quinta-feira, outubro 30, 2014

Reflexões para o dia. Salvando o mundo


“Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12:21)

Ninguém é perfeito e isso todos sabemos, mas mesmo imperfeitos, somos capazes de fazer boas coisas; ainda que o mal nos cerque e que todos à nossa volta aceitem as práticas do que é errado, é nosso dever vencer o mal com o bem. 

Lembro-me sempre de algumas pessoas que diante de determinadas situações, poderiam fazer o mal, e ninguém seria capaz de julgá-las por isso, e ainda assim, essas pessoas optaram por fazer o bem.

José, governador do Egito, filho de Jacó, teve a oportunidade de se vingar de seus irmãos, quando estes não o reconhecendo, vieram a suplicar por alimentos, durante os sete anos de fome. Ele, no entanto, os ajudou, alimentou e os trouxe para perto de si, salvando toda a família.

A Torah fala das duas parteiras Shifrah e Puah, que receberam a ordem do rei do Egito para, no momento do nascimento, matarem a todos os meninos hebreus. Quem seria capaz de desobecer a uma ordem do governante supremo do Egito? Elas o fizeram, e preservaram a vida dos meninos, e um deles era Moshe Rabenu. 

Esses são exemplos claros daquilo que nos diz o Talmude: “Aquele que salva uma vida, salva o mundo inteiro.”

Não somos personagens bíblicos, mas podemos ser bondosos, generosos com o próximo, apesar de sermos pecadores. Não importa o que alguém faça, salvar vidas trará sempre um sentimento de que nosso coração está se enchendo de alegria, por termos salvo a vida de alguém, por termos ajudado a alguém.

Hoje pela manhã senti vontade de rever algumas cenas do filme “A Lista de Schindler” e me emocionei de novo com as imagens finais, quando ele recebe um anel (que foi feito graças a um judeu que, em sinal de gratidão, deu seu dente de ouro para ser derretido e transformado no anel) com a frase do Talmude “Aquele que salva uma vida, salva o mundo inteiro.”

Naquele momento, ele chora, lembrando que podia ter feito mais (sempre podemos fazer mais) e ouve como resposta: “você salvou mil e cem pessoas, e novas gerações virão graças a você” (Sim, podemos olhar para trás e ver todo o bem que já fizemos a alguém)

Lembrar do holocausto é sempre algo triste, quando milhões foram mortos pelo simples fato de serem judeus, mas esquecer o holocausto é permitir que coisas assim tornem a acontecer para a vergonha da humanidade. 

Schindler disse, em outro momento do filme: “o poder é quando temos todas as justificativas para matar e não o fazemos”

Isso me faz lembrar a história de Davi, quando era perseguido por Saul, o rei... e quando esteve diante da oportunidade de matar seu inimigo (e todos os homens de Davi o apoiavam nisso) ele prefiriu proteger o rei, e sentiu seu coração doer apenas pelo fato de ter cortado a orla do manto do rei. Com essa atitude, Davi conseguiu provar porque era um homem segundo o coração de Deus. 

Das várias vezes que estive em Israel, em algumas delas (quase sempre) fui ao túmulo de Schindler para, assim como os judeus sobreviventes do holocausto fizeram no fim do filme, depositar ali uma pequena pedra, como sinal de reconhecimento por tudo o que ele fez. 

Sim, Schindler podia ter feito mais e sim, ele não era um homem perfeito, mas quem o é? Ele fez a parte dele, agora, façamos a nossa. 
Nos preocupemos com o próximo, cuidemos de nossos irmãos, e ainda que todos façam o errado, procuremos fazer o certo, porque quem sabe esteja em nossas mãos o poder de salvar vidas, e de salvarmos um mundo inteiro.

Mostre que você é como Yosef ben Yaakov, ou como as parteiras que salvaram Moshe, ou como Davi, que poupou a vida do seu inimigo, ou quem sabe você seja como Schindler e ainda não descobriu o seu poder mágico de salvar o mundo. Faça alguma coisa, seja generoso, seja um tsadik e vença o mal com o bem!

*** Ps.: O video está em espanhol, mas quem sabe te inspire a alugar o dvd (ou ver no youtube) em portugues, o filme todo.

Se você quiser ir lá em Jerusalém e conhecer o lugar onde está sepultado esse tsadik, fale comigo... viaje conosco!






terça-feira, outubro 28, 2014

Reflexões para o dia. E deu Dilma, e agora?


“reza pela prosperidade daqueles que estão à frente do Estado, pois sem o seu temor os homens devorar-se-iam” (Pirkê Avot, 3:2)

Sempre gostei de política, de acompanhar debates, assisti a muitos “horários gratuitos na tv” e por outras vezes o país já esteve dividido, polarizado entre duas forças, mas essa eleição presidencial foi uma daquelas disputas que muitos saem feridos, e inclusive agora, com o advento das redes sociais, muitas amizades se desfizeram por conta disso. Valeu a pena? Acho que não, e para ninguém. 

A excelentíssima senhora presidente da república, Dilma Rousseff foi acusada de muita coisa (assim como seu adversário Aécio) e ela aceitou que sim, houve corrupção e desvio de dinheiro da Petrobrás, etc... mas ainda assim ganhou a eleição. 
Agora, surgem uma série de vídeos e coisas mostrando as fraudes nas urnas eletrônicas, outras mostrando o Brasil dividido entre o Norte/Nordeste (beneficiados com o Bolsa Família) e o Sul/Sudeste (que trabalha para sustentar os nordestinos), e o mapa da votação mostrou uma divisão, com Dilma vencendo nos estados do Norte/Nordeste e Aécio vencendo no Sul/Sudeste/Centro-Oeste. 
Quero me expressar como religioso, cidadão e brasileiro, que tem RG, CPF, Título de Eleitor e paga impostos; 
• Acredito que se houve fraude, deve ser apurado e se ficar comprovado, novas eleições sejam realizadas (embora não creia que isso vá acontecer). 
• Acredito que ninguém é perfeito e nem a Dilma e nem o Aécio seriam totalmente justos e livres de falhas em seus governos e que a corrupção está em todos os níveis do sistema político brasileiro; ou alguém pode provar que nos governos de SP, PR, e outros do PSDB não há corrupção? (Ps.: votei no Aécio, mais por acreditar que a mudança seria salutar do que por crer que ele seja o melhor político do mundo)
• Acredito que o governo Dilma seja capaz de reavaliar a situação e perceber que sim, foram vencedores, mas houve também grande rejeição, e algo precisa ser feito para melhorar. 
• Acredito que esse governo atual não foi tão ruim para o Brasil, se o fosse, perderia a eleição. É preciso reconhecer que houve coisas boas. Enfim, temos que ser sensatos!

Agora, acima de tudo, acredito que se foi assim é porque o Eterno permitiu. (Não que foi a vontade de Deus, mas Ele permite, pois nos deu o livre arbítrio) Se Ele permitiu, devemos respeitar. Não há um bom religioso sequer que não respeite as autoridades instituídas. 
Para os evangélicos, católicos, judeus messiânicos, etc... o apóstolo Paulo disse que devemos respeitar as autoridades (Rm 13:1-3)
Para os judeus, o talmude fala que devemos rezar pela prosperidade dos governantes, senão os homens se devorarão. (Pirke Avot 3:2) Isso é bem real hoje, pessoas se atacando, não respeitando a escolha dos outros, etc...

Outro aspecto importante é o respeito com nossos irmãos brasileiros, seja de que região forem. Nem todo nordestino é preguiçoso, nem todos vivem de bolsa-família, são analfabetos,  e ignorantes, assim como nem todos que vivem no sul são cultos, trabalhadores, elitistas. Ignorante é quem faz essa comparação, ofendendo milhões de pessoas. Ofender alguém só porque ele acredita num governo desse ou daquele partido é mancada. 

Não foram só os nordestinos que votaram na Dilma, mas cerca de 40% dos eleitores em estados como SP, PR, RS, etc... e por acaso essas pessoas são burras, vagabundas e vivem de bolsa família? Acho que não. 
Por outro lado Aécio teve milhões de votos no nordeste, e por acaso, se todo nordestino é burro e vive de bolsa-familia, como poderiam votar no Aécio? Mais respeito e inteligência amigos...

O profeta Jeremias disse: “Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz.”(Jr 29:9)

Coisas como: “o gigante acordou” ou “vamos separar o sul”ou “morte aos nordestinos preguiçosos” só acirram posições radicais e vão contra a democracia. Ganhar ou perder faz parte, e a presidente ganhou, foi reeleita. Haverá nova eleição daqui a quatro anos, e até lá, como bons brasileiros, devemos continuar rezando por um bom governo de nosso país, e que tenhamos paz.

Agora, é tentar restaurar as amizades destruídas por causa da eleição, e aprender que a democracia se faz acima de tudo com o respeito à vontade das pessoas e se os brasileiros quiseram assim, que seja.  E D-us permitiu que assim o fosse, então respeitemos.

segunda-feira, outubro 13, 2014

Reflexões para o dia: Amidá e a percepção do bem





Qualquer pessoa que está habituada a ritualística das rezas judaicas conhece a prece da Amidá, ou Shemonê Esrê, com suas dezoito bênçãos que ocupam algumas páginas do Sidur, mas deveriam ocupar nossas mentes a cada vez que abrimos nossos lábios. 
Talvez porque a amidá é rezada silenciosamente muitos de nós nos tornamos incapazes de ouvir suas poderosas palavras. Ela começa com: “Eterno, abre meus lábios e minha boca proferirá o teu louvor” e quantas e quantas vezes nossos lábios deixam de proferir o louvor para proferir palavras indignas, indecentes, difamatórias, maldições?!!! A verdade é que somos muito descuidados neste aspecto de nossa vida. Palavras são ditas, palavras que ferem e nem que alguém nos avise do mal somos capazes de reconhecer nosso erro e preferimos que o tempo apague e trate de curar as nossas ofensas.

Hoje tivemos uma tevilah em Goiânia, onde sete pessoas assumiram um compromisso diante do Eterno, e ao fazer com eles o tachanun, lembrava-me disso... “pecamos, traímos, fomos obstinados, pecamos intencionamente, falamos em linguagem vil, aconselhamos ao mal, etc...” e essa prece é dita no plural porque todos devemos nos reconhecer indignos diante da misericórdia divina. 

Outra verdade é que nos acostumamos tanto com o mal que deixamos de expressar e perceber o bem que nos cerca. Damos muito valor às criticas, às pessoas que nos odeiam, e perdemos tempo com isso, ao invés de valorizarmos aqueles que verdadeiramente nos amam e sentem-se felizes com nossa presença e amizade. Temos uma tendência de nos atrairmos por nossos traidores, e despendemos grande força e empenho em pessoas erradas. Quer um exemplo disso? Nesse final de semana mesmo, aqui no Planalto Central, em Brasilia e Goiânia... fomos impactados por gestos de amor e amizade como há tempos não via. 
Palavras carinhosas, sorrisos, abraços, preocupação em agradar, cuidado.... mais do que presentes, presença.... mais do que palavras, olhares sinceros de gratidão e respeito. Algo muito em falta hoje em dia. 

Mas, voltando à prece da Amidá, no fim temos: “Eterno, preserva minha língua de calúnias, e os meus lábios de duplicidade. Faze que a minha alma fique calma em presença dos malévolos e em todas as ocasiões seja ela humilde como o pó... Que as palavras da minha boca e as meditações de meu coração Te sejam agradáveis, ó Eterno, meu protetor e meu redentor.”

Palavras agradáveis são aquelas que expressam sentimentos positivos como gratidão e respeito, e então quero deixar aqui meu profundo sentimento de gratidão pela forma como fomos recebidos aqui (e em alguns outros lugares por onde passamos) em Brasilia, desde meu primo Tiago Junqueira, que nos acolheu em sua casa de forma muito generosa e especial, até a todos os chaverim da Kehilah de Brasilia, pelo shabat proveitoso que tivemos, pelas boas risadas, pela companhia sempre agradável do Rosh Yehudah e dos seus membros. 
Impossivel não deixar de agradecer por tudo em Goiânia, na liderança do amigo Yaakov, que nos prepararam um belo café da manhã (apesar de termos chegado por volta das 11horas) e o sorriso de todos ao nos recepcionarem, com um rosto resplandecente de alegria. Ao chegarmos, como não notar o cartaz enorme afixado na parede, demonstrando a felicidade em receber-nos? 

Ganhamos presentes em Goiânia, mas o melhor presente foi a gratidão de todos, e por isso mesmo, o Eterno tem abençoado o trabalho do Yehudah em Brasilia e do Yaakov em Goiânia, pois sete novas pessoas passaram pela tevilah, e sei que outras virão. 

Que nestes ultimos dias festivos de sucot, prevaleça a alegria, como é mandamento nessa festa.Que sejamos sempre humildes e que ao abrirmos nossos lábios, possamos proferir o louvor do Eterno; e que Ele, bendito seja, nos livre e faça com que nossa alma fique calma na presença dos malévolos e que sejamos sempre humildes como o pó. 

Baruch HaShem pelo dia de hoje, muito corrido e de muito calor. Valeu a pena ter passado sete horas ao volante indo de Brasilia a Goiânia e regressando. Que venham mais dias assim, com pessoas especiais, com alegria e gratidão. 

Expresso aqui também minha gratidão ao pessoal de Rondônia, que apesar de estarem há anos sem receber a visita do Rosh Yishai, compreendem e são gratos, e anseiam por um novo reencontro, que venha em breve. 

E que tenhamos nossos olhos abertos para percebermos as pessoas especiais que nos cercam com seu amor e carinho. E que nosso tempo seja gasto com elas, numa grande troca de gestos de generosidade. Que venham mais lágrimas, mas só as de alegria. 

Neste terça pela manhã regressaremos a Curitiba. Peço que nos tenham sempre em vossas preciosas orações!

terça-feira, outubro 07, 2014

Reflexões para o dia. O que tem a ver Pharrell Williams com a festa de Sucot.



“A Festa dos Tabernáculos, celebrá-la-ás por sete dias, quando houveres recolhido da tua eira e do teu lagar.  Alegrar-te-ás, na tua festa, tu, e o teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão dentro das tuas cidades.” (Dt 16:13,14)

De vez em quando mudamos o repertório de músicas que ouvimos e aquelas que antes eram as melhores, acabam sendo substituídas por outras. E tem músicas que “grudam” na gente e quando nos distraímos, lá estamos nós cantando o refrão. 

Nos últimos dias vi vários clipes diferentes com a música “happy” de Pharrell Williams (recomendo que assista ao clipe antes de continuar a ler) até que vem meu filho Ariel e fala que essa música é do filme “meu malvado favorito 2”. Mas o que isso tem a ver com Sucot mesmo?

Nosso mestre Yeshua nos dizia: “Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira alguma entrará nele.” (Lc 18:17) A verdade é que a vida de adulto às vezes parece chata, uma rotina diária de trabalho, e ganhamos o sustento, mas raramente dizemos que estamos felizes e satisfeitos. Já a vida de uma criança é muito simples, e elas se divertem com qualquer coisa; qualquer lata vira uma bateria; qualquer coisa vira brinquedo e eles não estão nem um pouco preocupados com a marca das roupas que vestem, se estão impecavelmente limpos ou ainda se fulano está chateado com eles... eles simplesmente são felizes. 

Talvez a maior mitsvah de sucot (além de construir uma cabana) seja a alegria. É mandamento ser alegre nesses dias de sucot. E alegria a gente aprende com as crianças. Já viu coisa melhor do que quando os pais brincam de cabaninha com os filhos? Parece que as crianças se transportam para um outro mundo. O mundo delas, das coisas simples, da atenção do pai e da mãe ao filho, e não ao noticiário, ou aos afazeres do dia seguinte. Os minutos de uma refeição dentro da sucá são mágicos para uma criança, e podem também o serem para nós, adultos. 

Esse filme infantil, Meu malvado favorito, mostra um homem mau, que é “seduzido” pela alegria de três menininhas. E a canção “Happy” fala exatamente disso: ALEGRIA, SIMCHAT.

Somos nós capazes de deixar os problemas de lado ao menos por alguns dias, de ver que precisamos de poucas coisas, e de nos contentarmos com uma simples cabana, coberta com folhas de palmeira? Podemos ter muitos bens, mas se prestarmos atenção, nos daremos conta de que a alegria está nas coisas simples. E é essa a lição que Yeshua nos deu, ao falar que precisamos ser como as crianças para entrarmos no Reino; a mesma lição que o Eterno nos dá a cada ano em Sucot, de que basta uma cabana, uma refeição e pronto, podemos sorrir e rir da vida. 
Sim, temos problemas, sim a vida é difícil às vezes, sim é duro ter que passar por determinadas situações, mas e daí? Podemos escolher enfrentá-las com um rosto angustiado e aflito ou de peito aberto, sorridentes. 

A canção do Pharrell diz: “E lá vem as más notícias falando disso e daquilo,... bem, devo te avisar que vou ficar bem; sem querer ofender, mas não perca seu tempo; e aqui está o porquê: Eu sou feliz!” 


Damos muito valor ao peso dos problemas e pouco valor à leveza do sorriso. É tempo de alegria meu caro! 

Construa sua cabana, seja ela grande, linda, ou pequena e desengonçada, o que vale é quando você estiver dentro dela, dar risada e se alegrar, porque isso é mandamento. D-us nos deu a vida, força e saúde o suficiente para construir uma cabana. E vamos combinar uma coisa: “ficar dentro de uma cabana é coisa de criança né?!” Que bom, pois quando somos crianças e quando nos sentimos mais próximos do Reino de D-us.

Então, como diz a canção: “Bata palmas se você sente que está num quarto sem telhado (uma sucá é uma casa sem telhados); bata palmas se você sente o que é a felicidade de verdade; bata palmas se você sabe o que é felicidade para você e bata palmas se você sente que é isso que você quer fazer...

Que tenhamos um ano de 5775 cheio de alegrias e boas noticias dentro de nossas cabanas. 

Chag Sameach Sucot 

*** Se você quer saber o que diz a letra completa da música, clique no link abaixo e ouça, com legendas em português e ingles (pra cantar junto)

https://www.youtube.com/watch?v=CEN9I8jJ0Nk

quarta-feira, outubro 01, 2014

Reflexões para o dia. A Torah ainda não mudou





“Diante das cãs te levantarás, e honrarás a presença do ancião, e temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR.” (Lv 19:32)

Nos últimos dias tive o privilégio de visitar o Rio Grande do Sul, e passamos (eu, minha esposa e filha) o feriado de Rosh HaShanah em Canoas (nossa kehilah na Grande Porto Alegre) junto com o Rosh Avraham e amigos gaúchos. Foi nossa primeira vez por ali e valeu muito a pena. Pessoas amistosas, e que nos receberam com enorme carinho. 

Ali, tive a oportunidade de rever brevemente o zaken Antonio Volmir. Não pude ficar muito tempo com eles, pois tinha um compromisso em Bagé/RS nos dias seguintes. Minha esposa e filha ficaram com eles no final de semana, e ela teve a honra de ser recebida para um almoço na casa do zaken. Na viagem de volta pra casa, ela me contava animada sobre como foi bom aquele domingo. Tanto para ela quanto para eles!

Depois, na volta da viagem, passamos por Vacaria, para uma visita à família do Rosh Mordechai. Ali novamente tivemos ótimos momentos. 

Quem me acompanha sabe que de vez em quando comento que venho meditando pelo caminho e esperando que o Eterno me dê uma confirmação sobre o assunto que pretendo escrever, e hoje foi novamente um dia assim; no rádio, o locutor dizia: “hoje é o dia do idoso” e deemos honrar os mais velhos, por sua sabedoria, etc...
Hoje, de volta ao trabalho no escritório, desejava falar sobre isso, e a resposta veio ao ouvir a rádio pela manhã. Normalmente chamar alguém de idoso, ancião, tem sido visito como algo depreciativo, infelizmente. Como em quase tudo atualmente, nossa sociedade diminui o valor da experiência da pessoa mais velha, e procura apagar da memória tudo o que eles já fizeram. 

D-us me deu o privilégio de trabalhar com pessoas mais velhas durante todo o meu ministério. Lá se vão 14, 15 anos e nesse tempo, trabalhei, exerci liderança sobre pessoas de mais idade e procurei respeitar a todos. É evidente que tivemos alguns atritos, mas no geral, acho que soube reconhecer o esforço dos antigos. 
Nos últimos 6 anos estive em Ponta Grossa e lá, já haviam dois zakenin (Ailton Avinadav e o Ananias). Sempre os reconheci, sempre fiz questão de citá-los, que não existiria a atual congregação, o meu trabalho, se eles não tivessem vindo antes. O mesmo se passa em diversas de nossas comunidades, e fico feliz que em Porto Alegre o jovem líder Avraham também demonstrou esse reconhecimento pelo zaken Volmir. 

Temos diversos lideres jovens, e não me entendam mal, muitos são fantásticos, de muito conhecimento, mas o que seria da CINA se não houvessem esses líderes antigos? É relativamente fácil para um líder jovem assumir um grupo com 30, 40, 50 pessoas e trabalhar com elas, mas quem os conduziu até ali foi o líder mais velho; se não os reconhecermos hoje, o que será de nós, quando chegarmos à velhice?

Nos próximos dias visitarei Brasília, Goiânia, que são cidades onde temos líderes jovens, que batalham para formar um bom grupo; depois, irei visitar Vila Velha, onde está o Rosh Nakidmon, um ancião (cheio de vigor) que ainda hoje trabalha incansavelmente na construção do Mikvê de Vila Velha. Em Campinas, ainda temos o Rosh Aganor Iohanan, e ainda há certamente outros líderes mais antigos que merecem nosso respeito.

Nesse ano de 5775, se existe um pedido a ser feito, é que voltemos nossos olhos aos líderes antigos, que os reconheçamos, que vejamos seus méritos. Sei que alguns não possuem um bom nível de conhecimento do judaísmo, mas isso é recompensado por bons anos de serviços prestados e da sabedoria que só os anos de vida podem ensinar. Alguns talvez já não seriam capazes de fazer uma prédica tão enriquecedora, mas certamente esses “anciãos” são dignos de que nos levantemos diante de suas presenças.

Foram homens como esses citados, Mordechay ben Avraham, Sebastião Hahn (Pinechas), José Rodrigues, Antonio Volmir, Rosh Melachim, Rosh Yohanan, Rosh Nakidmon e outros que nos trouxeram por longos anos e cada é digno daquilo que os americanos chamam de “stand ovation” quando todos ficam de pé, para aplaudir. 

Por razões óbvias não citei o Rosh Yishai ben Yehudah, meu pai, uma vez que alguém poderá dizer que é bajulação ao próprio pai, mas apenas reflitam o que seria da CINA sem ele? Não preciso de respostas. 

Vejo no horário político muitos jovens candidatos cuja maior plataforma é dizer: “sou o candidato da renovação, chega dos velhos políticos...” Sério? É só isso que sabem dizer? 

Só sei que a palavra de D-us diz que a Torah é imutável, e ela diz que devemos HONRAR A PRESENÇA DO ANCIÃO.

Shanah Tovah a todos, e que tenhamos um 5775 cheio de alegrias e respeito a todos, porque reconhecer os anciãos de nosso povo é honrar os que pavimentaram os caminhos por onde hoje trilhamos e dar honra a eles é cumprir a Torah do Eterno. 

quinta-feira, setembro 18, 2014

Reflexões para o dia. Vai por ti em busca de ser uma bênção.



Gn 12:1-3 Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei;
de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Em hebraico, o verso 1 diz: "Vaiomer Adonai el Avraham: Lech lechá meartsechá umimoladetechá umibeit avicha el haaretz asher areicha."

Quando o Eterno chamou a Abrão, qual a certeza de que Abrão aceitaria? Ele teria que fazer muitas concessões, abrir mão de muita coisa para seguir a vontade de Deus. 
Em hebraico o termo Lech Lecha é traduzido como “vai por ti”, e foi isso Abrão precisou fazer... sair do meio dos seus parentes, da casa do pai, e da terra onde vivia e partiu em busca de ser aquilo que Deus queria que ele fosse. 
Se queremos de verdade sermos abençoados como Abrão, é preciso ouvir de Deus o chamado: LECH LECHA”VAI POR TI” e sê tu uma bênção.

Isso não é tão fácil como parece, Abrão era rico, já tinha seus 75 anos de idade, estava habituado à cidade, aos parentes, ao meio em que vivia, mas no entanto se queremos ser uma  bênção nas mãos de Deus, é preciso escolher seguir Sua vontade. 

Yeshua disse: “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.” (Mt 22:14) 
É preciso, como Abraão, termos coragem e tomarmos uma atitude para servir a Deus... Abrão sequer sabia para onde iria, no entanto confiou em Deus e seguiu seu caminho, rumo à Terra que Deus lhe mostraria. 
E Deus foi fiel a Abraão, fazendo dele uma grande nação, abençoando e engrandecendo seu nome, porque hoje, as três maiores religioes do mundo reconhecem em Abraão um patriarca... 
- o islamismo, do mundo árabe, da descendência de Ishmael, filho de Abraão.
- o judaísmo, descendentes de Abraão através de Isaque e Jacó, dando origem ao povo de Israel
- Cristianismo, pois o próprio Jesus era um israelita, descendente de Abraão.
O apóstolo Paulo disse: “E, se sois de Mashiach, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.” (Gálatas 3:29)

O Talmude, compêndio da sabedoria judaica, diz: “se eu não for por mim, quem será por mim? e se eu não tomar conta de mim, quem sou eu? e se não for agora, quando será?” (Pirke Avot 1:14)

Pense nisso: se você quer ser visto e abençoado por Deus, deve ter também a disposição de Abrão, que com 75 anos de idade, saiu de onde vivia e foi rumo ao desconhecido, mas confiando na promessa de Deus. 

Mesmo sendo uma bênção, saiba que existirão pessoas que irão te amaldiçoar, que se levantarão contra você. Por isso mesmo vemos que D-us disse a Avraham, “amaldiçoarei aos que te amaldiçoarem.”

Você já deve ter ouvido falar do ditado que afirma: “Se a tua luz não brilha, não tente apagar a minha” A lâmpada de Abraão brilhava diante do Eterno, e ele era abençoado em tudo o que fazia. O mal sempre vai estar diante de você, em atitudes de pessoas que querem fazer com que sua luz se apague. Persista, continue como Abraão, na direção de ser a bênção de Deus. 
Seja você também uma bênção nas mãos do Eterno. Atenda ao chamado, seja um escolhido, porque MUITOS são chamados, mas o que vale é estar entre os escolhidos do Senhor... afinal, se somos do Mashiach, somos descendentes de Abraão. 

sexta-feira, setembro 12, 2014

Reflexões para o dia: Dias de pranto





“Os filhos de Israel prantearam Moisés por trinta dias, nas campinas de Moabe; então, se cumpriram os dias do pranto no luto por Moisés.” (Js 6:17)

Ontem foi dia 11 de setembro e pouca gente se lembra dessa data, mas para familiares de quase três mil pessoas essa será sempre uma data de memória, por conta da dolorosa morte de seus entes queridos nos atentados terroristas ao World Trade Center, em Nova York (e no Pentágono). 
Lembro-me de como se fosse ontem, era de manhã e a primeira notícia que vi foi de que um avião de pequeno porte havia acidentalmente se chocado contra uma das torres gêmeas; depois de alguns minutos, o mundo percebia de que era um atentado contra a vida de milhares de pessoas inocentes. Hoje, esse atentado já cai no esquecimento, muito embora a morte seja sempre algo que choque e não gostamos de falar sobre isso, embora, muitas vezes, seja preciso.

Há quinze dias atrás, eu estava no Rio de Janeiro, com meu pai e o chaver Sion, e era sexta-feira, estávamos empolgados com o final de semana que teriamos ali. Hospedados num hotel simples, fomos dormir cedo, e de repente, meia-noite toca o celular do meu pai. Acordamos assustados, Sion perguntando para mim o que havia ocorrido, enquanto meu pai conversava ao telefone. Uma angústia tomava conta de mim naquela hora; escutava meu pai falando sobre morte, ele também parecia não acreditar. Do outro lado da linha, minha mãe contando do falecimento de um Rosh de nossa kehilah. A partir de então nossa viagem ao Rio tinha perdido completamente a graça, já não fazia sentido mais, mas tinhamos compromissos a cumprir, e seguiram-se várias ligações e nossa madrugada de pesadelo parecia não ter fim. 
Mas um Rosh tem que ser forte, tem que ter a cabeça fria, tomar atitudes com serenidade. Por providência divina, o Rosh Ezrah estava em Curitiba, e tudo foi encaminhado para ele ir atender ao funeral. (falo disso depois)

Amanheceu no Rio, alguém tinha que transmitir o estudo da parashah, e lá estava meu pai, e em alguns momentos a voz embargava, lágrimas ao lembrar do amigo que subitamente  nos deixara horas antes. Fiz uma palestra de tarde, meu pai fez outra na sequência, e de vez em quando a imagem do Yohanan vinha à mente. É evidente que todos da CINA ficaram tristes, mas quem conviveu (como nós) com ele em diversas situações, certamente sentia uma dor grande.

No dia seguinte, café da manhã, ainda abalados, falávamos sobre o assunto e então troquei algumas mensagens com o Rosh Ezrah, o elogiando por sua atitude, por tudo que ele fez pelo Yohanan no dia anterior, ao cuidar, dar banho, vestir o kitel, prepará-lo dignamente para o sepultamento. Na hora sei que nada conforta o coração da esposa e filha, mas sei também que é preciso uma serenidade grande para um homem preparar um sepultamento de um amigo. O Rosh Ezrah foi o nosso Chevrah Kadishah nesse dia. De alguma forma, fiquei feliz pelo fato do Rosh Yohanan ter sido honrado em sua morte. 

Voltamos a Curitiba, e eu tinha certeza de que a familia estava sendo amparada pelos roshim e amigos próximos durante o período de “shivah” naquela primeira semana.

No primeiro shabat em Curitiba depois de tudo, enquanto rezávamos o shacharit, algumas vezes chorei, lembrando-me das risadas do Yohanan, as vezes era como ouvir a voz dele, lembrava-me do shabat e dos dias juntos em Israel, onde fizemos várias fotos juntos, eu, ele e o Rosh Kefah, de Campinas. Mas era preciso engolir o choro e “trabalhar” na tradução das prédicas para os americanos, e foi justamente o Sion, quem veio falar comigo no intervalo e me consolar. 

Agora, duas semanas, ainda ouço as risadas, as palavras de alguém que parecia estar sempre de bom humor; o Yohanan foi o primeiro a surgir com os dvds do Mordechai Ben David, com documentarios que ele baixava do youtube, e sempre vinha com boas palavras. Nesses dias, algumas vezes tenho ouvido uma canção da Neshama Carlebach, chamada “Al Aileh Ani Bochea” (Ocean of Tears) um oceano de lágrimas... e sempre me recordo dele. 

Tudo isso pode não parecer fazer muito sentido, mas é a dor pela perda de um amigo. Não sei como será nos próximos congressos, foruns, e eventos da CINA, sem a presença desse sempre homem de bem em nosso meio; apenas sinto, que já não teremos mais sua luz a brilhar entre nós. 

Para os amigos de Imbituba, o shabat deixará de ser um dia de alegria, pelo menos durante o periodo de “avelut” durante o primeiro ano. Será como os filhos de Israel, que perderam Moisés e o prantearam por trinta dias. Para a esposa Marylena e a filha, certamente é uma memória que nunca se apagará, de um bom esposo e pai, amado por todos. 

Não gosto de períodos de luto, não sei o que falar aos familiares, mas sei que compartilho de sua dor, e sei que em breve eu e minha esposa estaremos em Imbituba, levando nossa solidariedade e respeito. Quando os bons morrem, o mundo perde um pouco de sua beleza.

Que guardemos na memória e fiquemos todos com a lembrança do brilho de um homem tsadik que ajudou a tornar esse mundo um pouco melhor.

*** Mais uma vez, agradeço e reconheço ao Rosh Ezrah por tudo o que ele fez pelo amigo Yohanan. De alguma forma, isso trouxe conforto a todos que amavam ao nosso querido Rosh de Imbituba.

“Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos.”(Sl 116:15)

quinta-feira, setembro 11, 2014

Reflexões para o dia: Você se lembra?



“Porém a cidade será condenada, ela e tudo quanto nela houver; somente viverá Raabe, a prostituta, e todos os que estiverem com ela em casa, porquanto escondeu os mensageiros que enviamos.” (Js 6:17)

Rosh HaShanah chegando, e sempre lembro que ano novo é tempo de renovar aliança com D-us e buscarmos aprimorar nossos relacionamentos. 
Uma das coisas que mais aprecio nas pessoas é a capacidade de cumprir com a palavra. Não me refiro exclusivamente aos “votos” que fazemos diante do Eterno, mas a promessas que fazemos rotineiramente às pessoas. Algumas delas são simples, outras mais profundas, mas o que importa é o fato de prometermos algo a alguém e cumprirmos. Por exemplo:
- Prometo que não vou me atrasar, tal hora vou estar lá!
- Vou te enviar aquilo que me pediu ainda essa semana!
- Nos vemos no shacharit então esse shabat!
- prometo que vou consertar tal coisa amanhã.

Acontece que pra muita gente as promessas são como palavras de político. Depois que passa a eleição, não lembro mais e o eleitor logo vai esquecer. Isso dá uma raiva né? Pois é! Já pensou se na Palavra de D-us as coisas fossem assim também? 

O livro de Josué, capítulo 2, nos traz esse relato muito interessante. Ele enviara dois espias até a cidade de Jericó. Acontece que esses dois foram vistos, e o rei de Jericó saiu em busca deles. Uma mulher hospedeira, chamada Raabe, acolheu os dois, mesmo sabendo que ela corria riscos com isso. E a bíblia diz:
“Agora, pois, jurai-me, vos peço, pelo SENHOR que, assim como usei de misericórdia para convosco, também dela usareis para com a casa de meu pai; e que me dareis um sinal certo  de que conservareis a vida a meu pai e a minha mãe, como também a meus irmãos e a minhas irmãs, com tudo o que têm, e de que livrareis a nossa vida da morte.  Então, lhe disseram os homens: A nossa vida responderá pela vossa se não denunciardes esta nossa missão; e será, pois, que, dando-nos o SENHOR esta terra, usaremos contigo de misericórdia e de fidelidade.” (Js 2:12-14) 
Na hora da necessidade, prometemos muita coisa... qundo estamos doentes, prometemos que vamos cuidar da saúde, que vamos praticar exercícios, etc... quando estamos necessitados de dinheiro, prometemos aos que nos ajudam que vamos pagar tudo, que nunca mais vamos nos meter em dívidas, e por aí vai... e esses espias prometeram não destruir a família de Raabe. 

Mais tarde, quando Israel cercou a cidade de Jericó, e estava para destruí-la, era chegada a hora de Josué e os dois espias cumprirem com o que foi prometido.
“Porém a cidade será condenada, ela e tudo quanto nela houver; somente viverá Raabe, a prostituta, e todos os que estiverem com ela em casa, porquanto escondeu os mensageiros que enviamos.”(Js 6:17) 
“Então, disse Josué aos dois homens que espiaram a terra: Entrai na casa da mulher prostituta e tirai-a de lá com tudo quanto tiver, como lhe jurastes. Então, entraram os jovens, os espias, e tiraram Raabe, e seu pai, e sua mãe, e seus irmãos, e tudo quanto tinha; tiraram também toda a sua parentela e os acamparam fora do arraial de Israel. Porém a cidade e tudo quanto havia nela, queimaram-no; tão-somente a prata, o ouro e os utensílios de bronze e de ferro deram para o tesouro da Casa do SENHOR. Mas Josué conservou com vida a prostituta Raabe, e a casa de seu pai, e tudo quanto tinha; e habitou no meio de Israel até ao dia de hoje, porquanto escondera os mensageiros que Josué enviara a espiar Jericó.”(Js 6:22-25)

O relato termina com o verso (27) que diz: “Assim, era o Senhor com Josué, e corria a sua fama por toda a terra.” 

Quando cumprimos com o que prometemos, honramos nossa palavra, o Eterno nos abençoa. Israel poderia ter destruido tudo, acabado com Jericó e com a família de Raabe, mas como  esses homens iriam dormir com tamanho peso na consciência? 

Deixe sua consciência leve, cumpra aquilo que prometeu, seja à sua esposa, seus filhos, amigos, ou àqueles que um dia, como Raabe, lhes foram amigos e úteis. Não importa se agora já não te servem mais, o que vale é que um dia essas pessoas podem ter lhe ajudado e você se comprometeu em algo. 
Que tenhamos o mérito de, em nossa vida, não sermos comparados a maus políticos, que prometem e não cumprem.

Que o Eterno nos dê noites tranquilas de sono, e uma cosciência livre de que não somos devedores de favores a ninguém, porquanto tudo que prometemos, temos cumprido. Que o ano novo nos traga uma boa memória para lembrarmos de cumprir nossas promessas. 

quarta-feira, setembro 10, 2014

Reflexões para o dia: Milagres são difíceis de entender




“o SENHOR nos tirou do Egito com poderosa mão, e com braço estendido, e com grande espanto, e com sinais, e com milagres;” (Dt 26:8)

Deixando um pouco as selichot de Elul de lado, ontem eu estava trabalhando e ouvia algumas canções durante o dia e uma delas falava de milagres, numa frase como: “me faz um milagre.” Ora, todos precisamos de um milagre na vida; por diferentes situações e ocasiões distintas pedimos, mas quem disse que a gente entende? 
Em primeiro lugar, milagres acontecem com certa frequência, mas nem todos são divulgados, como em certas igrejas, e acabamos por não percebê-los. 

Dias atrás eu conversava com uma chaverah sobre isso, e ela mesmo testemunhara um grande milagre em sua vida, com o nascimento de sua linda filhinha, e eu lhe dizia que a história dela merecia ser contada, para servir de testemunho e insipiração a todos nós. (Ainda estou programando uma viagem até a cidade dessa chaverah para gravar essa história)

Normalmente durante as noites eu medito sobre o que escreverei em meus devocionais e ontem eu me deixei influenciar por essa música e o clamor por um milagre. Quanto mais legalistas ficamos, menos sentimos a mão de D-us sobre nós e menos seremos capazes de ver os milagres. A canção expressava o clamor de alguém necessitado de uma ajudinha divina. (Quantas vezes dizemos: ah! tal coisa só com um milagre pra acontecer... e nem nos damos conta de que eles acontecem) 

Hoje, antes das sete da manhã, vinha eu com meu filho na moto, pensando sobre milagres e eis que de repente, um carro branco cruza a preferencial sem parar e vem de encontro à minha moto. Quando olhei para o lado, só deu tempo de exclamar: “Meu D-us, te rogo!” (Lembro-me agora de Moshe Rabenu, quando clamou por sua irmã Miriã: “Meu D-us, rogo que a cure). 
Sofremos o impacto forte do carro, mas a moto não caiu, e paramos uns 10 metros pra frente... enquanto na outra rua, o carro também parou e os três homens vieram até nós, pra ver se estava tudo bem. Meu filho desceu da moto, o tênis raspado com as marcas do carro, mas tudo bem com a gente, apesar de alguns riscos na moto também. Era para ser algo grave, e eu prefiro acreditar que tenha sido mais um milagre. Era sobre isso mesmo que eu iria falar hoje, então HaShem resolveu me dar mais uma prova de Sua infinita misericórdia e Seu poder em nos salvar. 

Em João 11 temos o relato da história de Lázaro; amigo a quem Yeshua amava. Lázaro estava doente, vieram falar com Yeshua e ele se demorou a ir atender. De repente ele diz aos seus talmidim: “Lázaro dorme” e o que os discípulos respondem? “Senhor, se dorme, estará salvo.”  Eles não entenderam, e foi preciso dizer-lhes: “Lazaro está morto”. 
Depois disso, Marta disse: “Senhor, se Tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.” E Yeshua lhe responde: “Seu irmão vai ressuscitar” E ela responde de novo: “eu sei que ele vai ressuscitar no último dia”. A história segue com outros mal-entendidos até que Yeshua manda retirarem a pedra do sepulcro. E qual foi a resposta: “Senhor, ele já cheira mal, é defunto de quatro dias.” Mas quando tiraram a pedra, Yeshua disse a famosa frase: “Lázaro, sai para fora!”E ele saiu!

Milagres são difíceis de entender, resistimos como aquelas pessoas; as vezes, como Lázaro, a situação já cheira mal, mas é preciso remover a pedra (talvez a pedra seja uma referência ao coração de pedra) e deixar que o milagre “saia para fora”. Como o próprio Yeshua disse: “Se creres, verás a glória de D-us!”

Se você precisa de um milagre, creia que ele pode vir sobre ti, mas talvez você nem perceba quando ele acontecer, porque milagres não vêem a nós como nos filmes, mas de acordo com a vontade dEle. Que o Eterno nos dê apenas o discernimento de sentir Sua mão poderosa a nos tocar e guiar. 

Hoje quero agradecer por todos os milagres que já presenciei, em minha vida e na vida de muitas pessoas que me cercam; agradeço porque o Eterno tem me dado um coração sempre grato a Ele. Agradeço por todos os livramentos, por Sua mão forte que nos tem tirado do Egito a cada dia e nos tem guiado na direção da Terra Prometida!
Remova sua pedra e obra seus olhos para ver os milagres também!

segunda-feira, setembro 08, 2014

Reflexões para o dia: 7 bilhões de possibilidades



“Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.” (Sl 1:6)

Elul é sempre tempo de reconciliação, de arrependimento, na busca por um coração em paz. Devemos chegar ao fim desse mês, e ter a consciência limpa: “fiz tudo que eu podia pra procurar a paz com as pessoas.” Depois disso, é seguir em frente. 

 Há muitos anos atrás eu lia um livro sobre o ministério pastoral e lá dizia uma verdade. O líder religioso gasta 80% de seu tempo cuidando de 20% das pessoas (os problemáticos, encrenqueiros) e gasta os outros 20% do tempo com os 80% restantes das pessoas (as boas pessoas). Ao longo dos últimos 14 anos tenho percebido essa realidade triste. E o pior é que não é apenas com os líderes religiosos, é com todos nós. 

Dê uma olhada à sua volta, perceba quantas pessoas gostam de você, são teus amigos, admiradores, e prezam pela sua companhia. É bem capaz de você se surpreender positivamente. Mas por outro lado, você, eu, teimamos em buscar uma aproximação, ou reaproximação, com quem não gosta da gente. Que bobagem! Parece que temos um prazer em sermos masoquistas... 

Observe seu facebook, quantos amigos você tem? Qual você realmente se importa em procurar ver a linha do tempo, em acompanhar as postagens? Na maioria das vezes, as pessoas vão buscar acompanhar os perfis justamente de pessoas erradas. O facebook, a vida real, virou um lugar de trocas de indiretas, e não de palavras de respeito e amizades. É sempre: “você viu o que o fulano postou? pra quem será que ele mandou aquela indireta?” 

Em Lucas 10, Yeshua deu a missão aos talmidim, e dizia a respeito disso (não perca tempo com quem não merece), veja:
“E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós.” (Lc 10:5,6)

Sabe diferenciar um filho da paz de um filho das trevas? A diferença está na receptividade positiva, um filho da paz, sempre receberá a sua paz, estará em paz com todos, e um filho das trevas, é exatamente o contrário, não aceitará trégua, não quer ter paz contigo. Yeshua de certa forma disse: “proponha a paz, se ele não aceitar, ela volta pra você.” E se a pessoa não te recebe, o que você deve fazer? “sacode até o pó desse lugar” E Ele mesmo disse: “haverá mais tolerância naquele dia para Sodoma do que para aquela cidade (ou pessoa)”.

Noutra passagem (Mt 18), ele fala de você procurar sim a pessoa com a qual você tem problemas, uma, duas ou três vezes, mas se ela não mudar, considere-a como gentio e publicano, ou seja: DESAPEGA, DESAPEGA... 

Tempos atrás uma pessoa criticou meu blog, falou um tanto de besteiras, e depois eu fiquei a pensar: “oras, o blog é meu, eu procuro escrever palavras positivas, conselhos, palavras de respeito a meus amigos; entra quem quer, não obrigo ninguém a ler... aí vem um cidadão, e fica criticando? Ou gosta muito de mim ou morre de inveja!” Há duas opções, ou eu me volto contra a pessoa e respondo na mesma moeda, ou eu gasto meu tempo continuando a postar minhas reflexões para os muitos amigos que lêem, curtem e compartilham comigo dos mesmos ideais. Decidi continuar a compartilhar, pois sei de várias pessoas que acompanham, e algumas delas elogiam. 

Não precisamos de posições de destaque, não precisamos  estar em evidência, e não precisamos também ficar preocupados com quem não gosta de nós. Em Elul, você sente que já foi atrás, já fez o que era preciso? Então, desapega amigo!  
Gaste seu tempo com pessoas de bem, ofereça sua paz a pessoas de paz, e você vai descobrir um mundo mais colorido e alegre. Sempre haverá pessoas que enxergarão o mundo cinzento, em preto e branco (não me refiro aos daltônicos) e essas pessoas farão de tudo pra te convencer de que o mundo é cinza. Agora, acreditar, carregar-se de negatividade, depende só de você. 

Quer um mundo cinza? continue gastando seu tempo com gente que não vale a pena. Quer um mundo cheio de cores e infinitas possibilidades boas? Invista em pessoas de bem. 

Uma dica final: segundo as estatísticas, o mundo tem mais de sete bilhões de pessoas; só no Brasil, são mais de duzentos milhões de habitantes... Desejo-lhes que tenham um mundo colorido.

sexta-feira, setembro 05, 2014

Reflexões para o dia. Cuidador do meu irmão



“E disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão?” (Gn 4:9)

Outra reflexão de Elul reside no fato de que nos preparamos para o Yom Kupur, o dia do Perdão, e nesses quarenta dias, devemos repensar a maneira como olhamos para o nosso irmão, para o próximo. 
A sociedade está doente, completamente perdida (é bom escolher bem em quem vamos votar agora em outubro). Os direitos têm sido subvertidos, a imagem da família “tradicional” tem sido atacada, e parece que o certo está virando em errado. Perderam-se os parâmetros para uma sociedade justa e respeitosa, e muito disso veio em função de todos estarmos mais individualistas. O que vale é eu me dar bem, não aceito que outros tenham mais direitos, que outros possam viver melhor e também não aceito ser criticado, aconselhado, corrigido. Que lamentável!

Ontem falava com um amigo pela internet e ele me dizia que sua filha, já adulta, sofreu uma tentativa de estupro, a menos de cem metros de sua casa, em plena luz do dia, numa cidade do interior do Rio Grande do Sul. O policial da cidade disse que isso estava virando coisa corriqueira e que a maioria das mulheres (quando escapam) já nem denuncia mais. Absurdo!
Aí o noticiário aqui em Curitiba mostrou que ontem um aluno do nono ano do ensino fundamental simplesmente esfaqueou por oito vezes a professora de inglês, no fim da aula, em pleno colégio. Esfaqueou por quê? Porque ela teria dito que ele era um aluno indisciplinado. O tal aluno tem 15 aninhos. Pego pela polícia, o criminoso disse que não se arrependeu porque ele estava no direito dele, estava certo. Como assim? Mata uma professora e acha que está certo?

Porquê estou relatando esses crimes horríveis? Porque isso está acontecendo bem pertinho de nós. E estamos desprevinidos, desatentos. Não estamos cuidando de nossos irmãos, de nós mesmos, de nossos filhos, como deveríamos. Digite no youtube, no google, por exemplo, briga de adolescentes na escola, e vai aparecer uma infinidade de videos, matérias sobre isso. 

Há dias atrás meu filho Ariel chegou em casa, vindo da escola, e a gente conversando, ele fala que no dia seguinte um menino da sala dele disse que iria brigar com ele. Estava “combinada” a briga. Com 8 anos? Não deu outra, a minha esposa foi à escola, conversou com a pedagoga, professora e providências foram tomadas. 
No ano passado, o meu primogênito, foi ameaçado na escola, muito em função de ser um aluno quieto, de boas notas e bom comportamento. Um aluno mandou recado dizendo que iriam fazer com ele como fizeram no holocausto (sabiam que somos judeus). Como assim? Não deu outra, fui na escola, gravei a conversa que tive com a pedagoga, e ela me dizia: “ah pai, isso é coisa de adolescente, não se preocupe.” Fiquei irado! Adolescente, briguinha comum? Falei que já havia conversado com nosso advogado, que isso não era “coisa de adolescente”, e que se não fossem tomadas providências, eu iria à justiça e processaria a escola, os pais do tal garoto, pois isso era um crime gravíssimo. Depois disso, o aluno foi chamado, os pais dele, e a coisa se aquietou. 

Dias atrás eu estava assistindo a enésima vez o filme: “A Corrente do Bem” e no fim, o bom menino foi esfaqueado na escola e morreu. Triste, é só um filme, você pode pensar... mas está acontecendo, e cada vez mais perto de você.

Cuide, proteja bem quem você ama. Leve seu filho à escola, espere até que ele entre. Se seu filho tiver qualquer mudança repentina de comportamento, ficar quieto demais, não querer mais ir à escola, inventar desculpas, pergunte, investigue... e eduque seus filhos para que eles possam ser bons exemplos onde passarem. 
O mesmo vale para sua esposa. Ela vai sair de casa? Vai no shopping? Proteja-a, se possível, leve-a, procure informações a respeito de lugares... mantenha sua familia em segurança. 
Não sejamos como Caim, sejamos sim, guardadores de nossos irmãos, filhos, esposa, pais, amigos... “porquanto os dias são maus.”

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