisamos buscar água nEle. 

A vida não é fácil para ninguém, embora alguns possam acreditar que só eles tenham problemas, ou que seus problemas são maiores do que os dos outros, mas então porque algumas pessoas conseguem ser felizes, apesar de todos os problemas? Porque certamente elas teem em quem confiar. Nas horas difíceis, sentem uma mão paternal a sustentá-las, exatamente como o grande rei de Israel. 

De certo alguém poderia pensar que o rei Davi cantava salmos, tocava harpa, porque afinal, era um rei, e um rei não tem problemas. Engano total, pois Davi sempre teve muitos inimigos, a começar pelo seu antecessor, Saul que tentava matá-lo, por inveja. Davi pecou, foi castigado, viu seus filhos serem mortos, sofreu, mas ainda assim, até hoje é dito que não existiu um rei como ele, do qual descenderia o Messias de Israel. 

Davi dizia: “Porque tu tens sido o meu auxílio; jubiloso cantarei, refugiado à sombra das tuas asas.” (Sl 63:7) O que te falta para cantar alegremente diante do Eterno? Talvez falte a nós hoje essa intimidade, "nossa alma seguir de perto ao Eterno", quem sabe "orar de madrugada, como Davi, como uma terra seca que precisa de água... 

Esse é o caminho da alegria, a comunhão com D-us, porque a benignidade dEle é melhor que a vida. Busque mais a D-us, tenha tempo para cultivar essa relação com o Pai, e quem sabe, em breve, no meio de seu deserto pessoal, você também possa sentir a suavidade da destra do Eterno a te sustentar. 


Reflexões para cada dia. Suspirar como a corça?


Nossa vida tem um ritmo frenético, não raras vezes olhamos o calendário e dizemos: "Puxa, já estamos em março, daqui a pouco o ano acaba." E esse ano vai ser mais corrido, mal começamos, ja veio o carnaval, daqui uns dias tem copa do mundo, aí férias de julho e quando nos damos conta, dezembro chegou. É assim para todo mundo; mas nem todo mundo vive no mesmo ritmo, nem todo mundo é igual; algumas pessoas conseguem tirar um tempo para buscarem a D-us. 
Nas últimas prédicas que vi, o rosh falava da necessidade de tirarmos um tempo sozinhos com D-us, de orarmos, lermos provérbios, enfim, buscarmos cultivar nossa relação com o Eterno. Para mim, isso é chamado de DEVOCIONAL. Devocional não é coisa de "crente" (como se ser crente fosse algo pejorativo).
Há algum tempo em nosso escritorio, no refeitório há uns papeis plastificados, e neles estão palavras de agradecimento, numa bênção chamada "Bircat Hamazon", que é a "bênção após as refeições."  Como almoço muito rápido, a maioria das pessoas está lá comendo, falando alto, dando risadas, a tv ligada, enfim, naquela zueira toda, eu pego no meu canto aquele papel, coloco diante de mim e com os dedos, tampo os ouvidos, e o barulho que escuto é o da minha respiração e do movimento dos meus lábios, tentando me concentrar nas palavras que falo baixinho.... "Bendito sejas Tu, Eterno, que alimentas a todos..." 

O fato é que precisamos buscar mais a D-us. Seja ao levantar, seja antes de dormir, seja no momento que for... há uma frieza, que certamente não advem do judaismo; pelo menos não do judaísmo de Yeshua, não do judaísmo bíblico, de Abraão, Isaque, Jacó, Davi, Daniel...

Hoje, antes de dormir, meu filho veio me pedir que lesse para ele Daniel 2.  Falei: "mas filho, Daniel 2 fala sobre profecias. Você quer que eu leia?" E ele responde: "Sim pai, mas o que é profecia?"  

Depois de uma breve explicação comecei a ler o texto. O rei Nabucodonosor teve um sonho e chamou os sábios, magos, de seu reino babilônico para não apenas interpretar, mas dizer qual era o sonho e a sua interpretação. Ninguém sabia, claro! Quando sai a ordem para que todos os sábios sejam mortos, eis que aparece Daniel, com seus amigos Ananias, Azarias e Misael, que oram a D-us, pedindo Sua misericórdia sobre o mistério, e D-us revelou o sonho e a interpretação a Daniel, que por sua vez, o transmitiu ao rei da Babilônia.  Com isso, não apenas ele, mas também os demais sábios do povo foram salvos da ira de Nabucodonosor. 

Mas e a profecia? A profecia falava dos reinos, e culminava com o reinado de Mashiach, ainda por vir. O foco hoje não está na profecia, mas no fato de Daniel e seus amigos fiéis buscarem pela presença do Eterno. 

Quando você ora? Só nos momentos difíceis? Que tipo de amigos você tem? Eles oram com você pelo mesmo objetivo? Não, Daniel e seus amigos não oravam apenas nesse momento. Eles tinham COMUNHÃO com o Eterno. Em Dn 6:10 diz: "Daniel entrou em seu quarto, onde havia janelas voltadas para o lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava e dava graças, diante de Deus, como costumava fazer." 

Ele tinha SEDE de D-us. Daniel tinha necessidade de pelo menos três vezes ao dia, buscar ao Eterno. No judaísmo, isso pode ser chamado de shacharit, minchah e arvit; eu prefiro chamar de "a corça em busca das águas". 

Nem todos os salmos foram escritos pelo Rei David, mas ele era um cidadão que tinha necessidade de D-us. O Salmo 42 especificamente não foi escrito por ele, mas bem que poderia:

Sl 42:1,2 - Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim por tí, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus? 

Não busque a D-us apenas nos momentos de angustia; cultive uma relação com Ele. Deixe que te chamem de "crente" (de novo digo, como se ser crente fosse algo pejorativo) Judaismo NÃO é apenas razão, mas também e principalmente coração. Ou será que os maiores judeus de todos os tempos foram movidos única e exclusivamente pela razão?

Sl 51:16 - Não te comprazes em sacrifícios, do contrário, eu tos daria; e não te agradas de holocaustos. (Esses são os racionais: "bem, eu peco, levo um cordeiro e tá tudo certo", pra que ter relação com Deus?) 
Sl 51:17 - Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus. (Esse sim, coração contrito e quebrantado, ou seja, não movido pela razão, mas por um coração sincero; esse não será desprezado pelo Eterno).

Seja a corça. Tenha uma ansiedade por correr às águas.

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Surpresa agradável...




Estava eu hoje aqui no escritorio fazendo o trabalho de transcrever algumas aulas da Yeshivah, quando resolvi checar meu e-mail e pra minha surpresa tinha um comentário feito em meu blog.
Quanto a comentários, tudo bem, sei que bastante gente acessa, mas poucos comentam. O que esse tem de especial? Conto!

Dias atrás publiquei um post falando do livro "Meu Israel" de Sabrina Abreu. Gostei muito do livro e indiquei aqui, e sei que alguns amigos já o compraram. E de repente hoje eu recebo o contato da própria autora do livro, ma agradecendo por divulgar. 

A Sabrina então aproveitou pra me pedir que eu falasse que agora está disponivel o ebook (como mostra a foto acima, dela mesma) então quem tiver disponibilidade, agora no dia 25, terça-feira, será o lançamento no "Café com Letras" em BH. 
Se, como eu, você não mora em BH, acredito que o ebook já estará disponivel também em sites da internet.

Eu prefiro a versão publicada em papel, ainda acho melhor e "mais charmoso", mas se você quiser, tem agora essa opção, e repito: Vale muito a pena! 

Para quem já foi a Israel, vai sentir saudade! Para quem nunca foi, vai ficar com vontade!

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Formatura da sobrinha, Nathalia F C P P S





Alguém já disse certa vez que sobrinhos são como filhos que não são nossos, mas pessoas pelas quais nutrimos grande carinho. É parte da tradição familiar Junqueiristica não ficar abraçando as pessoas com frequência, mas isso não significa falta de sentimentos.
 
Na noite de ontem estive presente num teatro de Curitiba para prestigiar a colação de grau da minha sobrinha Nathalia Francielly ... (nome muito grande). Normalmente essas cerimônias são desinteressantes, tanto que meu filho Abel passou a maior parte do tempo jogando no celular, mas não deixa de emocionar em certos momentos. Ontem, pra mim, foi muito legal, algumas lágrimas, e grande satisfação por ter sido honrado pelo convite da minha primeira sobrinha a se formar, numa profissão tão gratificante e bonita.
 
Um mês atrás, a agora bacharela em Enfermagem, esteve conosco no hospital e presenciou o nascimento da minha filha Aidel, acompanhando a Eliana nesse momento tão importante. Antes, ela já havia presenciado o nascimento de outra sobrinha dela, a Sarah e certamente já cuidou de outros bebês em hospitais de Curitiba. Esse é um sinal de que tem talento e gosta de presenciar estes momentos, da chegada de uma nova vida ao mundo.
 
Num momento importante como esse, é tempo de refletir por todas as dificuldades da vida,  e ver que é possivel sim, vencer, alcançar os objetivos nessa vida. Aproveito pra reconhecer o esforço da Rayna e do Francisco, que apesar de separados, cumpriram com a missão de pais da Nathalia, dando o suporte, seja financeiro, seja emocional, para que a minha pequena sobrinha vencesse as etapas até chegar ao sonhado "canudo da formatura".  A vitória e o mérito é deles também e espero um dia chegar lá, com meus três filhos.
 
À Nathalia agora se vislumbra mais uma mudança na vida, já somando às tantas experiências vitoriosas que essa jovem já possui, como o recente casamento, a casa própria (em breve) e agora, enfermeira, quem sabe um bom emprego num grande hospital ou maternidade. Haverá momentos difíceis, certamente, mas quem venceu todas as dificuldades até aqui, certamente os enfrentará com coragem e ao fim, sairá sempre com o sorriso de uma vencedora no rosto.
 
Claro que me orgulho dessa vitória, a qual fui digno de presenciar, e que isso sirva de incentivo a mais e mais jovens buscarem seus objetivos nessa vida. Me orgulho, como já postei tempos atrás, quando da formatura do amigo Paulo Ferreira, em ver nossos jovens crescendo, estudando, buscando um futuro digno, e muitos, muitos mesmo, cursando ou já concluindo seus estudos em faculdades conceituadas Brasil afora. Sigam assim, bons exemplos não faltam de que o esforço vale a pena.
 
Obrigado Natha e Natha, pelo convite. Que nas novas etapas da vida venham novos sucessos sempre. Recebam o carinho de um orgulhoso tio.