quinta-feira, março 26, 2015

Reflexões para o dia: Atitude em se lavar os pés



João 13:14 “Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.”

Ao Yeshua lavar os pés de seus discípulos, que lição ele tentava transmitir, na noite de seu último Pessach? Essa é a meditação de hoje; antes de continuar a leitura, peço que pare aqui um pouco e medite acerca do que você pensa do ato de lavar os pés. Não continue lendo; pare, pense por alguns minutos e depois volte para ler o restante da postagem.

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Acreditando que você parou e meditou, deve ter chegado à óbvia conclusão que lavar os pés de alguém é um gesto de humildade que Yeshua ensinou aos discípulos, não é? Vamos aos fatos...

1º) Era Pessach, e em Pessach não existe o lava-pés como parte do rito do Seder. 
2º) Era a última noite de Yeshua com seus discípulos. Imagine que você saiba que hoje é seu último dia de vida. Ao chamar seus filhos, que conselhos daria a eles? 
Yeshua preferiu dar o conselho de: “sejam humildes, sempre!”
3º) Lavar os pés era um costume antigo, que já tinha a ver com hospitalidade, humildade, respeito, etc...

Agora vamos a alguns detalhes:
- O rito de Pessach foi instituído em Êx 12, quando os israelitas saíram apressadamente do Egito, rumo à terra prometida. Ali e em nenhum outro lugar sequer menciona a lavagem dos pés nessa cerimônia. Tampouco Yeshua lavava os pés de alguém e não há nenhuma menção disso ter ocorrido anteriormente em nenhuma das vezes anteriores em que ele certamente participou dessa celebração. 
Depois de sua morte, o relato que temos é em 1 Co 11:17-34, quando Shaul HaShaliach fala sobre o Pessach, mas ali ele sequer menciona que lavar os pés de alguém seja parte (nova) do ritual daquela festa. 
Então é preciso entender que, de fato, Yeshua não instituiu o lava-pés como parte da festa. O que ele fez foi “dar uma lição de moral aos discípulos”

- João 13:2-5 fala que: “acabada a ceia,...Yeshua cingiu-se e começou a lavar os pés aos discípulos”
Esses versos nos mostram que a Ceia (o jantar) já tinha acabado, portanto, o lavar dos pés foi fora da cerimônia. 
Quem lavou o pé de quem? O texto mostra que Yeshua lavou os pés dos discípulos e não foi uma troca de presentes, um lavando os pés dos outros. Quem lavou os pés de Yeshua? Ninguém! Ele, o líder, é quem lavou os pés dos doze.
Outra coisa importante, é que Ele não lavou os pés do “povo” mas apenas de seus doze, os que estavam mais próximos a ele.

- “Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.  Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também..  Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.” (Jo 13:14-17) 
Que exemplo ele deu? Exemplo de humildade, por isso disse: “se eu sendo mestre fiz isso, porque vocês não poderiam ser humildes também?... se sabeis estas coisas (humildade, porque se fosse lavar os pés, qual adulto não saberia lavar os pés?) bem-aventurados se as praticardes (gestos de humildade)”
Note que o texto NÃO fala que eles começaram a lavar os pés uns dos outros, mesmo Yeshua tendo dito que eles deveriam lavar os pés uns dos outros. Lavar os pés, ser humilde, não é só em Pessach. É na vida, no dia-a-dia que provamos nossa humildade. 

- Lavar os pés era uma prática antiga, desde os dias de Abraão já se fazia isso, num gesto de humildade e hospitalidade. Quer provas?
(Gn 18:2-8) Abraão disse: “não passes de teu SERVO, traremos água para vocês lavarem os pés, e descansar debaixo da sombra da árvore.” 
(Gn 19:1,2) Ló, sobrinho de Abraão, repetiu o gesto de hospitalidade com os anjos do Eterno. 
(Gn 24:32) Eliézer, servo de Abraão, ao buscar uma esposa para Isaque, foi recebido pela família de Labão e lhe ofereceram um lugar para ficar e água para os pés. 

Certa vez Yeshua foi convidado a comer na casa de um fariseu. Lá, uma mulher (pecadora) lavava os pés de Yeshua com unguento, pé regado a lágrimas, e secado com seus próprios cabelos. Que gesto lindo de humildade! 
Isso incomodou o fariseu... é humildade demais, e este reclamou a Yeshua, que respondeu: “Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés, mas esta regou-me os pés com lágrimas e mos enxugou com seus cabelos. Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de beijar os pés, não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento...” (Lc 7:36-50)

É uma preocupação comum hoje, ao chegar perto do Seder, muitas pessoas já escolhem de quem vão lavar os pés, há os que querem lavar os pés do Rosh (só pra se exibirem na festa)  e isso na verdade mostra exatamente quem somos. 
Lavar os pés, ser humilde é todo o dia. É fazer isso em casa, ao receber uma visita, é tratar bem as pessoas. Quando Avraham  trouxe água para os visitantes de Deus, não era Pessach... Quando a família de Rebeca trouxe água para Eliezer, não era Pessach. 

A humildade é a lição, foi isso que pegou o fariseu hipócrita (que queria se exibir, mostrando que Yeshua foi em sua casa para comer). Quem nunca lava os pés aos outros, não vai ser na festa que vai demonstrar uma falsa humildade. 

Em 1 Tm 5:10, ao falar das viúvas dignas, está escrito: “tendo testemunho de boas obras, se exercitou a hospitalidade, SE LAVOU OS PÉS AOS SANTOS...” Isso faz a diferença, o bom testemunho, a humildade. 
Pela última vez, lava-pés não é parte do Pessach, é parte da vida das pessoas humildes. 

***Ps.: Se você ainda não tem uma hagadah de Pessach, solicite a mim que eu envio o arquivo por e-mail ou facebook, para que você possa imprimir.

quarta-feira, março 25, 2015

Reflexões para o dia: Pessach e o pão da miséria


Tg 4:9-11 “Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo, em tristeza.  Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará. Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão e julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; e, se tu julgas a lei, já não és observador da lei, mas juiz.”

Um dos itens mais conhecidos da festa de Pessach é a matsá, ou pão ázimo, o pão sem fermento e que traz consigo mais do que uma mera simbologia, mas grandes ensinamentos que devem ser praticados ao longo do ano, durante toda a vida e não apenas na festa. Isso explica o motivo pelo qual a meditação de hoje é baseada no texto de Tiago 4, que não fala especificamente da festa de Pessach, mas de nossas atitudes.

A matsá é conhecida também como o pão da miséria, e a Torá a ela se refere como “lechem oni”, o pão da aflição. Quando comemos matsá, não é apenas do fermento que nos libertamos, que sempre traz a analogia da lashon hará, da maledicência, mas também tem o sentido de nos libertarmos de sentimentos de grandeza, de orgulho próprio, de nos acharmos melhores do que os demais, e porque não dizer, também lembrarmos de que um dia éramos escravos, pobres, miseráveis, e hoje somos livres para servir ao Eterno, mas não livres para oprimir, maldizer e humilhar pessoas. E aí que entra o texto de Tiago. Ele diz: “Humilhem-se diante do Senhor, e ele os colocará numa posição de honra. Meus irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala mal do seu irmão ou o julga está falando mal da lei e julgando-a.” 

O apóstolo nos incita a sentirmos nossas próprias misérias.  Falar mal dos outros é fácil, difícil é sentir as próprias misérias; difícil é reconhecer nossos próprios erros. 
Você já foi punido? Eu já! Já passei por período de castigo e dor, e sei que é difícil suportar a punição, mas há o texto que diz: “Filho meu, não desprezes a correção do Senhor e não desmaies quando, por ele, fores repreendido; porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque que filho há a quem o pai não corrija?” (Hb 12:5-7) 

Quando nos revoltamos contra o castigo, nos sentimos superiores, ou aproveitamos para apontar erros alheios, é sinal de que não somos capazes de “sentir nossa miséria” e se não o somos, porque comemos a matsá? Porque celebramos Pessach? 

Pessach é a festa da libertação dos filhos de Israel da escravidão no Egito, mas é também a festa da humildade, quando comemos ervas amargas, pão da miséria, o charosset (que nos lembra os tijolos fabricados pelos escravos no Egito) e tudo isso pra que? Pra lembrarmos que fomos escravos, e que não podemos tratar as pessoas da forma como os israelitas eram tratados no antigo Egito. A Torah fala em Êx 23:9 para não oprimirmos ao estrangeiro, porque fomos estrangeiros no Egito... ou seja, não faça aos outros, aquilo que não quer que façam contigo (e você já sofreu isso, não faça os outros sofrerem).

Se hoje temos o delicioso pão francês ou caseiro sobre a mesa todos os dias, Pessach está aí para nos lembrar dos momentos difíceis, das lutas, e sim, claro, das vitórias que o Eterno nos concede. Mas lembremo-nos sempre da humildade. 
E por falar em humildade, durante seu último Pessach, nosso Mestre Yeshua, em seu último Pessach, lavou os pés dos seus discípulos, num claro ensino sobre a humildade. (o lava-pés fica para uma próxima meditação) 
Então gente, ao receber sua caixa de matsá ou ao produzir seu próprio pão da miséria, antes de comer, vamos nos lembrar e sentir nossas misérias, converter nossa alegria em pranto, e nos humilhar diante do Eterno... e chega de falar da vida alheia, porque isso não passa de orgulho pessoal e fermento demais, e é tempo de limparmos nossa casa (nossa vida) do fermento, antes que levede toda a massa.

***Ps.: Se você ainda não tem uma hagadah de Pessach, solicite a mim que eu envio o arquivo por e-mail ou facebook, para que você possa imprimir.

segunda-feira, março 23, 2015

Reflexões para o dia: Pessach, quem é livre?



Jo 8: 33 “Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?”

Estamos no Mês de Nisan, o primeiro do calendário judaico religioso e certamente dos mais importantes, pois esse mês marca o povo de Israel de uma forma singular, considerando que foi em Nisan que os israelitas foram libertos da escravidão do Egito, onde viveram por quatrocentos anos. Espero nos próximos dias meditar e compartilhar aqui alguns pensamentos acerca de Pessach.

A Torah nos relata em Shemot 12, acerca da primeira celebração de Pessach e da saída dos filhos de Israel do Egito. Nossos sábios e a própria Torah descrevem como devemos celebrar essa festa, sendo ela a única que é de verdade restrita, e só podem participar aqueles que são circuncidados. 

Nos últimos dias tenho refletido (ainda que não tenha publicado postagens) acerca de quem é livre de verdade. Você já conversou alguma vez com um “viciado”? Viciado não necessariamente em drogas ilícitas, mas também em bebidas alcoólicas e outras coisas. Eles sempre dirão algo como: “eu não preciso de religião, eu sou LIVRE pra fazer o que quiser...” será mesmo?

O texto de João 8 nos traz uma sequência interessante de fatos. Quero apresentar rapidamente alguma coisa.

1º  - Mulher adultera: Uns fariseus e escribas quiseram testar a Yeshua, e trouxeram uma mulher adúltera perante ele. A mulher havia sido pega em flagrante adultério... e porque aqueles homens não “fizeram justiça”? Trouxeram para Yeshua, só pra ver o que ele falaria. 
Tem pessoas que se acham demais, que se sentem no direito de fazer acusações, de pegar esse ou aquele e massacrar, e depois deixar que “o Rosh resolva”. Tais pessoas se acham justiceiros, os donos da razão, inimputáveis de pecado. Mas bastou Yeshua dizer a famosa frase: “aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra” que eles foram saindo... e então Ele deu a sentença à mulher: “vá e não peques mais”.
Sim, ela havia pecado, e sim, poderia ter sido apedrejada ali mesmo, mas onde estavam os acusadores? Eles mesmos eram escravos do pecado, e buscavam “provar Yeshua”, eles eram maus, apesar de se acharem bons. Aqueles homens expuseram a mulher, expuseram a Yeshua, mas no fim, quem teve sua vergonha exposta foram eles mesmos. 

2º - Vós julgais segundo a carne: não satisfeitos, os fariseus ali acusaram Yeshua de testemunhar falsamente dele mesmo. Yeshua falou que o juizo deles era segundo a carne, ou seja, eles eram homens carnais. O carnal se acha, ele não tem nada do espírito de D-us sobre ele. Por isso mesmo Yeshua disse: “vocês não conhecem a mim e nem a meu Pai” e concluiu, dizendo que eles morreriam em seus pecados. (Jo 8:24) 
Assim é o escravo do pecado, vive e morre no pecado, mas nunca reconhece que está errado. Vivem de acusações, de tentar destruir, prejudicar o ministério, e se acham “o povo de D-us”. E a discussão seguia com o Mestre.

Assim como o escravo do vício se acha livre, esses homens se achavam livres... e disseram: “Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?” E segue: “Responderam e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. Mas, agora, procurais matar-me a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isso.” (Jo 8:35,39,40)

E pra encurtar a história, Yeshua disse: “Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai.”

Daqui a menos de duas semanas teremos pessach, teremos o seder de Yeshua, o seder de homens livres. Iremos participar? Devemos participar? Depende! Se formos homens livres, se não vivemos fazendo acusações, apontando com o dedo em riste sobre esse ou aquele, ou nos julgando os donos da verdade, os justiceiros, aí podemos e devemos participar, pois somos filhos de Abraão. 
Agora, quem vive de acusar, quem vive escravo do pecado, se escondendo sob falsas imagens, aprensentando falsos perfis de pessoas de bem, esses não sei, talvez eles mesmos deviam se julgar e ouvir as palavras do Mestre: “quem estiver sem pecado atire a primeira pedra”.

Lembremo-nos que dos mais de seiscentos mil homens que saíram do Egito, apenas dois daquela geração foram capazes de chegar à Terra Prometida. Eles sim, foram livres e entenderam a verdadeira mensagem do Pessach.

É tempo de encontrarmos a liberdade nas coisas boas, não em trazer pessoas para serem apedrejadas; pessoas livres fazem o bem. É tempo de tirar o fermento, mas isso fica para uma próxima meditação.

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Reflexões para o dia: Meu direito, seu dever!


Êx 21:10 “Se lhe tomar outra, não diminuirá o mantimento desta, nem a sua veste, nem a sua obrigação marital.”

De acordo com o Sefer Hamitsvot, no estudo de hoje é dia de entender o direito das esposas. Achei particularmente compartilhar aqui porque daqui a alguns dias estarei presente em mais uma cerimônia de casamento, além do fato de que tivemos vários casamentos recentemente, tanto em Curitiba quanto em outras cidades Brasil afora. 
Muito embora o texto acima fale especificamente ddaquele que se casa com uma serva, ele se aplica a todos, uma vez que o verso anterior diz: “tratá-la-á como se tratam as filhas.” (Ex 21:9) Isso significa que todo aquele que se propoe a um casamento com uma jovem, deve levar em conta três obrigações básicas, que são DEVERES do marido:
- mantimento - ou seja, todo o sustento, a manutenção das necessidades de sua esposa é SUA obrigação. O cidadão não deve se casar esperando que a mulher vá trabalhar fora para “ajudá-lo” nas despesas da casa. 
Uma mulher casada pode trabalhar fora por diversas razões (embora haja os que não aceitem que uma mulher exerça funções fora do âmbito do seu lar) mas o homem não deve se acomodar nisso, e achar que é obrigação dela ajudar a prover o sustento de casa.
- Vestes - Um marido deve ter condições de prover, além do alimento, trajes decentes para sua esposa. Não faz sentido um homem andar bem vestido e sua esposa usando roupas velhas, ainda da época de solteira, ou esperar que ela trabalhe para comprar suas próprias roupas. Devemos nos lembrar que quando casamos, nós tiramos uma jovem de dentro do lar de seus pais, onde muito provavelmente ela tinha seus alimentos e suas vestes sendo providos pelos pais.
- Direitos conjugais - É um direito da mulher. Já vi muitos homens falando disso, exigindo da mulher, falando que “é um direito do homem” quando na verdade isso é um direito da esposa, que não lhe deve ser negado. No mundo machista que vivemos tendemos a dar muita ênfase nas necessidades do homem, mas a mulher tem necessidades físicas também, e mais do que isso, ela tem o DIREITO de exigir que o marido supra tais necessidades.
Esses são DIREITOS BÁSICOS de toda filha de Israel. Se você é um jovem rapaz e não tem condições mínimas de assumir as responsabilidades sobre esses direitos da jovem, não queira assumir um compromisso. Isso vai se configurar em transgressão da Torah. 
Não deixe que seus desejos fisicos carnais sejam aquilo que conduza seus planos de vida. Nesse tempo em que temos buscado aprender a melhor cumprir as mitsvot do Eterno, é o caminho certo primeiro fazer uma auto-avaliação e só então procurar um shadchan (casamenteiro) para que busque uma esposa para você. Jamais pense: “eu ganho um salário, mais o salário dela, aí a gente consegue sobreviver tranquilamente.” Isso é ir contra a Torah; pense: “o que eu ganho é suficiente para suprir as necessidades de uma esposa?” 

Por outro lado também as moças devem entender que “necessidade básica” está relacionada a estas três coisas: “comida, roupa e sexualidade” Não é necessidade básica de uma jovem que o marido mantenha para ela conveniências como internet, empregada doméstica, carro, e demais coisas que trarão conforto à familia. Se ele tiver condições de oferecer isso, será ótimo, mas uma mulher não deve cobrar do marido; dizendo coisas como: “eu não nasci pra trabalhos domésticos, você tem que pagar uma empregada” ou “eu preciso de um carro”. 

Antes de entrarmos em qualquer situação, seja emprego, seja escola, seja num evento, num teatro, sempre procuramos saber quais são nossos direitos e deveres (horários, salários, atribuições, etc...) e porque não pensarmos melhor sobre isso quando falamos de casamento? Muitos casamentos hoje são desfeitos porque os jovens entram num matrimônio sem saber ao certo suas responsabilidades e seus direitos. 
Não se esqueça que no casamento judaico, assinamos um contrato chamado “ketubah” e é onde o homem se compromete a suprir as necessidades da mulher “de acordo com a Lei de Moisés e de Israel”. 

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Reflexão para o dia: "Ei, bom trabalho!"



Lc 15:29 “...Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos”

Nas últimas semanas tenho revivido bons momentos com minha filha, de um ano de idade, e tenho aprendido; como diz pirkei avot: “aprender de todas as pessoas.” 
Uma das coisas que tenho me deliciado e praticado é o valor do reconhecimento, do elogio. Ela tem dado seus primeiros passos, aprendido muita coisa (e como criança aprende rápido).  Uma dessas coisas é subir e descer do sofá. Mas o que uma criança que aprendeu a descer e subir num estofado nos ensina?

Bom, toda vez que estou em casa, sentado no sofá, ela vem, com seus passinhos ainda imperfeitos, e encosta no sofá. Quando ela acaba de subir (ou descer) ela vira o rostinho em minha direção e dá um sorriso, esperando um aplauso, um abraço, um reconhecimento. Quando aplaudimos a ela, ela se anima e sorri mais ainda e quer logo fazer de novo. 

Infelizmente, à medida que a gente cresce, os elogios vão diminuindo, até desaparecer por completo. A propósito, quando foi a última vez que você elogiou seu filho? Quando foi a última vez que você elogiou o fato de ele ser bom aluno, tirar boas notas, ou simplesmente o fato de ele ser um bom filho?
Num mundo cheio de filhos desobedientes, ter um bom filho hoje é coisa rara, então o elogie, e agradeça a ele, pois isso vali criar nele um sentimento de fazer mais, fora a alegria que ele vai carregar no rosto.

Pessoas crescem, amadurecem, e logo ficam adultas, mas o reconhecimento sempre tem o mesmo efeito. Isso vale para todos os níveis. 
Lembro-me sempre de algumas mulheres que vinham até mim, pedindo um conselho, porque seus esposos, antes sempre carinhosos e cheios de elogios, já não mais a elogiam. Mulheres são sempre mais dramáticas, hehe, mas isso não deixa de ser verdadeiro. Aí eu quase sempre faço a mesma pergunta: “tudo bem, mas só me responda uma coisa: quando foi a última vez que você elogiou seu esposo?” A maioria delas fica sem graça e diz: Ah, faz tempo, mas ele também não faz!

O ser humano tem uma dificuldade enorme em reconhecer os méritos alheios. Só que a gente se esquece que também carecemos desse reconhecimento. E o raciocínio é simples... tudo que fazemos ao próximo, volta para nós. Não espere elogios, se você nunca for capaz de elogiar.

Não precisamos fazer falsos elogios, mas é impossivel olhar para as pessoas e não ver absolutamente nada de bom. Aí o problema está em nossos olhos e não na pessoa. 
Elogiar só pelo facebook não vale. Não custa nada você ligar (TIM 25 centavos kkk) e falar, não custa parabenizar um aluno, ou um mestre. 

Na parashah dessa semana fala da veste sacerdotal, do oficio do sacerdote. Pensando nisso, quando foi a última vez que você elogiou uma prédica, agradeceu por ter um rosh conselheiro, que lhe ajudou... isso é reconhecimento. 
Eu mesmo sei de muitas pessoas que só preservaram seu casamento graças aos pacientes e sábios conselhos do Rosh. Custa agradecer? Custa elogiar?

Todos os trabalhos são dignos de elogios, e podem acreditar, um elogio é um poderoso incentivador.
Elogie o office-boy de sua empresa, elogie o bom vendedor, elogie, enalteça o bom trabalho, você vai ver que tudo muda, e você no mínimo recebe um sorriso de volta.

Na parábola do filho pródigo, contada inúmeras vezes, temos conselhos ótimos, mas nunca vi um pregador que falasse acerca do verso de Lc 15:29, onde o filho sempre esteve ao lado do pai, mas nunca sequer receber a oportunidade de fazer uma festa com os amigos... é disso que eu falo. 
Não se trata de ele ser ciumento, mas (apesar de não ser esse o contexto da parábola) será que se o pai o elogiasse, o tratasse com mais carinho, ele não receberia o irmão perdido com mais prazer também? Nunca saberemos! 

Então, meu conselho de hoje é: da próxima vez que ver alguém fazendo um bom trabalho, pare um pouco e diga: 
“Ei, parabens, você fez um bom trabalho!” 
Lembrem-se: Isso não dói nada e pode produzir um grande efeito, pois um incentivo e um elogio sincero surpreendem e enchem de alegria a pessoa.

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Reflexões para o dia: Que aconteceu com David HaMelech?



Sl 42:1,2 - Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; 

Temos em pirkei avot, no talmude, uma lição importante de que devemos procurar sempre aprender com todos e poder ouvir diferentes pessoas, compartilhando suas experiências e pensamentos é sempre um aprendizado. 
Aqui nos Estados Unidos conheci um rabino messiânico muito bom, simpático e que se expressa com facilidade grande. Ele nos apresentou um senhor já de idade avançada, judeu sobrevivente do holocausto, a quem tive o prazer de conversar brevemente. Ambos me mostraram um pouco da relação particular que buscam ter com o Criador. 
No cabalat, ao ver as danças e o espírito de adoração envolvente pude perceber que a relação que cultivamos com o Eterno e as pessoas influencia e muito na adoração que prestamos e há de se fazer uma reflexão: como anda nossa adoração? Como anda nosso relacionamento com Ele?

Davi, o grande Rei, a quem reverenciamos constantemente como o homem segundo o coração de D-us, e como “Melech Vekaiam” tinha um espirito adorador.

Em nossa vida congregacional vivemos muito preocupados com coisas menores, preocupados com o que outros irão achar disso e daquilo, preocupados em fazer o passo “correto”, falar as rezas corretamente em hebraico... e deixamos de nos entregar, de buscar ao Eterno de todo o coração. O resto é menos importante. Nossa alma tem que ter sede do Deus vivo.  Precisamos saciar nossa sede.

O salmista dizia “Lembro-me destas coisas—e dentro de mim se me derrama a alma—,de como passava eu com a multidão de povo e os guiava em procissão à Casa de Deus, entre gritos de alegria e louvor, multidão em festa.” (Sl 42:4)

É esse o tipo de relacionamento que devemos cultivar com o Eterno, uma vida com mais devoção, com mais louvor, com mais adoração, até porque foi dito: “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” (Jo 4:23,24)
Esse famoso texto nos mostra algumas verdades importantes: 
a) há verdadeiros adoradores (e falsos também)
b) não se deve adorar a Yeshua, ou a qualquer outro, mas adorarão ao PAI.
c) a adoração tem que ser em espírito e em verdade... isso significa que não dá pra ser só “intelectual”, “consciência” mas espiritual. Verdadeiro, não dá pra se adorar com falsidade, para se mostrar para os outros, sem ser de coração. Até dá pra se adorar, mas nesse caso não seria um VERDADEIRO ADORADOR. 

Voltando ao Rei David, todo “crente” tem uma bíblia aberta no livro dos salmos, com suas lindas poesias e verdades a respeito do verdadeiro adorador que era o rei. Mas não podemos simplesmente ter a bíblia aberta em salmos mas sem nos deixarmos inspirar por suas belas palavras. 
David era o rei, mas era também um pastor de ovelhas, era músico, era compositor, e suas palavras, suas músicas, sua vida nos inspira a buscarmos mais do Eterno. 

Da próxima vez que for sair de casa para ir à sinagoga, vá com o espírito de David e verás que podemos nos assemelhar com o Rei de Israel na adoração e na aproximação com o Sagrado. 

Você pode dizer: Ah! Mas eu sou pecador, não dá pra me comparar com o rei David... mas claro, David também nisso nos ensina, pois ele também pecou, pecou gravemente, mas encontrou espaço para o arrependimento e o consequente perdão divino. 
Talvez você diga: “Ah! mas como eu vou adorar a Deus ao lado daquela pessoa, pecadora, falsa, hipócrita...” Aí você está se sentindo superior aos demais, e isso também é um erro grave. Apenas lembremos das palavras de Yeshua com a parábola do fariseu e publicano. 

Seja como for, está dentro de cada um de nós a capacidade de mudarmos nosso proceder, de nos inspirarmos no rei David, e nos transformarmos em verdadeiros adoradores, pois é a estes que o Pai busca. 

Shabat shalom!

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Reflexões para o dia: realidade de quem enxerga pouco


Lc 7:31 - E disse o Senhor: A quem, pois, compararei os homens desta geração, e a quem são semelhantes?

Quando você observa uma foto, consegue ver tudo o que a envolve? Ou vê apenas a paisagem retratada sem observar detalhes? Quando você observa um quadro de um artista, consegue ver detalhes ou apenas a imagem de um bom pintor? A verdade é que a maioria de nós não consegue discernir um artista de um pintor qualquer; por isso mesmo não entendo como alguém pode pagar milhares de dolares por um quadro desse ou daquele artista. Você pagaria milhões pelo famoso quadro da “Monalisa”? Pessoas zombam, utilizam da imagem famosa e fazem montagens ridículas, menosprezando o artista e desrespeitando o quadro de Leonardo da Vinci, feito pouco depois do ano de 1500, ou seja, essa obra de arte de pintura a óleo sobre madeira, tem praticamente a idade do Brasil.

Mas porque estou falando isso? Porque falo sobre aquilo que sinto, e expresso-me melhor através das palavras escritas, e nessas quase duas semanas longe de casa, fora do Brasil, alguns amigos sentiram a ausência, mandaram mensagens, sentiram falta de minhas publicações de devocionais, outros das gracinhas que faço pra alegrar o dia das pessoas, e outros simplesmente sentem falta de minha pessoa. Pois bem, estou viajando desde o dia 2 de fevereiro e evitei publicar fotos no facebook (seguindo um conselho) porque somos julgados erradamente por causa das fotos que postamos. E por isso mesmo fiz a comparação do quadro de Da Vinci. 

Não quero dizer que sou artista, não quero dizer que sou um fotógrafo, nada disso... apenas queria não ser julgado baseado numa imagem fotográfica. Quem vê um quadro, não sabe o que se passava no coração do artista, assim como quem vê uma foto, não sabe o que se passa, de alegria ou tristeza, no coração de quem fez a imagem. 

Quero mostrar um pouco da realidade e da distância enorme que há entre a foto e o que se passa, entre o que podem dizer (as más línguas) e o que vivenciamos. Digo isso, como uma forma também de relatar os acontecimentos da viagem que temos feito, eu, Rosh Yishai e o Sion.

Qual o propósito da viagem? 
Alguém vê nossa foto no aeroporto e acha que estamos fazendo turismo. Tolice! 
Você acha que eu iria deixar minha família em casa, e passar 15 dias fora, viajando a turismo? Se eu quisesse fazer turismo seria com minha esposa e filhos. O mesmo posso dizer do meu pai e do Sion (se quisessem fazer turismo, você acha que me escolheriam como companheiro de viagem?) 
A viagem tem sido um sucesso, porque tudo o que nos propusemos a fazer tem alcançado exito. Planejamos conhecer a região do sul da Flórida, os bairros, conhecer sinagogas, rabinos, sejam eles messiânicos, reformistas, ortodoxos ou o que forem. Também procurar saber onde moram os brasileiros, ter contatos, etc... e fizemos muitos bons contatos, graças ao Eterno.  Nas fotos ao lado vemos o que foi o melhor contato até aqui foi com os brasileiros João e Yisraela, que vieram de Boston nos conhecer e foi bem proveitoso. Na debaixo, foi o cabalat shabat na casa do amigo Patrick, sobrinho da Ledicia, nossa amiga de Israel. 
No próximo shabat devemos receber outra familia de brasileiros, já membros da CINA. 
Há boas perspectivas aqui para um trabalho ser bem desenvolvido.


Estados Unidos, Miami? Gastando um dinheirão.
Primeiro, só podemos vir aqui de avião. Procuramos as passagens mais baratas, e custou ida e volta, em torno de 1500 reais cada. (pouco mais de 400 dolares). Qualquer viagem de Curitiba a Manaus, Fortaleza, Belem, por exemplo custa esse valor ou mais. 
Um voo direto, sem escalas, dura 9 horas, e custava cerca de 4000 reais. Nosso voo teve tres escalas e durou quase 20 horas. A volta vai durar mais de 24 horas. Puro cansaço. Você vê a foto e acha isso glamour?

Antigamente era coisa de rico andar de avião, viajar aos Estados Unidos. Hoje, qualquer pessoa pode conseguir (se tiver o visto). Não há glamour nenhum nisso. Miami, Nova York, Paris, São Paulo, Curitiba, Rio do Peixe ou Pindamonhangaba são apenas cidades; só um tolo não vê isso. Pessoas são mais importantes do que lugares e estamos aqui por causa de pessoas e não pelas belas praias, que aliás, nem chegamos perto de pisar. 

Hotel chique com piscina?
Bom, ficamos em hotel por uma razão meio óbvia, não teriamos onde ficar se não fosse em hoteis. O hotel onde estamos é dos mais baratos na cidade. Tem piscina, mas nem nós e acho que nenhum dos hóspedes usa. Todos os hoteis aqui tem piscina. Você vê a foto e se deslumbra com o fato de ter uma piscina? Nós só chegamos perto da piscina no sábado passado, porque estávamos lá sentados pra recepcionar e atender os amigos que vieram de Boston.

Carrao alugado...
Bom, como disse, o hotel é dos mais baratos, e por isso mesmo, longe de tudo, fica num entroncamento entre estradas. Pra se descolocar, conhecer bairros, só de carro. Então alugamos um, o mais barato. Aí no aeroporto, não tinha o tal carro e o agente me falou: pode pegar essa minivan aí pelo mesmo preço. O mesmo ocorreu com os amigos de Boston, que acabaram pegando um carro superesportivo pelo preço de um popular. Aí, quando íam embora, o João me disse: “você quer dar uma volta, pra experimentar?” Sim, claro, quem não andaria se tivesse a oportunidade? Demos uma volta em torno do hotel e fizemos fotos. Só isso! 
Sim, achei lindo o carro, fiz fotos, oportunidade única na vida. E entreguei o carro ao amigo. Você não faria o mesmo? 
(Nas fotos ao lado: Sion o Rosh Yishai no carro alugado por nós, uma minivan Jeep; depois eu, no Mustang vermelho, carro alugado pelo amigo João, e depois, meu pai, num camaro amarelo que estava estacionado no shopping; aliás camaro aqui é comum igual um fiat palio no brasil)

Compras em shoppings? 
Só um idiota completo acharia que gastamos dinheiro da CINA pra fazer compras particulares (se você leu até aqui, acho que você não é um idiota). Fomos a shopping sim, você não iria? Quando viajo a São Paulo ou qualquer outra cidade, gosto de passear num shopping. Acho que todo mundo gosta. Você acredita que uma foto em frente a um shopping significa que estamos gastando dinheiro sagrado de dizimos em compras? 

Gastando em restaurantes kosher?


Claro, precisamos comer né! Mas você vê a foto do Rosh Yishai em frente a um restaurante kosher de Miami e acha que estamos esbanjando dinheiro? Vou lhe mostrar a realidade....
Nesses dias todos aqui, pra economizar, a gente almoça um dia no restaurante, e como janta, comemos pão fatiado com queijo ou pão com peito de peru (kosher) comprados em supermercado. Isso é glamour? Pra economizar, as vezes não almoçamos, e ficamos o dia todo à base de pão com queijo fatiado. Você acha isso glamuroso? Para um senhor de setenta anos de idade como o Rosh Yishai? 

Enfim, poderia escrever muito mais coisas, colocar detalhes difíceis, mas não preciso. Colocamos as fotos bonitas, porque quer quer ver foto de pão com queijo fatiado? hehe

Nem todos compreendem a missão de estarmos aqui. Paciência... mas estamos a trabalho, e continuo atendendo os e-mails da CINA, fazendo ketubah para um jovem que vai se casar em breve, etc... mas a verdade é que sempre haverá os murmuradores, sempre haverá aquele que só vê a imagem da foto, e coloca sua própria legenda. 

Nas fotos ao lado, a entrada de uma sinagoga messiânica, chamada Temple Aron HaKodesh, onde fomos bem recebidos pelo rabino e batemos longo papo; abaixo, Sion entrando na sinagoga reformista Temple Beth El, em Fort Lauderdale.

Aos amigos, membros sinceros, agradecemos pelo apoio. E pedimos oração de todos para que a CINA se faça representar nesta grande nação, com mais de seis milhões de judeus que ainda não ouviram falar do Mashiach. 
Não posso esperar compreensão de todos, mas o apoio dos sinceros já nos basta. Nem Yeshua conseguia agradar aos homens de sua época... por isso usei o verso, dentro do contexto que diz: 
Lc 7:31-39 - “E disse o Senhor: A quem, pois, compararei os homens desta geração, e a quem são semelhantes? São semelhantes aos meninos que, assentados nas praças, clamam uns aos outros e dizem: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; cantamos lamentações, e não chorastes. Porque veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demônio. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e dos pecadores.Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.
E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento. E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento. Quando isso viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora.”

Em meu mais longo post, digo que sempre haverá os fariseus hipócritas, que não compreendem e vivem a criticar, mas por outro lado sempre haverá pecadores que terão seus vasos de alabastro dispostos a demonstrarem gratidão por aqueles que lhes ensinam a mensagem de fé e salvação. Por estes, somos gratos!

quarta-feira, janeiro 28, 2015

Reflexões para o dia: Bem na minha testa



Dt 6:8 - Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos.

A parashah de Bo, que foi estudada no último final de semana é concluída em Êx 13:16, que diz: “E será por sinal sobre tua mão e por frontais entre os teus olhos; porque o SENHOR nos tirou do Egito com mão forte.” 
Esse é um dos textos que lemos e meditamos quando, ao rezarmos pela manhã, colocamos nosso tefilin. O tefilin, pode-se dizer, é parte da indumentária de todo judeu devoto. 
Aquela caixinha que colocamos primeiramente em nosso braço, próximo ao coração, e damos sete voltas apertadas até chegarmos à nossa mão, onde com o couro fazemos a letra shin (de SHADAI) e depois colocamos em nossa testa, entre os olhos, pode parecer à primeira vista, apenas um utensílio a mais. Isso aos olhos dos desavisados, mas para quem já teve a oportunidade de utilizar o tefilin, sabe que rezar com ele faz uma grande diferença.
Ao entrelaçarmos por três vezes aquela fita de couro no nosso dedo médio, fazemos menção do texto de Os 2: 19,20 “E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias. E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás o SENHOR.” Isso nos remete a uma simbologia da aliança que temos com o Criador (ou Ele conosco) e nos conecta de uma maneira muito íntima com o Eterno.
Colocamos a tefilah da mão primeiro porque são nossos atos que precedem nossa espiritualidade. Lembre-se de êxodo 24, que diz: “faremos e entenderemos” e só quem cumpre a mitsvah de usar tefilin vai entender.

Quando colocamos a tefilah da testa, as duas fitas de couro a ela conectadas, descem por todo nosso corpo, simbolizando a influência de nossa mente, que desce e controla o corpo todo. Nossa mente, quando conectada com o espiritual, controla o corpo e o guia por caminhos de justiça e retidão.

Enfim, são muitos e você pode encontrar vários outros significados do uso do tefilin, só não pode é ignorar o fato de que usar tefilin é um mandamento. 

Quando vamos à Israel, na entrada do Kotel há sempre um grupo de homens que lá estão com alguns tefilin e se você quiser, eles te ensinam a usar. Fazem isso porque entendem que um judeu religioso deve incentivar os outros judeus a se aproximarem do Eterno, e colocar tefilin é cumprir uma mitsvah e te conecta com o Criador. Então, você vai lá, pede, e eles colocam, ensinam e daí te mandam chegar no Kotel e rezar o Shemah Yisrael. Isso também é feito em alguns outros lugares nas ruas de Jerusalém, Tel Aviv e outras cidades (sempre vai ter alguém pra te incentivar a rezar)

Num dos dvds que eu e o Rosh Ezrah gravamos em Israel nós fizemos uma matéria sobre a colocação do tefilin. No video, gravado no Kotel, quem ensina e fala é um desses judeus devotos que ajuda pessoas a cumprir a mistvah. (O dvd chama-se Aprender em Israel)

Não faço esse texto pra que você se anime a ir a Israel comigo, nem tampouco para que me procure querendo comprar um tefilin, mas para que você, homem, se inspire a rezar mais, a se aproximar do Criador. 

O tefilin é usado costumeiramente durante os dias da semana, mas no shabat ele não é usado, e talvez por isso mesmo nem todos os homens o utilizem ou possuem. Rezar não é um ato de shabat, é um ato diário, e tem que fazer parte de nossa rotina tanto quanto tomar café da manhã, almoçar ou jantar. O tefilin não é usado para outras pessoas verem como você é devoto, portanto, você pode usá-lo no seu próprio quarto, ao rezar pela manhã, ou se reunir com outros nove homens e no miniam matinal rezarem juntos um shacharit. 
Ao retirar seu tefilin, você irá perceber que as marcas ainda estarão em seu braço, num lembrete de que a reza terminou, mas a sua conexão com o Eterno deve permanecer. 

Se possível, quando receber amigos judeus, ou estiver com homens judeus que nunca tiveram a oportunidade de usá-lo, ofereça, ensine como usar e dê a eles a oportunidade de cumprir a mitsvah; isso será bom para ele e também redundará em bênção a você por aproximar mais alguém do Eterno.

Por fim, concluo com uma frase que tenho meditado sempre antes de rezar, já que temos a vida corrida diária e por vezes a oração parece ser automática:
Antes da reza eu rezo para que, durante a reza, eu possa de fato rezar. (Rabi Chaim de Tsanz)
Faça de sua oração um momento único e especial, de conexão com o teu Criador, e coloque um tefilin na testa.

*** As fotos desta postagem foram feitas em nossa última viagem a Israel, em dezembro de 2014, com os amigos Nilder Pousa e Avraham Dipp.

terça-feira, janeiro 27, 2015

Reflexões para o dia: O poder da unidade



Gn 11:1,6 - Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar....e o SENHOR disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer.

Já há alguns dias venho pensando sobre a importância da unidade e toda vez que penso a respeito lembro-me de uma antiga prédica do Rosh Yishai num congresso, falando sobre a unidade, e mencionando esse texto de Gn 11, que fala sobre a Torre de Babel. 
Muito embora a intenção naquele contexto fosse negativa, em que os homens quisessem atingir o céu, tornando célebres seus próprios nomes, a idéia da união é algo que D-us viu como muito poderosa, e que onde há união, não há restrição, limites para os objetivos a serem alcançados. 
O próprio midrash diz que na criação, o único dia onde o Eterno não disse que era bom, foi porque naquele dia ele criou a separação, de acordo com Gênesis 1.

Todas as vezes que o povo de Israel lutou unido, saiu vencedor, e quando os homens se dividiam, o povo enfraquecia e assim o é até os dias de hoje. 

Recentemente tivemos a boa notícia do avanço da obra em Angola. Foram quase 80 pessoas que passaram pela tevilah e tem um grupo enorme ainda a ser batizado nos próximos meses. Tudo isso só foi possível com a visita àquele país feita pelos roshim Yishai e Nechemyah. Foi um trabalho feito em equipe, com pensamento de unidade e isso trouxe resultados. 

Na fé judaica, há até um ditado: “dois judeus, três opiniões” e isso mostra um pouco da grande amplitude de pensamentos diferentes, mas o respeito entre os diversos grupos é fundamental e constante. 
Recentemente começamos a ver também a unidade do povo, logo após o terrível assassinato dos três jovens judeus em Hebrom, em junho de 2014. A partir dali, ashkenaz e sefaradi estavam juntos rezando pelas famílias; religiosos e não religiosos apoiavam o exército de Israel na luta contra o terror. E com isso o povo judeu se fortaleceu.

O mesmo acontece em nossa comunidade; quando todos lutamos por um mesmo ideal (ainda que em determinadas situações tenhamos pensamentos divergentes) significa que o que nos une é sempre mais forte do que o que nos separa. Quando o egoísmo prevalece, enfraquecemos (mesmo que um ou outro possa parecer se sentir mais fortalecido) mas quando a unidade aparece, todos somos fortalecidos. 

Shaul HaShaliach falou com profundidade acerca disso, dizendo: “Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso mestre Yeshua HaMashiach, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer.” (1 Co 1:10) e repetiu em 2 Co 13:11 “Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco.” 
D-us estará conosco quando formos unidos, e por outro lado,  se formos desunidos, a Shechinat HaShem se afastará de nós.

Temos muitos projetos à frente, e alcançaremos êxito? À medida que a teshuvah avança em conhecimento, aumentam os inimigos, aumentam os ataques, e isso faz com que nossa liderança, algumas vezes, deixe de seguir avante e volte as atenções para se defenderem e defender a própria kehilah desses que se levantam contra nós.

Qual o caminho para continuarmos avançando? O caminho  pode ser para a direita, ou para a esquerda, mas seja qual for, ele passa pela unidade de pensamento, pelo respeito e por olharmos adiante juntos. Enquanto tivermos uma única forma de falar, uma única linguagem, o Eterno nos dotará de forças para que continuemos a lutar. 

Convido a todos os amigos a demonstrarem apoio à liderança, ficando firmes, conscientizando-se de que tudo tem sido feito com responsabilidade. Cada passo, seja o entendimento a respeito dos guerim, da cobertura da cabeça por parte das mulheres casadas, da tsiniut, do rito nos casamentos, do mikvê, brit milah, e mais recentemente, da cashrut, cada passo, cada passo, visa exclusivamente o entendermos melhor a Torah e como melhor agradar ao Criador.  

Se conseguirmos deixar de lado os egoísmos em prol de algo maior, nos aproximaremos da vontade do Eterno a cada dia, e seremos fortalecidos, como é dito: “A Alegria do Senhor é a nossa força!” E que o Sagrado, bendito seja Ele, se alegre com nossos atos e nossa unidade.

Porque, como diz o salmista: “Hinei ma tov umanain... quão bom e agradável é que os irmãos vivam unidos, POIS É ALI QUE O ETERNO ORDENA SUA BÊNÇÃO PARA SEMPRE!”

sexta-feira, janeiro 16, 2015

Reflexões para o dia: Que nota tirei no ENEM?




Jo 7:14,15 - Corria já em meio a festa, e Jesus subiu ao templo e ensinava.  Então, os judeus se maravilhavam e diziam: Como sabe este letras, sem ter estudado?

Nessa semana o governo divulgou as notas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e todos se assustaram com a quantidade de pessoas que tirou nota zero em redação. Foram  529.374 pessoas (cerca de 8,5% do total); Aí alguns diziam ser culpa do tema dificil sugerido (publicidade infantil) e que não estão familiarizados com o assunto. 
Eu, na verdade, acho que não é nada disso. Como alguém que está no ensino médio não é capaz de escrever uma redação? Não é o assunto, é a falta de capacidade em escrever.

O sábio Hillel já dizia: “quem não aumenta seus conhecimentos, diminui, e quem não se instrui não é digno de viver” (Pirkei Avot 1:13) e hoje o que mais se vê é gente que não quer aprender. Isso em todos os níveis...

Já fui adolescente e também ja tive preguiça, já tive video-games, já tive amigos de escola, já curti músicas, mas não se trata de ser um “nerd” que só pensa em estudar, mas também não é preciso abandonar os estudos. E também não dá pra colocar a culpa toda no governo, que não investe na educação. Vou dar alguns exemplos, sem querer ofender ninguém:

• Não tenho ânimo pra estudar, escola pública ninguém estuda. 
Isso não é bem verdade, há dezenas, centenas de boas escolas públicas, mas o mais importante, há milhares de alunos interessados em aprender. Quem quer aprender, não se importa se os outros alunos da sala não querem crescer.
• Ah se eu pudesse faria um cursinho de inglês (ou qualquer outra matéria) 
Também não é bem verdade, pois na internet há uma infinidade de video-aulas gratuitas e outros materiais que facilitam o aprendizado.
• Não tenho tempo de estudar.
Para quem trabalha o dia inteiro e estuda à noite, até concordo, mas na verdade são esses que estão realmente estudando. Um jovem que não trabalha e fala que não tem tempo de estudar é mentiroso; só pode estar de brincadeira.

Por falar em brincadeira, hoje 80% dos jovens possuem celulares potentes, com internet e passam boa parte do tempo em joguinhos (não menos potentes). 
Celulares, notebook, internet, tudo pode ser usado por algo melhor do jogos e bate-papo no facebook; podem ser usados para aumentar o conhecimento. Não falo apenas de conhecimento curricular escolar mas conhecimento geral; seja religioso, cultural, artístico, enfim, há um mundo diante dos nossos olhos. 

Yeshua, em seus dias, causava espanto nas pessoas por seu conhecimento, mesmo sendo um rapaz simples, filho de carpinteiro. Não use sua condição financeira para diminuir sua capacidade de aprendizado. Não se justifique na incapacidade alheia. 

No último congresso israelita conversei bastante com um amigo; professor premiado por seu belo trabalho, o chaver Claudio Boaz Reinke dá aulas no interior da Paraíba e é um grande incentivador de seus alunos na busca pelo conhecimento. Temos em Curitiba algumas chaverot de talento na área educacional, como a Kelly Ester e a Joélia, e também em Ponta Grossa temos a Maderli e a Priscilla, e em outras cidades certamente temos pessoas de talento que podem ensinar. 
Falávamos sobre desenvolvermos um projeto para a CINA, com videos educacionais, e usarmos a tvisraelita como meio de divulgarmos conhecimento. Talvez videos em diversas áreas, como hebraico, inglês, geografia, história e claro, português. Pode acontecer um dia; oremos por isso!

O importante é que nada vai acontecer se não quisermos de verdade aprendermos. Porque como disse Hillel, quem não aumenta os conhecimentos, os diminui. 

Falando sobre a redação do ENEM, é uma vergonha nacional. Na internet circulam “as pérolas do ENEM” com as mais absurdas frases (que não citarei aqui) revelando o completo desconhecimento das matérias e principalmente da língua portuguesa. Sim, todos cometemos erros, mas muitos são tão grotescos que parecem ser propositais. Como se resolve isso? LEITURA.

Jovens, adquiram o costume de ler. Não de ler gibis, piadas, coisas inúteis, mas de ler livros. Somos um dos países em que menos se lê no mundo. Menos de um livro por ano!

Quem lê, aprende a desenvolver argumentos, aprende a dominar a língua e... aprende a escrever. É certeza de que terá assunto na prova de redação do ENEM.

Se você quer começar a ler mais, fale comigo, posso te indicar uma série de livros, de acordo com seu interesse, claro, dentro do judaísmo, e especialmente para os jovens, tenho alguns bem interessantes. 
De qualquer forma, se você não tem condições de comprar, na maioria das cidades tem uma biblioteca pública, onde você encontrará milhares de volumes que irão te abrir os olhos para um novo mundo, o mundo do pensamento, do conhecimento. Experimente!
Ainda se os livros estiverem difíceis, use a internet como fonte de conhecimento; vá no youtube.com e ao invés de procurar por “parafernalha”, digite: “conhecimento” “aulas de....” e seja bem vindo a um mundo maravilhoso do aprendizado!